<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770</id><updated>2011-09-30T11:55:03.334-02:00</updated><title type='text'>NOVA KLAXON</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nei Duclós</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10890519188439453800</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>55</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-9162465670829176342</id><published>2010-11-16T12:12:00.002-02:00</published><updated>2010-11-16T12:12:29.929-02:00</updated><title type='text'>Feira do Livro de Porto Alegre ofende a poesia</title><content type='html'>No caminho com Maiakovski&lt;br /&gt;                                         De Eduardo Alves da Costa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira noite eles se aproximam&lt;br /&gt;e roubam uma flor&lt;br /&gt;do nosso jardim.&lt;br /&gt;E não dizemos nada.&lt;br /&gt;Na segunda noite, já não se escondem;&lt;br /&gt;pisam as flores,&lt;br /&gt;matam nosso cão,&lt;br /&gt;e não dizemos nada.&lt;br /&gt;Até que um dia,&lt;br /&gt;o mais frágil deles&lt;br /&gt;entra sozinho em nossa casa,&lt;br /&gt;rouba-nos a luz, e,&lt;br /&gt;conhecendo nosso medo,&lt;br /&gt;arranca-nos a voz da garganta.&lt;br /&gt;E já não podemos dizer nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recente episódio que redundou na prisão violenta da poeta Telma Scherer durante a sua performance na 56 Feira do Livro de Porto Alegre no dia 12 de novembro de 2010, mostra o grau de insanidade a que chegou aqueles que são responsáveis por uma Feira de Livros que se pretende cultural e que revela, finalmente, que de cultura nada desejam além de vender livros e no que se diz cultural não passa de uma quermesse mal animada.&lt;br /&gt;Ninguém me contou, estive presente, por acaso, no ato da prisão de Telma quando um ex-presidente da Feira declarou em alto e bom som : ”-essa mulher tem que ser presa está  perturbando as barracas da Feira”.&lt;br /&gt;Na mesma oportunidade os policiais encarregados de prendê-la disseram que iam fazer nela exame de teor alcoólico e exame psiquiátrico num posto de atendimento do INSS.&lt;br /&gt;O constrangimento e a virulência foi tanta que deixou a poeta, sensível, muito assustada, sendo tratada como uma verdadeira criminosa.&lt;br /&gt;As garantias de livre expressão da Constituição foram rasgadas naquele momento, sem levar em consideração a ausência de um mínimo de bom senso dos administradores da Feira que a acusaram da forma que fizeram.&lt;br /&gt;Unindo-se a isso tivemos mais uma demonstração também da grande mídia, quando um dos mais importantes jornais da capital minimizou o incidente, mostrando mais uma vez o jornalismo subserviente que é useiro e vezeiro de praticar.&lt;br /&gt;Não podemos esquecer também os nossos intelectuais que também minimizaram o episódio como se ele não fosse emblemático de um momento que vive a nossa cultura subserviente ao poder econômico e feliz com as migalhas que lhes são atiradas através de um reconhecimento feito de cartas marcadas e jogadas bem ensaiadas para disfarçar o uso de verbas públicas que  terminam por caucionar a prisão uma poeta.&lt;br /&gt;Ficar calado a isso é admitir a nossa impotência diante de um acontecimento tão grave que não poderá ser esquecido com facilidade pois, senão como diz poema chegaremos novamente no momento: “que já não podemos fazer mais nada”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-9162465670829176342?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/9162465670829176342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=9162465670829176342&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/9162465670829176342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/9162465670829176342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2010/11/feira-do-livro-de-porto-alegre-ofende.html' title='Feira do Livro de Porto Alegre ofende a poesia'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-2849811253325860423</id><published>2010-08-26T10:15:00.000-02:00</published><updated>2010-08-26T10:15:06.625-02:00</updated><title type='text'>Memória e Linguagem</title><content type='html'>&lt;b&gt;&lt;i&gt;    Emanuel Medeiros Vieira*&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero falar da memória não como algo mecânico, mas como base de toda a identidade.&lt;br /&gt;Memória como instrumento de justiça e de misericórdia.&lt;br /&gt;Não por acaso, na mitologia grega, Mnemosina, a memória, é a mãe das Musas, ou seja, de todas as artes, do que dá forma e sentido à vida.&lt;br /&gt;Sim, ela protege a vida do nada e do esquecimento.&lt;br /&gt;A literatura não deixa de ser (também) um instrumento de transfiguração de um momento (eternizar a memória). &lt;br /&gt;Uma busca de perenizar o instante para convertê-lo em sempre.&lt;br /&gt;O ato da lembrança é ao mesmo tempo caridade e justiça para as vítimas do mal e do esquecimento.&lt;br /&gt;Muitas vezes, indivíduos e povos desapareceram no silêncio e na escuridão.&lt;br /&gt;Muitos devem se lembrar das ditaduras que, apagando as fotografias dos banidos querem, em verdade, apagar a sua memória.&lt;br /&gt;A memória é resistência a um tipo de violência: àquela infligida às vítimas do esquecimento.&lt;br /&gt;A memória  é o fundamento de toda identidade, individual e coletiva.&lt;br /&gt;Guardiã e testemunha, a memória é também garantia da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem  é edificada para a construção dos textos que querem eternizar nossa brevidade, a nossa finitude.&lt;br /&gt;Como observa  a filósofa e historiadora, Regina Schöpke, “quanto mais inconsciente ou subliminar é a linguagem, mais fortemente ela age sobre nós, mais ela nos domina e nos dirige.”&lt;br /&gt;Os filósofos e filólogos sabem disso. &lt;br /&gt;Estes últimos, veem nela não apenas uma ferramenta da razão para dar conta do mundo,  mas, sobretudo, uma segunda natureza.&lt;br /&gt;“Algo que, de certa forma, produz o mundo, e não apenas o representa”, como observa a autora citada.&lt;br /&gt;Os gregos já enfrentavam a questão.&lt;br /&gt;Nietzsche – que além de filósofo era também filólogo – chamava esse universo da linguagem de “duplo afastamento do real”, de “segunda metáfora”.&lt;br /&gt;Porque aí os homens  lidavam com conceitos e não apenas com o mundo em si.&lt;br /&gt;A linguagem pode ser instrumento de dominação, estimulando um preconceito racial, como fizeram os nazistas, alimentando o fanatismo e o preconceito, gerando um horror como raramente (ou nunca) se viu na História.&lt;br /&gt;Todo sistema com ambições  totalitárias, como  detectou a pensadora, tem necessidade de produzir um discurso, uma mitologia e palavras de ordem.&lt;br /&gt;O que é  a publicidade que só pensa em vender, sem nenhum compromisso ético?&lt;br /&gt;É um exercício mental doloroso, mas assim  a gente pode entender como uma cultura que produziu tanta beleza com Goethe, Beethoven, Nietzsche, Hegel, Wagner e outros, tenha mergulhado, com o nazismo, na mais profunda irracionalidade, onde o Mal apareceu com toda a sua força, ou melhor, em toda a sua plenitude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento meditar sobre esses assuntos, entre outras razões, porque a falta do estudo da filosofia para quem tem menos de 60 anos, criou um tremendo vácuo cultural.&lt;br /&gt;Fundou-se o universo utilitário, da posse imediata. Só vale o que tem valor contábil.&lt;br /&gt;Faço minha a proclamação de Michel Foucault: “Não se apaixone pelo poder.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;*Emanuel Medeiros Vieira é escritor catarinense. Viveu em Brasília durante 31 (trinta e um) anos. Hoje mora em Salvador ou, como diz, “faz a ponte afetiva entre a primeira e a última capital do Brasil”.&lt;br /&gt;Tem 20 livros publicados, é e detentor de diversos prêmios literários. &lt;br /&gt;Possui mais três obras ainda inéditas.&lt;br /&gt;Participou de mais de 50 antologias de contos e de poemas, no Brasil e no exterior.&lt;br /&gt;Foi jornalista, professor, crítico de cinema, editor, vendedor de livros e redator de discursos parlamentares. Fundou cine-clubes e grêmios literários, e militou ativamente na política estudantil no secundário e na universidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-2849811253325860423?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/2849811253325860423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=2849811253325860423&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2849811253325860423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2849811253325860423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2010/08/memoria-e-linguagem.html' title='Memória e Linguagem'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-4323497173252609245</id><published>2009-12-18T11:57:00.006-02:00</published><updated>2010-06-02T12:08:22.321-02:00</updated><title type='text'>Açorianos 2009- revogado prêmio</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;br /&gt;O texto abaixo iniciou a discussão virtual e com os veículos de comunicação de Porto Alegre que resultou na retirada do Prêmio Açorianos de Literatura para a Maratona Literária de 2009-na categoria de incentivo a leitura, pelo secretário Sergius Gonzaga.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja a matéria da Tv Bandeirantes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://www.bandrs.com.br/bandtv/index.php?n=11349&amp;p=0&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prêmio Açorianos- de 2009 *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebe-se que não existe nenhuma iniciativa importante na área do livro por parte do Estado, nesse caso o município, quando ele premia a si mesmo por ter feito ou fazer aquilo que é sua obrigação. O Prêmio Açorianos desse ano revela isso, a premiação da Maratona Literária como "promoção e Divulgação da Literatura em Porto Alegre"-, a partir de indicação espontânea.&lt;br /&gt;Segundo consta existe um corpo de jurados para julgar as diversas categorias do Prêmio Açorianos e a essa, esse ano, soma-se uma curiosa "indicação espontânea".&lt;br /&gt;Depois de não ter recebido o Fato Literário de 2009, apesar do esforço realizado junto as urnas colocadas na Feira do Livro e fora dela -com funcionárias da Divisão do Livro destacadas para buscar votos junto aos frequentadores da Feira (se não me engano o dinheiro que paga esse pessoal é dinheiro de impostos) - percebe-se que existe por parte da direção da atual Divisão do Livro bem como administração cultural do município a busca de promoção pessoal e de suas atividades e a inexistência total de um plano para a cultura de Porto Alegre onde repetem-se iniciativas antigas como o Baile da Cidade- cujos custos de um único dia ultrapassam o valor do orçamento anual do Atelier Livre da Prefeitura.&lt;br /&gt;Até quando os intelectuais desta cidade vão permanecer integrando-se em atividades como essas sancionando-as sem nenhuma discussão?&lt;br /&gt;Está na hora de começar a dizer basta para o cumpadrio, para aqueles que fazem do dinheiro público escada para carreiras nem sempre bem explicadas ou com currículo para exercê-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Fonte a noticia do site da SMC- Porto Alegre&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-4323497173252609245?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/4323497173252609245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=4323497173252609245&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/4323497173252609245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/4323497173252609245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2009/12/acorianos-2009-revogado-premio.html' title='Açorianos 2009- revogado prêmio'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-1896988483649360051</id><published>2009-06-12T23:20:00.004-02:00</published><updated>2009-07-01T17:29:59.599-02:00</updated><title type='text'>A diferença entre produtor cultural e despachante cultural</title><content type='html'>&lt;em&gt;Onde são aplicados os milhões que a Cultura e o Esporte recebem das loterias?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;As leis de incentivo a cultura, tanto nacionais como regionais (Lei Rouanet e leis de incentivo a cultura) terminaram por criar uma nova profissão que por falta de uma melhor designação passou a ser chamado de “produtor cultural”. Mas, na verdade, esses “produtores culturais” nada mais faziam/fazem do que preencher corretamente a papelada que visa encontrar a liberação legal para que o verdadeiro produtor cultural possa arrecadar recursos ou das empresas ou do sistema de financiamento estatal, sem nenhuma garantia de efetividade. A correção dos dados exigidos pela lei não significa o acesso à verba.A atividade, na maioria das cidades brasileiras onde a cultura não possui recursos e necessita de financiamento, para fazer livros, jornais, revistas, cinema, teatro,etc, virou um negócio mantido por especialistas capazes de enfrentar a papelada com as absurdas exigências legais (que não eliminam o suborno, o lobby, a transferência de recursos para as mesmas empresas que dizem financiar os projetos culturais) e pago com percentual dos recursos arrecadados, quando não antecipadamente.Com relação aos milhões que a Cultura e o Esporte recebem das loterias, por exemplo, não se tem uma prestação de contas efetiva para a sociedade da aplicação desses recursos, enquanto isso os verdadeiros produtores culturais, aqueles que produzem cultura, tem que ficar na mão desses “especialistas nos meandros burocráticos” para depois mendigar junto a empresas e instituições e assim conseguir realizar o seu trabalho de produzir cultura, quando conseguem vencer a barreiras de gerentes e marketeiros de plantão que manipulam o chamado dinheiro público.Convém começarmos a estabelecer a diferença entre produtor cultural e o mero despachante cultural, (é preciso enfatizar várias vezes isso), o produtor cultural é o que produz cultura, o outro, o despachante cultural é o indivíduo especialista que sabe como preencher a papelada para conseguir ter acesso a liberação das verbas públicas ou leis de incentivo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também os apressados em dar designações simples, associam o produtor de cinema, teatro, e até de televisão a essa atividade de despachante, nada mais incorreto, o produtor, aquele que produz, reúne elenco, busca recursos, etc, corre riscos sempre, enquanto o único risco do despachante cultural pode ser uma vírgula mal colocada na papelada exigida pelo sistema burocrático, sem falar que recebe antecipadamente pelo serviço. Então para caracterizar melhor esa função é importante distinguir: O produtor cultural corre risco, o despachante não tem risco.&lt;br /&gt;O despachante é uma profissão digna e que existe em vários áreas sociais, em Estados excessivamente burocratizados e que sobrevivem como, despachantes aduaneiros, de papéis para trânsito, contadores -que preenchem o imposto de renda-, etc ou seja é aquele sujeito que conhece os meandros burocráticos e preenche a papelada necessária para que essa ou aquela atividade possa ser realizada dentro da lei.O despachante cultural definitivamente não produz cultura, quem produz cultura é quem faz cultura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-1896988483649360051?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/1896988483649360051/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=1896988483649360051&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1896988483649360051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1896988483649360051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2009/06/diferenca-entre-produtor-cultural-e.html' title='A diferença entre produtor cultural e despachante cultural'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-4798931229740182694</id><published>2008-06-28T02:57:00.005-02:00</published><updated>2008-06-28T19:41:40.160-02:00</updated><title type='text'>Exumando pó ou o filho do barbeiro de Fernando Pessoa</title><content type='html'>&lt;em&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mídia e um círculo de parasitas que navega entre as academias adora comemorar, festejar a obra de autores, sejam quais forem, e os centenários,então, são o motivo ideal, cem anos disso ou daquilo.No ano seguinte a obra é esquecida e, na mesma velocidade, um novo autor “centenário” é rememorado. E, todos esses comemoradores, mordem e ganham alguma coisa com isso, ou seus quinze minutos de fama ou dinheiro mesmo.Agora chegou a vez dos 120 anos de nascimento de Fernando Pessoa. Por que 120 anos?Não entendo a razão de não comemoraram os 119 anos de nascimento ou 121, ou 119 e um quarto... Um recente documentário da Globonews sobre os 120 anos de nascimento de Fernando Pessoa só mostrou o quão foi pequena ou miúda (como dizem os portugueses) a vida de um dos maiores poetas da língua portuguesa e menor ainda a imaginação do repórter, que a determinado momento chega aproximar o poeta português a Leonardo da Vinci em função de duas invenções dele, a carta-envelope e a máquina de escrever com tipos móveis,invenções essas das quais não existe o menor registro.Por mais que o jornalista buscasse alguma coisa, revirando velhas anotações, fotos, parentes, mais distante ficava da obra do poeta. E, surge a clássica entrevista com um “estudioso,especialista” junto à estátua de bronze que paralisa em metal uma também fase miúda e magra da vida do poeta como se aquela fosse a verdadeira imagem dele.Uma caricatura em metal como tantas outras que povoam as praças do mundo de fantasmas inúteis que só servem para abrigo das pombas ou para os ladrões de bronze.Dos especialistas,parentes, sobre a vida de Fernando Pessoa, não havia nada mais a declarar sobre ele que já não se soubesse.Em determinado ponto do documentário o jornalista resolveu entrevistar o filho do barbeiro do Fernando Pessoa...Incrível.Há no documentário, também um filme da ex-namorada, do poeta. Pra quê?Vê-se a distância uma senhora com rosto comum, pateticamente, já morta, abanando de uma janela.Nonsense puro.&lt;br /&gt;O poeta não deixou a guarda de sua alma em fotos, parentes desimportantes ou mesmo no esquema de elétricos feito por ele para encontrar com a namorada.Aquilo tudo está velho desfocado,amarelo. O que ele deixou de importante foi a sua obra, não sua vida.”Viver não é preciso.”E ele viveu pouco, quase nada, o suficiente apenas para escrever.Homenagens nunca as teve,apenas um livro publicado durante sua existência física.Mas isso não interessa esses exumadores de pó como se apenas a realidade vivida pelo poeta possa revelar ou dizer sobre sua identidade,impossível para alguém que em toda a sua obra negou a sua.A vida prática do poeta português, a não ser seu encontro com Alesiter Crowlewy e a correção de seu horóscopo, nada teve mais rumoroso,importante, nada absolutamente nada estranho ou digno de nota, ao contrário da obra. A sua vida pode ser comparada aos brasileiros Drumond e Manoel Bandeira,uma vida comum, banal,cuja vida interior é muitas e várias vezes mais rica e habitada que a vida exterior. &lt;br /&gt;A obra do poeta é sua vida interior,o exterior é apenas um rasgo, uma fresta aonde o verdadeiro poeta espia.Há, as exceções, quando a vida do poeta mistura com sua arte,então, existe algum significado associá-los,mesmo assim não completamente, poesia não é arte da realidade. Recentemente ouvi, também, um desses analistas da obra alheia, ansioso por declarar algo importante,sobre Mario Quintana.Contemporâneo de Mário (eram colegas de redação) ele fala sobre o poeta:“aprendi mais com o silêncio de Mário do com que com suas palavras.” Traduzindo: o poeta não falava com ele. Não dava a mínima importância a esse analista futuro de sua obra.&lt;br /&gt;Não é ótimo?&lt;br /&gt;A necessidade de aduzir, enxertar-se na pessoa da poeta é tanta que vale tudo, mesmo que isso seja completamente insignificante e desnecessário.Mas o que afirmo aqui pode ser associado a outros gêneros de arte, todos têm os seus “especialistas, não criativos” sem luz própria que precisam para sobreviver, se aquecer como mariposas na luz alheia.&lt;br /&gt;Aliás, o filho do barbeiro de Fernando Pessoa perdeu a oportunidade de recolher algumas fiapos do cabelo do poeta ou de sua barba e guardar para posteridade se soubesse, na ocasião, de quem se tratava.E se fosse um filho de barbeiro com imaginação poderia dizer até que Fernando Pessoa pagava com versos ao corte de cabelo do fígaro seu pai.Mas não, tanto ele como o repórter eram, um pouco sem imaginação, e ficamos nós todos pensando o que poderia fazer um poeta dentro de uma barbearia, imagino que ele também poderia ter escrito o poema A Barbearia, auxiliando, e muito, as entrevistas futuras do filho do barbeiro...Ficou-me a impressão (ou me ficou a impressão?) que o poeta não gostava desse barbeiro e preferia o dono da tabacaria, resta saber se existe algum sobrevivente dessa loja onde ele comprava seus fumos, e se ele aparecer, certamente, vai colaborar apenas com a nossa compreensão da capacidade pulmonar do poeta ou vai esclarecer e espalhar mais fumaça sobre a obra de Alberto Caieiro ou Ricardo Reis?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-4798931229740182694?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/4798931229740182694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=4798931229740182694&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/4798931229740182694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/4798931229740182694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2008/06/exumando-p-ou-o-filho-do-barbeiro-de.html' title='Exumando pó ou o filho do barbeiro de Fernando Pessoa'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-1205001915187921375</id><published>2008-04-11T23:03:00.001-02:00</published><updated>2008-04-12T22:26:16.934-02:00</updated><title type='text'>Na soleira da porta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manoel Hygino dos Santos&lt;/strong&gt;  *&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Emanuel Medeiros Vieira acaba de lançar, pela Thesaurus, “Cerrado Desterro”, primeiro volume de suas memórias, com orelhas de Victor Alegria. A primeira consideração é de que me parece muito cedo para ingressar nesse gênero.Emanuel nasceu em Florianópolis no ano em que Vargas desceu as escadas do Catete, em 1945, sem descer à sepultura, como na segunda vez, em 1954. O período de vida do autor é relativamente curto para cogitar de reunir lembranças.Mas o escritor de Santa Catarina achou que a hora era chegada, e ele mais do que ninguém sabe de si e de seu cronograma e perspectivas. O primeiro volume soma quase quatrocentas páginas, e há mais três temas nos trilhos.A primeira idéia é de memórias serem elaboradas ou organizadas quando a marcha etária ultrapassa a casa dos 70 anos. Assim fez Pedro Nava, e acertou plenamente. O seu legado para as letras e a história brasileira é fantástico.Mas Emanuel Medeiros Vieira encontrou motivos para deslanchar antes o projeto. Com o primeiro volume se constata que ele tem razão. Viveu momentos difíceis, duros, até horripilantes da crônica brasileira no século passado.Esteve junto aos acontecimentos, sofreu-os, teria o que revelar.Andou por estes Brasis que não são tanto mais de meu Deus, para passar aos numerosos demônios que o habitam. Mudou de acampamento com diploma da Faculdade de Direito da Universidade do Rio Grande do Sul e sentou praça em Brasília, o centro do poder.Escreveu muito, vários livros, alguns com títulos cinematográficos. Escreve bem, conhece-se e reconhe-se. O primeiro volume de suas memórias traz uma amostra do que será a obra, como um todo. Reúne lembranças, depoimentos em jornais, pensamentos alheios que o impressionaram, fragmentos, que dão testemunho de uma época.A “revolução” de 1964, com tantos erros cometidos, com crimes e torturas, o pegou em suas malhas. Esteve preso, por motivos em que incorreriam e incorreram homens de bem, jornalistas, escritores, artistas, intelectuais.De uma hora para outra, descobriu que álcool não faz bem. Todo mundo sabe que assim é, mas somente a experiência pessoal, traumática às vezes, convence. Parou de vez. Nem por isso deixou de ter padecimentos. No início de seu livro, afirma:“E a Morte, encostada na soleira da porta, quis dançar comigo um tango argentino. Fingi, disfarcei. Cínica, ela abanou. Fechei os olhos, cama de hospital, botei o cobertor na cabeça. Fui baixando, olhei, ela ainda me contemplava, o sorriso desaparecera, olhar mais grave - alguma compaixão?”À indesejada proposta do tango, disse: “Sou muito desajeitado, não sei dançar, esbarro em todo mundo. Há parceiros melhores”. Mas ela não abria mão de sua preferência. Uma grave enfermidade cardiológica quase o tirou do meio do salão da vida.Encontrou médicos excelentes, enfermagem de alto nível, carinho e apoio da família. A cirurgia foi plena de êxito, recuperou-se. Agora, verifico que as memórias de Emanuel Medeiros Vieira eram inadiáveis, devem e precisam ser lidas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;* &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Manoel Hygino dos Santos  é escritor e crítico literário mineiro. Escreve no jornal "Hoje em Dia", de Belo Horizonte&lt;/span&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-1205001915187921375?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/1205001915187921375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=1205001915187921375&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1205001915187921375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1205001915187921375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2008/04/na-soleira-da-porta.html' title='Na soleira da porta'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-9142005393370951120</id><published>2008-03-17T20:26:00.001-02:00</published><updated>2008-03-17T20:28:18.272-02:00</updated><title type='text'>Lendo  Emily Dickinson</title><content type='html'>Poema de &lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;                                                               &lt;span style="font-size:85%;"&gt; Para&lt;em&gt; Célia de Sousa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;                    &lt;br /&gt;                    Poderia ser 1830,&lt;br /&gt;                    quando nasceste,&lt;br /&gt;                    mas é 2008,&lt;br /&gt;                    chuvoso domingo de março,&lt;br /&gt;                    não publicaste livro em vida (o que menos importa).&lt;br /&gt;                    “Ela chegou afinal, mais ágil porém a Morte&lt;br /&gt;                    Havia ocupado a casa:&lt;br /&gt;                    A pálida mobília já disposta,&lt;br /&gt;                    Junto com sua palidez metálica” (...).&lt;br /&gt;                    Só poeira e esquecimento,&lt;br /&gt;                    nada dura,&lt;br /&gt;                    Felicidade efêmera – ler teus poemas, Emily.&lt;br /&gt;                   &lt;br /&gt;                    O domingo fluindo,&lt;br /&gt;                    tempo: linha reta de eterna agonia.&lt;br /&gt;                    Não existe presente, só passado.&lt;br /&gt;                    Nem futuro.&lt;br /&gt;                    A namorada de 1968 jaz num cemitério de aldeia.&lt;br /&gt;                    “Empoeirado se mostra o mundo&lt;br /&gt;                    Ao nos deitarmos para morrer”.&lt;br /&gt;                    Sim: “Tão longe da compaixão quanto a queixa&lt;br /&gt;                    Tão frio  às palavras quanto a pedra.&lt;br /&gt;                    Tão insensível à Revelação&lt;br /&gt;                    Como se meu ofício fosse nada.”&lt;br /&gt;                    O empenho diário é inútil?&lt;br /&gt;                     (Para os outros.)&lt;br /&gt;                     Ah, cidade que me atirou seu presságio&lt;br /&gt;                     adverso.&lt;br /&gt;                     Terá termo a espera?&lt;br /&gt;                     Deve-se matar a morte que sobre nós se abate.&lt;br /&gt;                     (Peço desculpas aos poetas que pilhei:&lt;br /&gt;                     confluências.)&lt;br /&gt;                     Aqui jaz a inocência:&lt;br /&gt;                     a morte não existe, nós é que morremos.&lt;br /&gt;                 &lt;br /&gt;                     (&lt;span style="font-size:78%;"&gt;Brasília, março de 2008)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-9142005393370951120?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/9142005393370951120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=9142005393370951120&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/9142005393370951120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/9142005393370951120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2008/03/lendo-emily-dickinson.html' title='Lendo  Emily Dickinson'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-362755256809439219</id><published>2007-09-17T10:47:00.000-02:00</published><updated>2007-09-17T10:49:03.357-02:00</updated><title type='text'>SOBRE CONTOS DE EMANUEL MEDEIROS VIEIRA:</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Hamilton Alves*&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Emanuel Medeiros Vieira com o conto “Nunca Mais Voltaremos para Casa” (publicado no Jornal da ANE, edição de agosto de 2007) revela-se como um dos grandes nomes da literatura catarinense da atualidade.&lt;br /&gt;           Aliás, temos um punhado de bons escritores pululando por aí. Quando não em jornais, aparecem em revistas ou folhetins que circulam gratuitamente, como é o caso do “Livro na Rua”, editado em Brasília pela Thesaurus Editora, que vem a publicar um dos melhores contos produzidos por Emanuel Medeiros Vieira, que já merecera publicação nas antologias “Esse Amor Catarina”, organizada por Salim Miguel, Silveira de Souza e Flávio José Cardozo (reunindo uma plêiade de bons escritores do Estado de Santa Catarina), e na “Antologia do Conto Brasiliense”, organizada por Ronaldo Cagiano.&lt;br /&gt;           O problema é que tais escritores atuam fora do eixo Rio-São Paulo, que constitui (e sempre constituiu) uma “panela” na qual poucos conseguem entrar.&lt;br /&gt;           Até hoje, desconhece-se o processo pelo qual se obtém acesso a ela.&lt;br /&gt;           Paulo Coelho e escritores do padrão dele o conseguiram (até entrar na Academia Brasileira de Letras foi possível, sabe-se lá como). A política das editoras (a maioria delas) é puramente de caráter comercial.&lt;br /&gt;Dane-se o valor do livro – isso fica em segundo plano.&lt;br /&gt;          É sabido que Paulo é um escritor de fancaria. Uma editora, não faz muito, comprou por quinhentos mil reais o seu passe. Ou seja: ter exclusividade na edição de seus livros. Qual a resposta para esse enigma (não há, na verdade, bem vistas as coisas). O cara vende. Fatura alto. E seu nome, como se sabe, extrapolou nossas fronteiras. Faz sucesso a nível mundial.&lt;br /&gt;          Um escritor (só para citar um de real valor) como Emanuel Medeiros Vieira, que é superior ao Coelho mil vezes, não tem chance de aparecer ou ser editado por uma dessas casas editoriais de alta circulação ou aceitação na praça.. Por que? O editor não tem segredo. Já ouvi a mesma cantilena.&lt;br /&gt;                           –  O seu livro não vende.&lt;br /&gt;Lembro-me que isso me ocorreu quando mandei uma novela para consideração de uma editora de projeção nacional. Disse ao editor: “Se vocês publicaram o livro de François Truffaut (tratava-se de “O Homem que Amava as Mulheres”, uma história marota de um sujeito obcecado por mulheres, que rendeu um bom filme, faça-se justiça a Truffaut), por que não editam minha novela que tem, modéstia à parte, mais peso literário?”&lt;br /&gt;                          A resposta foi lacônica (igual à precedente):&lt;br /&gt;                           –  Truffaut vende.&lt;br /&gt;Emanuel tem um conto recentemente publicado pelo Jornal da ANE.&lt;br /&gt;O conto tem o título de “Nunca Mais Voltaremos para Casa.”&lt;br /&gt;É um conto muito bem estruturado, bem escrito, bem bolado, que nos pega desde a primeira frase pelo rabo da curiosidade. Já em “Este Amor Catarina”, Emanuel publicou um conto igualmente magistral, “Amor aos Vinte Anos”, sobre o qual já escrevi uma resenha, publicada no jornal “A Notícia”, de Santa Catarina, em junho de 1996.&lt;br /&gt;Nesses dois trabalhos excelentes, Emanuel revela-se um escritor detentor de um estilo, de uma maneira própria de expressão, o que não é fácil nem muito comum encontrar-se.&lt;br /&gt;No conto divulgado no Jornal da ANE, trata-se de um de uma história de dois amantes em conflito. Ela cobra dele o tipo de escritura que vem produzindo. A primeira frase o desencadeia:&lt;br /&gt;                        – És um escritor do passado, diz a ex-namorada.&lt;br /&gt;O diálogo cresce a cada lance até o desenlace, quando ela o deixa sozinho e ele paga a despesa de ambos num bar, em que “o frango está frito e cru. Ela reclama que a coca-cola está quente.”&lt;br /&gt;                    “Ela foi embora, sem despedida, sem outras palavras duras. Enquanto se afastava, eu lembrei que já havíamos rido, brincado, feito acampamentos, viagens, planos. Amor.”&lt;br /&gt;                   Caindo em si mesmo, o personagem reage a tais lembranças:&lt;br /&gt;                   “Pára com a autopiedade”, pede uma irritada voz interior.&lt;br /&gt;                  O desfecho do conto segue esse mesmo clima.&lt;br /&gt;                  Nos dois contos (“Amor aos Vinte Anos” e “Nunca Mais Voltaremos para Casa”) nota-se que a linha de ação se assemelha muito. Emanuel se utiliza da linguagem comum, dos lugares-comuns (no sentido de que se vale do que normalmente acontece no dia a dia das pessoas comuns ou dos dramas cotidianos).&lt;br /&gt;                  É o puro retrato da vida, muito prezado por escritores como Nelson Rodrigues. Só que Emanuel o utiliza com mais riqueza de detalhes ou com mais senso psicológico.&lt;br /&gt;                  “Fui para casa, fiquei olhando pela janela, não chovia, ouvindo no mais alto volume, se isso fosse possível em se tratando de Wagner, ‘Tannhãuser’ (e um vizinho berrou: ‘baixa essa merda, baixa essa merda’). Baixei para não ter incômodos com o zelador, com o síndico.”&lt;br /&gt;                Qual o escritor que desceria a tais detalhes triviais?&lt;br /&gt;Já em “Amor aos Vinte Anos” é o mesmo interesse pelas coisas banais que lhe fazem a fortuna literária. Dir-se-á que Emanuel os preza e os prefere à sofisticação ou a ficar lustrando em demasia. Hemingway (diz-se) não gostava de filosofices. Ia direto ao assunto. Emanuel vai ao rebotalho: que se dane a preciosidade. Ou que é tido como tal.&lt;br /&gt;Como tantos outros de nossos escritores (acho que ele não está nem aí), se tentar uma dessas grandes editoras, que publicam Paulo Coelho ou Sarney e outros que tais, lhe baterão com a porta no nariz.&lt;br /&gt;               – Você não vende – é o mínimo que ouvirá.&lt;br /&gt;Em grandes jornais (na grande imprensa ou revistas de grande circulação), o fenômeno é idêntico: portas fechadas.&lt;br /&gt;Mas enquanto essa discriminação, para não lhe da outro nome, acontece, nossos escritores vão sendo lidos aqui e ali, gerando a pergunta inescapável: por que o Paulo Coelho, por que o Sarney? Que preferência imbecil é essa?&lt;br /&gt;               “Nunca Mais Voltaremos para Casa” é desses contos que se voltam sempre a ler porque nele o que aflora destacadamente é a vida tal qual é. Sem nenhuma frescura.&lt;br /&gt;                                        &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt; *&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Hamilton Alves é jornalista e escritor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;       &lt;br /&gt;          &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-362755256809439219?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/362755256809439219/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=362755256809439219&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/362755256809439219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/362755256809439219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/09/sobre-contos-de-emanuel-medeiros-vieira.html' title='SOBRE CONTOS DE EMANUEL MEDEIROS VIEIRA:'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-5592299451687844167</id><published>2007-08-30T12:29:00.000-02:00</published><updated>2007-08-30T12:33:06.489-02:00</updated><title type='text'>VIETNAM (Sempre)</title><content type='html'>&lt;strong&gt; Emanuel Medeiros Veira&lt;/strong&gt;- de Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trinta e dois anos depois do final da guerra e da maior derrota militar dos EUA, os efeitos da dioxina usada no desfolhante agente laranja continuam a afetar regiões que compreendem áreas do Vietnam, do Laos e do Camboja. Os resíduos se entranharam na terra e nas sementes das plantas, e pessoas que as consumiram e consomem, transmitiram e transmitem seus efeitos aos descendentes. Em matéria publicada no Jornal do Brasil , Mauro Santayana escreve: "Com imagens de crianças sem olhos, sem braços, sem ouvidos, com a espinha dorsal dividida em duas, os membros atrofiados, o crânio piramidal, e relatos sobre recém-nascidos com os órgãos genitais na face, volta aos jornais europeus a denúncia conta o mais nefando dos terrorismos. São milhares de seres humanos e, enquanto viverem e continuarem a nascer, representam o libelo mais ácido contra os piores terroristas do século 20: os senhores estadunidenses da guerra." Trinta e dois anos depois da derrota dos invasores na batalha final de Saigon, continuam os tenebrosos efeitos do agente laranja usados pelos EUA. Uma matéria de José Reinoso, enviado do prestigiado jornal El Pais, de Madrid, traz o depoimento "seco e contundente", de médicos do país e de algumas dessas crianças. A história do desfolhante laranja começou na Segunda Guerra Mundial, quando os encarregados das armas químicas sugeriram seu emprego maciço sobre os arrozais japoneses "Ao saber do projeto que mataria os inimigos de fome, Roosevelt - vítima de paralisia infantil - vetou-o, mas Truman, aos substitui-lo, mandou jogar a bomba atômica sobre Hiroshima. Estimulados pelo Pentágono, as maiores empresas químicas do país - tendo à frente a Monsanto e a Dow Chemical - passaram a pesquisar s efeitos do agente laranja contra os seres vivos, não só os da deformação genética, como também os da indução ao câncer. Em 1960 passaram a produzir para a guerra. Em novembro de 1961, o glorificado presidente Kennedy autorizou o uso do produto no Vietnã", relata  Santayana. Naquele país, hoje, além das crianças deformadas, a incidência de câncer no útero é 30 vezes maior do que no resto da Ásia. O Protocolo de 1925 que integra os seculares acordos de Genebra sobre a conduta na guerra, proíbe rigorosamente o uso de armas químicas nas batalhas. A decisão foi tomada depois do emprego de gases mortais na Primeira Guerra mundial. "Mas 29 anos depois, os nazistas, para o extermínio 'limpo' do judeus e outras etnias (incluída a 'raça' dos comunistas) encomendaram à IG-Barben a produção do gás Zyklon B, usado em Auschwtiz e em outros campos." Mauro Santayana conclui (depois de acusar os EUA de serem os herdeiros da arrogância nazista): "A IG-Farben - que naceu para produzir anilinas - tem suas sucessoras na Monsanto e na Dow Chemical, orientadas pela mentalidade de que a morte pode ser o resultado de um processo técnico lucrativo, seja na produção da dioxina, ou transgênicos, obtidos mediante essa necrotecnologia que condena as sementes à morte, depois de duas ou três colheitas, a fim de que mantenham o monopólio de sua produção. Não lhes importa a possibilidade de que os transgênicos venham a matar os consumidores ou a condenar as almas das crianças a habitar corpos deformados nas próximas gerações. O que importa é o preço de suas ações, os dividendos aos acionistas e elevada remuneração de seus quadros executivos." &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-5592299451687844167?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/5592299451687844167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=5592299451687844167&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/5592299451687844167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/5592299451687844167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/08/vietnam-sempre.html' title='VIETNAM (Sempre)'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-3187095796438506634</id><published>2007-08-09T16:16:00.000-02:00</published><updated>2007-08-09T16:17:27.011-02:00</updated><title type='text'>CARLOS SALDANHA LEGENDRE E SEU CANTO INVENTARIANTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Alberto Crusius&lt;/strong&gt; - de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O tempo é a medida das coisas? Responder a si mesmo é o teste supremo. Então, vamos lá: É evidente que há para cada tempo o seu devido possível.&lt;br /&gt;            Por exemplo, ainda não li o novo livro de poemas de Jorge Adelar Finatto, e também não li seu primeiro livro, por esgotado. Só os poemas publicados na prestigiada Caderno de Literatura, da Associação de Juízes do Rio Grande do Sul, excelentes, e posso, portanto, me questionar sobre qual o meu livro favorito de poesia sem bater de frente com um candidato que certamente empataria com qualquer outro, e que de momento não é elegível porque não estou, como vêem, com a leitura de seus livros de poemas completa.&lt;br /&gt;            “Livro favorito” é uma expressão exata, porque fora dela tudo é bruma: “O melhor”, nestes tempos de pan, e imagens de atletismo contínuo, é algo tentador, mas rejeitável por definição. Num dia se ouve o locutor de uma rede nacional de televisão dizendo ser o esporte um modelo de comportamento para a sociedade, e, no dia seguinte, vemos dois jovens vultos de quimono e capacetes protetores trocando pontapés até que um dos dois cai,  em contorções, atingido pelo pé do outro por baixo da proteção do tórax.&lt;br /&gt;            Ora, até empresas já substituíram competição por motivação, mas...&lt;br /&gt;            ...mas eu ia apontar meu livro favorito de poesia.&lt;br /&gt;            A cisma é algo que não se pode interromper, e cismamos também sobre o que nos propomos como interdito: Como assim, o melhor? Nunca aceitaríamos participar de um conclave poético em tal sentido, muito menos como árbitro, mas...na impossibilidade do julgar sempre com certeza, é forçoso admitir certo comportamento arbitrante, é o que esperam todos de todos, nos afetos, nas profissões, nos desafetos, nos afagos, nos desafagos.&lt;br /&gt;            Critérios existem: não eligirás como melhor algum de que participaste na confecção com opiniões,  nem algum que seja de autor sobre o qual, de alguma forma, opinaste na hora longa e difícil da confecção, nem de parentes, nem de geração seguinte à tua, da qual não estás obrigado a vislumbrar futuros possíveis. Nem de poeta que sabes trabalhando em obra que terá ressonância indiscutível e sobrepujará seus livros atuais...&lt;br /&gt;            Bem, já está um pouco diminuído teu quadro de escolhas.&lt;br /&gt;            Mas em termos de escolha pessoal, o favoritismo, mesmo estético, é matéria personalíssima, mesmo quando amplamente amparada em estética rigorosa. Como em tudo que é pessoal, há sempre o episódio, não?&lt;br /&gt;            Sim, há o episódio, a coisa do tipo enredo, estória, os fatos ou algum fato, da vida, do quotidiano (não use jamais a expressão vida quotidiana: não existe vida que não se dê no quotidiano), e o eco interno, paradoxalmente, o único eco realmente objetivo em se tratando de construção da cultura poética.&lt;br /&gt;E se o episódio foi significativo para ti, porque guardá-lo exclusivamente como lembrança tua?  Sendo humano, é de supor que tua descoberta pessoal possa ser comum a todos na tua condição. O resto é, afinal, complementar. Pronto. Venceste, com o raciocínio, a trava do viver subjetivo.&lt;br /&gt;            O episódio, não podia ter, como ambiente, nada mais trivial, mas muito agradável. Um coquetel de mais um lançamento de algum número da Caderno de literatura, na qual tiveste o prazer de ver algum texto teu publicado e de reencontrar a figura  serena do poeta Carlos Saldanha Legendre,   e o comentar, da tua parte, que alguns versos seus, estão certamente entre os teus favoritos,  entre os que nunca esqueceste, e provar isto recitando, para o próprio autor, numa hibernal noite sulina, com nostalgia evidente de calor e verão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                        Em mil&lt;br /&gt;milhas&lt;br /&gt;do mar &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o azul&lt;br /&gt;verte&lt;br /&gt;em bilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            A admiração, afinal, decorre, freqüentemente, do obtido por outro em seara em que nossa tentativa nunca foi, por vezes, sequer esboçada.&lt;br /&gt;            Legendre, atento e satisfeito, para meu espanto, corrige as estrofes Eu as recitava para mim mesmo desde 1971, eu as procurava desde muito longe na minha infância em praias, quando ainda não existiam, olhando, de Arroio do Sal a Xangri-lá, aquelas mil, milhares, milhas, de espumas em franjas, tão arrumadas em pequenos leques brancos que nunca eu conseguia cometer poema mimetizando-as em mesma concisão do espaço visual a cada uma adstrito, e a relação deste espaço com o seu maior, o mar.  Eu não posso ter me equivocado, aquele é um dos meus momentos de leitura e enlevo favorito de poesia. Mas ele, o autor, corrige com aquela sua serenidade sábia e mansa desde a voz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                        Em mil&lt;br /&gt;milhas&lt;br /&gt;do mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            no azul&lt;br /&gt;vertem&lt;br /&gt;bilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Aquilo parece impossível. Estávamos em pleno ano 2000, os algarismos do sonho de um milênio, passei os últimos vinte e nove anos recitando aquelas palavras, retornando a elas quando as esqueço, reencontrando nelas toda a pureza satisfatória da leitura original, eu não as esqueceria, constrangido, apelo para a franqueza absoluta, “olha, não quero te iludir, eu ainda ontem reli os versos, palavra por palavra, pausa por pausa.”&lt;br /&gt;          O poeta sorri, pede licença,  vai até seu carro, no estacionamento, e volta portando exemplar com o brilho do que é novo, de uma reedição de seu Inventário do canto que me autografa, uma edição maior e ainda mais bela do que a original, de 1971.&lt;br /&gt;          A leitura desta versão foi fascinante. Desapareceram poemas, compareceram novos, foram reescritos outros, foi acrescido um nome a mais nas dedicatórias, Pound foi substituído por Murilo Mendes e Mário Quintana como epígrafes. Mas conferi e fiquei tranqüilo: Lá está A TORRE SEM DEGRAUS, DE DRUMMOND, no mesmo título, até no mesmo negrito, e que reflete, desde o título, o mesmo uso do “r” de Carlos Drummond de Andrade. As duas ou três alterações mínimas que tem, uma inversão de palavras na mesma parte em que uma citação passa a constar entre aspas, e mais próxima ao parágrafo anterior, um a letra “n” e um “a”, em acréscimo de sonoridade quase imperceptivelmente aperfeiçoada à palavras de outro dos vinte parágrafos, e o acréscimo de poemas depois do final do mesmo: tudo apenas confirmatório. E um mundo para reler, agora acrescido dos elogios de Cassiano Ricardo, Carlos Nejar, Ledo Ivo, e a suprema glória de uma carta a Legendre por parte de  Antônio Houaiss “Se só venho agora  agradecer o seu Inventário do Canto é porque, no meio tempo, o li, reli, transli várias vezes. Isso bastaria para significar-lhe o quanto ele foi, é e será assim."&lt;br /&gt;          Sim, escritores redigem aquilo que de repente percebemos ser exatamente o que diríamos numa determinada circunstância, e Antônio Houaiss é, evidentemente, um escritor – e  um escritor como poucos. &lt;br /&gt;            De quebra, a citação final de um trecho de Robert Frost sobre poesia, por sua vez afirmando algo que nunca aceitaste reconhecer publicamente,  mas que sabes verdadeiro:&lt;br /&gt;            “É absurdo pensar que o único meio de saber se um poema é imortal  seja aguardar que ele perdure. Quem sabe ler um bom  poema deve poder dizer, no momento em que é por ele atingido, se recebeu ou não um golpe de que nunca mais se curará  (...)”. &lt;br /&gt;            O mesmo ocorre com os livros. Existe um tipo de gosto poético extremamente cultivado, que não teme o experimentalismo, que só a leitura dos livros de João Cabral de Melo, Murilo Mendes, Paulo Mendes Campos, Jorge de Lima , Walmir Ayala,  Heitor Saldanha, e, também, de Dimitri Sigalinos, pode satisfazer.&lt;br /&gt;            Mas neste pequeno e seleto caudal de cabeceiras, o meu livro favorito é Inventário do canto,  de Carlos Saldanha Legendre. Em qualquer das duas edições. Aquela de 1971 que documenta uma busca  típica de uma época, e a de 2000 que nos ensina ser a perfeição algo atingível. Reescrever por quase três décadas um livro de poemas é uma das mais dignas tarefas a que um homem pode – e deve – se dedicar. Um grande poeta é, afinal, um homem que se dedica à obra de poesia, esta, aqui, agora, de forma absoluta, definitiva: para todo o sempre. “...a perenidade, em poesia (...) não necessita de ser provada pelo tempo: aprende-se instantaneamente (...), prossegue o texto de Robert Frost. &lt;br /&gt;E realmente estamos diante de um dos mais belos inventários já feitos dos limites a que se possa chegar em poesia praticada com técnica exímia, concisão extrema e domínio absoluto do uso da palavra como sonoridade e imagem, que vem desde seu primeiro livro de poesia, Canto ao mar de Piriápolis (1962), e que, será pelo menos mantido, ou quem sabe superado, o que será quase incrível, em sua Elegia à Lesma, pelo que dele já lemos ou ouvimos o poeta declamar. A mesma qualidade nos embevece em seus excelentes poemas por ora esparsos, e com a qual a revista de literatura da Ajuris, por exemplo, tem brindado a grande quantidade dos leitores aos quais é distribuída gratuitamente, e do que testemunham cartas por vezes tocantes chegadas de remotas localidades, escritas por desprivilegiados professores de remotos sertões. É mais um ato de tocante humanismo do poder por excelência onde o homem usa a palavra pela construção de um mundo melhor para sua espécie através do uso jurídico do instrumento maior da humanidade: a sentença, essa manifestação de linguagem comum ao fazer literatura e ao fazer justiça, o que de alguma maneira que apenas vislumbramos é a mesma matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alberto Crusius, publicado em vários veículos de literatura do país, esclarece que não faz parte do poder judiciário, não sendo juiz nem advogado. Acha difícil, mas às vezes necessário, falar de si mesmo na terceira pessoa...&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;                                                                                              22 de julho de 2007. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-3187095796438506634?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/3187095796438506634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=3187095796438506634&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/3187095796438506634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/3187095796438506634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/08/carlos-saldanha-legendre-e-seu-canto.html' title='CARLOS SALDANHA LEGENDRE E SEU CANTO INVENTARIANTE'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-2489493519637591433</id><published>2007-07-30T17:36:00.000-02:00</published><updated>2007-07-30T17:39:26.760-02:00</updated><title type='text'>ISAAC STAROSTA  E NOSSA GERAÇÃO. OU VICE-VERSA.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;Alberto Crusius&lt;/strong&gt;  de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Agosto, 1966. Esta era a data que constava em página introdutória que esclarecia ser o livro Nossa geração uma Antologia poética dos universitários do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;            Era uma edição bem cuidada, com apresentação de Donaldo Schüler, apenas genérica, isto é, com exame das características do todo daqueles poemas e a então infalível referência a 1922 e o modernismo brasileiro, e à chamada geração de 1945, hoje vista com o tédio da leitura da frase pronta. Ainda se estava longe, em datas, da abrangente análise que Schüler fará na obra A Poesia do Rio Grande do Sul, em 1987, de uma grande quantidade de poetas do estado.&lt;br /&gt;Esta obra, aliás, ajudaria a compreender o que se passara com o crítico universitário diante da matéria a examinar na antologia Nossa geração: que surpresa aquela quantidade de poetas certamente apreciáveis, e quanto somos criticamente enrijecidos e duros para com o que é muito novo e, mais, vário, notadamente em poesia, onde a espontaneidade desenha continuamente novas formas que atordoam o preparo acadêmico e desatualizam muito da poética, restringindo o manifestar-se com empatia analítica abrangente, e até com o necessário pathos de que a verdadeira crítica não pode prescindir, sob pena de esterilidade perceptiva.&lt;br /&gt;Isto que ocorre hoje com a poesia de Mário Pirata, ocorria desde aqueles tempos em que outros eram os novos – categoria que pode ser mantida, aliás, a qualquer idade, às vezes se desatualizando depois, ou se revelando indigno do caráter documental da palavra.&lt;br /&gt;Mas a antologia Nossa geração em si tornou-se documento da nossa cultura poética. Alguns daqueles poetas adquiriram atenção imediata, limitada, como de hábito em se tratando de boa poesia (a expressão foi abandonada com razão, pois não existe má poesia, e sim ausência da mesma), a um círculo restrito.&lt;br /&gt;            Poetas com forte personalidade própria logo se tornaram alvo de culto para os reduzidos happy few da expressão de Beyle. Entre eles, Pedro Port, Reinaldo Portanova, Paulo Roberto do Carmo e Isaac Starosta, que se afastavam da regra apontada pelo apresentador do poema curto predominante no lote, e, mais do que isso, obtinham forte impressão, completamente diferenciada, junto ao leitor. Mas é, ainda ou talvez, a melhor antologia poética  de autores gaúchos de anos que eram então recentes e hoje resvalam para a bruma histórica e tradicional de nossas cerrações a se fecharem ao final de cada ciclo da cultura em compartimento estanque de tempo e memória, em qualquer setor cultural. Havia ainda o corretamente lírico e regional Ernesto Wayne, por exemplo, e entre outros nomes a lembrar.&lt;br /&gt;            Claro, não existirá antologia realmente completa, e aquela não era exceção. Ali não está Carlos Saldanha Legendre, estreante há quatro anos, e isto basta para selar sua incompletude.  Mas uma antologia não se faz notar só pelas ausências dos que devem ser lembrados, mas por presenças que se tornem inesquecíveis. &lt;br /&gt;            A série Ônix, de Reinaldo Portanova, certamente não pode ser esquecida.  Portanova e Paulo Roberto foram os mais originais e impactantes. Pedro Port – como Isaac – permaneceu editando, embora com notável parcimônia, compensada pela alta qualidade. Paulo Roberto editaria Crisbal, o guerreiro, no mesmo ano, com ilustrações de Stockinger, num de nossos primeiros diálogos entre poesia e arte plástica, em que se obtinha um excelente interagir, o diálogo iniciando o fim do provincianismo e só voltaria a editar livros a partir de 1990, data do primeiro desta fase nova, intitulado Breviário da Insolência.&lt;br /&gt;                        Em 1987, Schüler iria declarar, no já citado A Poesia no Rio Grande do Sul: “No ano em que surge O campeador e o vento (1966), aparece também Crisbal,  o guerreiro,  livro de estréia de Paulo Roberto do Carmo. O grito de guerra do estreante é bem mais vigoroso do que o de Nejar.” Como se vê, 1966 foi um ano e tanto, mesmo não se falando na Nossa antologia.&lt;br /&gt;            A própria antologia é, até hoje, apreciável.&lt;br /&gt;            Um caso raro, porém, era o de Isaac Starosta. Poeta pronto, um de seus poemas ali editados, Cemitério de Varsóvia, teve imediata repercussão, inclusive fora do âmbito dos apreciadores de poesia, mantendo-se poético, fato não freqüentemente simultâneo, e um poema até hoje lembrado.&lt;br /&gt;            O início do poema era marcante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    Cemitério de Varsóvia&lt;br /&gt;                        alguém observa  o soldado de pedra,&lt;br /&gt;                        sal  ardendo nos olhos.&lt;br /&gt;                        São horas de alguma tarde cinzenta&lt;br /&gt;                                     &lt;br /&gt;            Em quatro versos, o primeiro já era estritamente enxuto e cumpria a missão de musicalidade sem adereços, os dois seguintes mostravam o domínio de outra técnica, a  imagística, meramente substituindo a palavra sol, que seria inadequada por óbvia  – em poesia não há espaço para o que seja óbvio – e partindo para a imagem com função poética, onde o sal é lágrima, em palavra mais adequada, ainda, ao ritmo da frase. A manutenção de ritmo, mesmo em campo de imagística, em técnica  habilmente  superposta, denunciava a existência do poeta maior  por trás do resto.&lt;br /&gt;            Foi preciso esperar até 1971 para surgir o primeiro livro de poemas de Isaac,  Poemas ao Portador (Não consigo seguir a regra de dar a todas as demais palavras do texto em itálico iniciais minúsculas, é preciso que tenham o mesmo peso as duas palavras).&lt;br /&gt;            Como me tornara amigo do poeta, logo depois do lançamento, e um amigo de família, participei da escolha dos poemas, e até, sendo então um publicitário, aventurei-me a sugerir aquele título, que continuo apreciando, ao volume no qual se propunha leveza na leitura e profundidade não destituída de ironia na poesia.&lt;br /&gt;            Era uma estréia saudada com alegria pela cidade e pelo estado, e também pela necessária polêmica. Na forma como o conceito de  poesia, sob um ponto de vista teórico, torna-se evidente, ele é falho a nível de lógica formal: poesia é o que não é prosa. É evidente que algo não pode ser definido apenas como o que definido está como sendo seu oposto, num mesmo plano conceitual. Uma evidência não é, ainda, um conceito.&lt;br /&gt;            E Isaac é, desde Drummond, um dos poetas que mais próximo está à linha de fronteira entre prosa e poesia, sendo um dos que correm, deliberadamente, riscos na área. Gosta de correr mantendo a perseguição ao limite, e brinca sobre ela.&lt;br /&gt;             Alguns dos poemas dísticos deste livro eram, também, inesquecíveis:&lt;br /&gt;                             &lt;br /&gt;                        O amor vive&lt;br /&gt;                        na gruta&lt;br /&gt;ao acaso&lt;br /&gt;                       &lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esperes ir mais fundo                 &lt;br /&gt;Nem com ele voar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-2489493519637591433?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/2489493519637591433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=2489493519637591433&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2489493519637591433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2489493519637591433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/07/isaac-starosta-e-nossa-gerao-ou-vice.html' title='ISAAC STAROSTA  E NOSSA GERAÇÃO. OU VICE-VERSA.'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-6484374618462870008</id><published>2007-07-30T17:33:00.000-02:00</published><updated>2007-07-30T17:36:21.992-02:00</updated><title type='text'>Isaac II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O mais sólido, metafisicamente, do livro de estréia de Starosta, entretanto, poderia ser a seção Namoros com a Morte. A Segunda estrofe do verso II é, para mim, senão um dos excelentes momentos da poesia brasileira, um dos melhores de Isaac:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                        A puta de olhos claros&lt;br /&gt;                        virá docemente&lt;br /&gt;fechar meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            É um momento brilhante e que também lembra Drummond. A revolta do homem diante de sua finitude deixando escapar um palavrão em lugar de uma peroração filosófica, como se um filme  americano fosse (Entre inúmeras outras homenagens, Drummond versificara: O presente vem de mansinho/ de repente dá um salto/ cartaz de cinema com fita americana).&lt;br /&gt;Esta estrofe de Starosta, com inversão absoluta da tradição hebraica e cristã de santificação do momento da morte, tendo uma imagem de prostituta a fechar os olhos, e ainda assim a faze-lo docemente, era um achado. É como se, de repente, um dos melhores momentos de Drummond estivesse noutro poeta que não ele...Isto em 1971, em pleno turbilhão dos anos setenta, a era Drummondiana por excelência,  a era dos homens taciturnos que nutrem grandes esperanças.&lt;br /&gt;            E Starosta ainda se dá a luxos de poemas definidos na boa doutrina poética como menores (lembre-se, T. S. Eliot fez também versos que definiu como menores – não, não estou esquecendo outros, e sim, não tentando enumerá-los. O infinito está, afinal, fora de nosso alcance). Entre os supostos menores de Isaac, por vício de definição de T. S., estão, como outros, melhores, a estrofe inicial de do poema V, todo ele de estrofes de apenas dois versos, da subdivisão do livro denominada Retrospecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Em viagem:&lt;br /&gt;                        Pinheiros. Pinheiros. Pinheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            E o fecho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                   (...)&lt;br /&gt;                        Que faço do meu celeiro:&lt;br /&gt;                        Pinheiros. Pinheiros. Pinheiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Reconhecem o despojamento, a concisão, sua possível origem?&lt;br /&gt;            Poemas ao Portador situava-se, como influência, a meio caminho, “Confluência”, sugeriu Quintana em poema, para substituir aquela palavra, entre Quintana e Drummond, mas que meio de caminho feliz, é o que não se pode deixar de anotar, ainda hoje. No meio do caminho entre dois grandes poetas, havia o livro de estréia de outro grande poeta. Não pretendo me esquecer disso...&lt;br /&gt;            E, como a poesia é profundamente o reflexo da pessoa, devo reconhecer que estou preterindo outros aspectos da poesia de Starosta que vinham de sua eloquência e afabilidade que eram o exato oposto da timidez de Drummond, com quem privei como colega de trabalho, mesas uma ao lado da outra, em breve período de tempo no Rio. Ele cumprimentava educadamente, e era tudo. Eu me calava intimidado, por minha vez, diante da mera hipótese de conversar com alguém que significava, para o período contemporâneo, em poesia, porte como o de Cruz e Souza para a era simbolista.    &lt;br /&gt;            Em tempo, anote, no que diga respeito à participações em antologias, este meu texto sobre Isaac não está completo, bastando pesquisar as obras do autor  listadas em seus próprios livros.  Entre elas se encontrará uma referência a um poema chamado A Garcia Lorca, em 1960, título que comparecerá em seu próximo livro de poemas, O perguntador, 1976, em momento de excelente poesia, digno de qualquer das inúmeras homenagens a Lorca no mundo inteiro, suponho – ninguém jamais conhecerá todas as homenagens a Drummond.  &lt;br /&gt;            A inquietação metafísica, a poesia não menor por definição, era a matéria prima deste volume provocativo desde o título, e do mesmo ano de publicação de seu romance Porto dos Casados.&lt;br /&gt;            Esta é uma fase em que estou menos preocupado em examinar a obra de Isaac, uma vez que se trata do período examinado por Donaldo Schüler em A poesia no Rio Grande do Sul.  Não podemos nos queixar de que Schüler não tenha feito justiça ao nível de Starosta: além das longas citações, é na abordagem da poesia de Starosta que ele retoma o significado original da palavra poesia enquanto herança grega, um conceito extremamente valioso.&lt;br /&gt;            Mas fico à vontade para mencionar seu último livro, claro, uma vez que, submetido para minha apreciação, eu, muito bem impressionado com toda a obra, falei-lhe apenas que achava que o título deveria ser algo que indicasse, quem sabe, o tema mesmo da obra,  amor ao porto. E foi exatamente o título que escolheu.     &lt;br /&gt;Amor ao Porto, 1996, é o primeiro livro no qual comparecer a cidade de Porto Alegre como tema, do início ao fim, e com técnica plenamente poética (Algo como tentara, noutra geração, Athos Damasceno, encantatoriamente, mas sem o êxito estético de Starosta). É obra, novamente, dum despojamento e concisão radicais, e mais uma vez, ou agora mais, eficiência absoluta no dizer.&lt;br /&gt;Considerando-me suspeito por amigo, guardei comigo durante anos esta minha convicção sobre o Drummondismo que é uma das boas qualidades de Starosta. É coisa rara, com este nível tão elevado de fazer poético (conhecedores de poesia saberão que estou em área pleonástica, enquanto história do seu conceito , nas duas últimas palavras fora deste parêntesis).&lt;br /&gt;Lembro ainda que, sob forma variada, existe pelo menos poucos poetas do Rio Grande do Sul em que há quantidades de ecos estéticos, afora temáticos, de Drummond, como Armindo Trevisan, em vários momentos, mas de forma diversa daquela de Isaac, e despreocupado com isto, mais freqüentemente distanciado, como também, ultrapassando uma assimilação por similitude, mas com homenagem, na obra Inventário do canto, de Carlos Saldanha Legendre, de última edição no ano de 2000.   &lt;br /&gt;Seria simples se isso fosse tudo. O mais surpreendente ainda está por mencionar. O professor Donaldo Schüler afirma, em sua obra mais de uma vez aqui citada, afirma, ainda, sobre Starosta:  “As perguntas não se encaminham para um objeto desconhecido, além dos entes, além da linguagem, além de todas as indagações como ocorre nos livros de Heidegger.”&lt;br /&gt;Para quem se surpreenda com o peso desta afirmativa, diante do que significa mencionar Heidegger a propósito de um poeta, resta acrescentar uma informação: Com o passar do tempo, vim a conhecer pessoalmente todos os poetas aqui mencionados, exatamente porque eu apreciava seus poemas, e, como já mencionei, por exemplo, a propósito de Isaac. E, no caso de Isaac, num curso que ambos freqüentamos sobre Heidegger....     &lt;br /&gt;Realmente, o que caracteriza a poesia de Isaac são as questões que coloca em grande quantidade. O resto é silogístico: De questões vive a metafísica, Heidegger é o ápice e a culminância da metafísica ocidental contemporânea, com Heidegger foi comparado de forma única no mais abrangente livro contemporâneo sobre a poesia no Rio Grande do Sul... E sequer na poesia brasileira não conheço outra afirmação de tal forma precisa e importante sobre um poeta.&lt;br /&gt;E, já que estamos falando em metafísica, como o tempo é  a medida das apreciações, no mínimo na história da poesia deste nosso canto no mundo hoje já definido por Moacir Scliar como um importante centro cultural, ele, Isaac, inscreveu sua marca. Mesmo que um dia sejamos apenas lápides tombadas no pampa  raso das coisas infinitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                                                  22 de julho de 2007&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-6484374618462870008?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/6484374618462870008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=6484374618462870008&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/6484374618462870008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/6484374618462870008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/07/isaac-ii.html' title='Isaac II'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-1771016953568543824</id><published>2007-07-02T00:51:00.000-02:00</published><updated>2007-07-02T00:52:14.107-02:00</updated><title type='text'>NOVA TRADUÇÃO BRASILEIRA DA ODISSÉIA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;        &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Alberto Crusius-&lt;/strong&gt; de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Um professor universitário porto-alegrense realizou mais uma tradução da Odisséia do grego para o português em que, segundo a notícia em jornal, em 20 de junho deste 2007, uma das características foi o uso de “expressões coloquiais e termos regionalistas.”&lt;br /&gt;            Entre eles, ainda segundo a notícia, estariam expressões como “Guascaços de água arrombaram as paredes”, e também “forraram a pança.”&lt;br /&gt;            Realmente, em termos de Rio Grande do Sul, ensinava-nos o especialista em folclore Paixão Cortes, há expressões como forraram o poncho, decorrente do hábito de se colocar o poncho sobre o chão no local de corridas de cavalos, as chamadas carreiras de cancha reta, e depois se colocar sobre ele o produto da aposta. &lt;br /&gt;            Que são termos regionalistas legítimos, ninguém questiona.&lt;br /&gt;            O que se questiona é, em primeiro lugar, a originalidade. Uma tradução aqui feita de Guerra e Paz (a sugestão de que o uso do itálico para grafar títulos tenha apenas a palavra inicial com maiúscula é, para mim, inaceitável nesse caso em que as duas palavras devem ter o mesmo peso) já falava em coisas como cavalos tordilhos, e em piquetes de baios.&lt;br /&gt;É muito comum encontrar nos sebos deste sul a edição de 1957, mas ela é uma de várias reimpressões. A primeira edição desta antiga tradução de Guerra e Paz feita por Gustavo Nonnenberg a partir de outra francesa, é de setembro de 1942.&lt;br /&gt;Acrescente-se a informação da própria reportagem de que já existem outras traduções diretas do grego da Odisséia no Brasil.&lt;br /&gt;            Sem questionar, lembramos ainda que o mesmo tradutor atual da Odisséia,  quando traduziu parte de Finnegan´s Wake, usou como título a palavra Panaroma, sem que pelo menos a reportagem de então mencionasse que tal “palavra” já havia sido usada por outros dois tradutores, irmãos, que haviam desbravado inicialmente o caminho em conjunto.&lt;br /&gt;O que se questiona em segundo lugar é o próprio fato. Se a moda pega, um dia vamos ler, nalguma tradução nordestina, Ulisses – ou Odisseu, se preferirem a forma grega – chegando a outras praias a caminho de casa recebendo os nativos saudando desde as ondas, com uma expressão muito grata  para ouvidos que apreciam nossos diversos regionalismos, mas que ficará, convenhamos, deslocada, no contexto, até o cômico:&lt;br /&gt;-         O, xente. &lt;br /&gt;Ficaria também muito curioso se, ao sabor do nosso uso antigo daqui, nos pampas, em contrpartida recebessem Ulisses – ou Odisseu, dependendo da forma do nome escolhida, respondendo:&lt;br /&gt;-         Se chegue, compadre.&lt;br /&gt;Então, que se faça de uma vez um Odisseu regionalista, a exemplo do Fausto gauchesco argentino, de Estanislao del Campo, ou do conto Fidêncio Quixote de nosso Darci Azambuja, ora.&lt;br /&gt;Em tempo: declaro, para os devidos fins, que a expressão “saudando desde as ondas”, acima utilizada, ocorreu-me ao escrever isto. É que, em tempos de tanta liberdade tradutória, eu arresolvi também colaborar no livre-traducionismo criativo, em que se escolhe algo pela sua sonoridade, sem que ele exista, necessariamente, no original. &lt;br /&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-1771016953568543824?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/1771016953568543824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=1771016953568543824&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1771016953568543824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1771016953568543824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/07/nova-traduo-brasileira-da-odissia.html' title='NOVA TRADUÇÃO BRASILEIRA DA ODISSÉIA'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-2606417831237354000</id><published>2007-06-18T10:56:00.000-02:00</published><updated>2007-06-18T10:58:00.514-02:00</updated><title type='text'>PIRATAS, ARGOS E NARCISO</title><content type='html'>&lt;strong&gt;   Alberto Crusius &lt;/strong&gt;- de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alvorecer&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Célere, a galera sulca.&lt;br /&gt;Hierático, o fato: é fenícia. E pirata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Argos, com direito à citação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Esbarra com fragor marítimo de espoucada espuma, no sonoro nome de Argos, a idéia de que seja arbitrário o signo. Era Argos, erga omnes, navio de Jasão e patético, oportuno, cão de Ulisses. Ir e retorno, num só nome, reunidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narciso sem plástica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou meu rosto.&lt;br /&gt;São as rugas o derradeiro rastro&lt;br /&gt;dos passados anos em sulco semeados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lenta é a colheita, macias as sombras&lt;br /&gt;Também sabe a mosto&lt;br /&gt;o suave sol posto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;(Corrigem-se, nestes poemas, erros de publicação na revista Continente Sul, do Instituto Estadual do Livro do RGS, número 9, de 1998, aproveitando para alterações.)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-2606417831237354000?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/2606417831237354000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=2606417831237354000&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2606417831237354000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2606417831237354000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/06/piratas-argos-e-narciso.html' title='PIRATAS, ARGOS E NARCISO'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-6078657156886425443</id><published>2007-06-15T11:58:00.000-02:00</published><updated>2007-06-15T11:59:21.359-02:00</updated><title type='text'>À MEMÓRIA DE ALICE FLACH BOHRER</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Alberto Crusius-&lt;/strong&gt; de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ala&lt;br /&gt;de todos os retratados&lt;br /&gt;pesadamente transformados&lt;br /&gt;na palavra antepassados.&lt;br /&gt;Pupilas em preto e branco&lt;br /&gt;na ala&lt;br /&gt;de todos os retratados&lt;br /&gt;pendentes em parede ampla&lt;br /&gt;de peça  última.&lt;br /&gt;Ala da memória&lt;br /&gt;na sala de olhares fundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços para sempre suspensos&lt;br /&gt;na ala de retratados.&lt;br /&gt;Sombras de sussurros&lt;br /&gt;costurados às cortinas&lt;br /&gt;Na ala de retratados,&lt;br /&gt;fútil lâmina de sol,&lt;br /&gt;sulco de coisa última.&lt;br /&gt;Na sala de olhares úmidos&lt;br /&gt;lábios em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Originalmente publicado na revista Continente Sul/Sur número 9, 1998, com o título Fotos na sala da avó materna. Contém alterações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-6078657156886425443?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/6078657156886425443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=6078657156886425443&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/6078657156886425443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/6078657156886425443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/06/memria-de-alice-flach-bohrer.html' title='À MEMÓRIA DE ALICE FLACH BOHRER'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-3130424834465226940</id><published>2007-06-12T17:56:00.000-02:00</published><updated>2007-06-12T17:57:30.864-02:00</updated><title type='text'>Raul Bopp e a relevância da poesia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E. San Martin&lt;/strong&gt; - de Nova Iorque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com apoio de colaboradores da NOVA KLAXON, um grupo de autores que se dedicam ou se interessam por poesia no Rio Grande do Sul lançou o evento PortoPoesia, onde espera-se que dezenas de poetas leiam ou apresentem seus textos ao vivo, disponham seus livros, etc... (detalhes no Portopoesia.blogspot.com). O evento vai homenagear alguns poetas gaúchos, entre os quais o clássico do modernismo Raul Bopp (1898-1984).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma iniciativa como essa vale, sobretudo, por tornar acessível aos interessados esta produção verbal considerada poesia por alguns e, por outros, uma verborréia narcisista e egocêntrica de pouco ou nenhum interesse lingüístico ou relevância cultural (exceto no sentido antropológico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encontro ou feira PortoPoesia ocorre num momento de grande anemia na cultura literária brasileira. Por mais que os otimistas digam que produção há, mas falta divulgação, investimento editorial – a realidade é que os poucos poetas vivos de valor reconhecido pela técnica e expressividade são antigos, publicados e consagrados quando ainda havia espaço para a cultura literária nos veículos de comunicação social do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta anemia intelectual na nossa era das celebridades sem sentido, por outro lado, integra um processo histórico endêmico desta   “enjeitada na cultura nacional”, a poesia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só para registro, segue uma citação de carta enviada por Raul Bopp de Mombaça a Jorge Amado em julho de 1932, onde o autor justifica sua relutância em publicar ou divulgar seus poemas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“...acho que a época não tá pra versos. Primeiro, pela discordância com o ambiente. Segundo, pela super produção da mercadoria. Terceiro, porque os consumidores preferem aquele lirismo bojudo do poeta Schmidt (Augusto Frederico Schmidt, o poeta da culpa cristã), ou então o verso dengue ‘recamier’ do poeta Paschoal (Paschoal Carlos Magno), o jovem especial para a alta ‘societé’”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A carta ainda ironiza a repercussão  de “Cobra Norato” (publicada em 1931 financiada por amigos). Sobre o descaso geral na acolhida ao poema hoje integrante do “cânon” modernista, Bopp diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No ajuste de contas, extraindo a raiz quadrada de uns elogiozinhos de rua, o livro foi um fracasso. Talvez o recorde do ano. As livrarias venderam um exemplar. Eu só queria saber quem foi esta besta. Talvez, por engano, uma encomenda do Instituto Butantã de São Paulo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-3130424834465226940?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/3130424834465226940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=3130424834465226940&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/3130424834465226940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/3130424834465226940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/06/raul-bopp-e-relevncia-da-poesia.html' title='Raul Bopp e a relevância da poesia'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-863832415576882092</id><published>2007-06-03T13:09:00.000-02:00</published><updated>2007-06-03T13:12:59.414-02:00</updated><title type='text'>REFLEXÕES VI</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- de Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;INVEJA&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo Francisco Alberoni, em Os Invejosos, “a inveja é um mecanismo de defesa que pomos em ação quando nos sentimos diminuídos no confronto com alguém, com o que este alguém possui e com o que conseguiu empreender. É uma tentativa de recuperar a confiança e a auto-estima, desvalorizando o outro.” Segundo o autor, a inveja move o mundo. Ela explicaria a violência, a angústia, a depressão e também a admiração, a ânsia de ter sucesso. “Cada meta auto-imposta e não alcançada traz frustração e, conseqüentemente, raiva da pessoa que a atinge. A inveja é a manifestação inocente e, ao mesmo tempo, socialmente reprovada, da solidão do indivíduo, da perda de um relacionamento autêntico com os outros e com a sociedade.” Um psicanalista afirma que a inveja é uma doença do espírito, do psiquismo: “Ela é a filha frustrada do desejo não-realizado e se manifesta sempre que a pessoa vê outra gozando uma realização que queria que fosse sua.” Inveja: o termo, de origem latina invidia, vem de invedere, isto é, OLHAR COM MAUS OLHOS (propositalmente, com caixa alta). Daí, a inveja ser chamada popularmente de olho grande, olho gordo ou mau-olhado. Portanto, sua função psíquica é indissociável da função do olhar. O antrópologo Levy-Strauss atribui o poder da inveja a um efeito que ele chamou de eficácia simbólica. Esta eficácia simbólica seria o mecanismo psicológico e social responsável pela popularidade dos amuletos, como figas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;AVALIAÇÃO&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jornal Los Angeles Times (que não pode ser considerado extremista), edição de 26 de janeiro de 2005, avalia que antigos filiados do PT, favelados, vítimas da violência, militantes do MST, defensores do meio ambiente estão desencantados e irritados com o desinteresse pelos índios e a autorização para fazendeiros plantarem soja transgênica. “O antigo líder sindical adotou políticas iguais às do governo de centro-direita que o precedeu,” avalia o jornal. Alguém confessa “ter sonhado o sonho errado.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;AVIÕES E FÓRUNS&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O avião do Lula só tem a asa da Direita. Haverá salvação fora do neoliberalismo (de um lado, e de outro a intervenção do Estado para extorquir impiedosamente o cidadão)? A mídia hegemônica diz que não há salvação fora do modelo econômico implementado. E baixam os cacete em quem não pensa como eles, os outro são todos dinossauros, adeptos do fracasso, derrotistas. O mal-estar geral seria uma ficção. Os fóruns sociais (tipo FSM) virariam apenas uma espécie de terapia coletiva da esquerda, para exorcizar os desconforto e as derrotas? Espécie de Meca, como disse alguém, onde se jogam pedras em todos os demônios do capitalismo. Nesses fóruns (não o de Davos) haveria só falação e mais falação, tentando anestesiar a agonia generalizada? Ou é mais que isso?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;INÉRCIA&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Governo tenta camuflar sua inércia pelo espírito marqueteiro, com reportagens oficiais divulgadas pela mídia, impressa (em forte crise financeira, precisa de dinheiro) ou televisiva. Então, as “ações” do Governo são elogiadas. No fundo é isso, sempre isso: poder e dinheiro. É possível maquiar a ineficiência durante um tempo, um tempão. Mas uma dia essa estratégia de markentig para enganar as consciências, pode virar pó. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-863832415576882092?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/863832415576882092/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=863832415576882092&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/863832415576882092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/863832415576882092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/06/reflexes-vi.html' title='REFLEXÕES VI'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-1594277882724950903</id><published>2007-05-29T18:56:00.000-02:00</published><updated>2007-05-29T18:58:47.970-02:00</updated><title type='text'>JORGE LUIS BORGES VERSUS WALTER SCOTT</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt; Alberto Crusius&lt;/strong&gt; - de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Raramente ouço falar nas Obras completas en colaboración, de Jorge Luis Borges, cujo primeiro volume contém seus textos escritos em parceria com Bioy Casares. O segundo, com variados colaboradores,  trata de Leopoldo Lugones, do Martin Fierro, dos seres imaginários, do Budismo, e de literaturas nacionais: Uma Breve antología anglosajona, com Maria Kodama e, com outros autores, em verdade autoras, o que é o mesmo; de literatura inglesa e de literaturas germânicas medievais.&lt;br /&gt;            No referido segundo tomo das obras completas em colaboração, aquela de autoria partilhada com Maria Esther Vásquez, denominada Introdución a la literatura inglesa, encontro, sobre Walter Scott, a frase em que algum dos autores, ou ambos, afirmam: “Solo podemos mencionar los nombres de SHELLEY (1771-1832), y de SIR WALTER SCOTT (1771-1832)”, que inaugura la novela histórica.”&lt;br /&gt;Para o leitor, é momento de perplexidade. Noutras palavras, as obras de Shelley e de Walter Scott não mereceriam sequer menção?&lt;br /&gt;            Ora, como todos sabem, ou como muitos admitiram, sem Scott não haveria Balzac, e sem este a literatura contemporânea.&lt;br /&gt;            Assim, Jorge Luis Borges almeja, além do título de venerando e venerado narrador, o de crítico capaz de apagar todo um capítulo na ordem seqüencial da história da literatura contemporânea, onipotente como todos os contemporâneos são hoje e foram em nossos vários passados, particularmente escritores, e entre eles especialmente os do gênero da crítica.       &lt;br /&gt;            Não é sequer o mais famoso nem o mais escandaloso insurgir-se contra outro escritor marcante por parte de Borges, posto que existem suas afirmações desdenhosas sobre Dostoievsky, mais especificamente, sobre Os irmãos Karamazov..&lt;br /&gt;            Mas é igualmente chocante porque, sendo Scott o inaugurador da narrativa histórica, como reconhece Borges, e este um autor que usufruiu da narrativa histórica como forma de autoria, não importa com quanta originalidade o faça, há aqui o sabor suspeito do rancor mal-agradecido.&lt;br /&gt;            Até o reconhecimento de Borges poderia ser um equívoco. Já havia narrativa histórica, como demonstra a existência das Mémoirs de Charles de Batz Castelmore, Comte D`Artagnan, que algumas fontes denominam Memórias do Senhor D´Artagnan, Capitão Tenente da Primeira Companhia do Rei, e que seria de 1700 – setenta e um anos antes do próprio nascimento de Scott. A melhor edição completa de uma tradução do ciclo completo dos livros sobre os três mosqueteiros de autoria de Alexande Dumas, de 1920, do Porto, em Portugal, possui dedicatória de Dumas a Sandras, em reconhecimento da criação dos personagens – os quais incluem Milady e o Cardeal – e  o folheto da Editora Abril, que cita o segundo dos títulos acima, menciona Auguste Maquet, um colaborador de Dumas que lhe trouxe o livro, do qual existe uma tradução brasileira de 1955, assinada por Laurita Richards, talvez completa.&lt;br /&gt;            Nem de longe, este humilde navegador de primeiras águas de web que sou pretende sejam tais informações de grande alcance, e nem tenta acrescer nada a respeito do que acima consta.&lt;br /&gt;            O tema de momento é Scott, que o folheto acima referido menciona ter sido o modelo de Dumas como modalidade de autoria, digamos, assim como o livro de Sandras sugeriu-lhe o tema.&lt;br /&gt;            Se por modalidade de autoria se entender qualidade estética – e não vejo outro entendimento possível – foi Scott o criador da qualidade na novela histórica, e como a qualidade é algo que se constata nas obras, e não na personalidade ou nos temas escolhidos, a afirmativa de Borges e sua colega de autoria é um estrondoso fiasco, se não pelo menos um perfeito equívoco, e não o único (1). &lt;br /&gt;Que Scott era um estilista de primeira linha é indiscutível.&lt;br /&gt;Basta abrir seu Rob Roy, que nosso naturalizado Otto Maria Carpeaux considerava, na única História da literatura ocidental escrita no Brasil,  como sua obra-prima, e ler aqui e ali para o perceber.&lt;br /&gt;Que seja possível  ler aqui e ali para fazer tal constatação é o óbvio. As partes revelam o todo, mesmo quando considerado sem a leitura final, e não vou discutir o fato de que se possa constar algo num livro sem o ter lido porque isto é matéria morta, depois de Borges ter se manifestado sobre Crime e castigo declaradamente sem o ter lido, ou da genial ironia de Fausto Cunha que em algum momento escreveu uma frase que é uma obra-prima de franqueza, para acrescer algo alguma informação: “No título de uma obra que não li...” &lt;br /&gt;Nem de longe pretendo que Scott seja um destes autores que deva ser lido apenas por seu estilo. Buffon, é, afinal, um nome já esquecido porque sua mais famosa tese prescreveu, ou morreu de velha, se quiserem: “O estilo é o homem.”&lt;br /&gt;E olha que Sir Walter tinha, particularmente aqui, uma prosa plenamente à altura dos tempos de origem sobre os quais escreve, e do que Borges menciona na mesma introdução à literatura inglesa: a de que nas origens de cada literatura, poesia e prosa eram o mesmo.&lt;br /&gt;Claro, isso pode não ser tudo. &lt;br /&gt;Não quando sabemos todos nós, os pós-existencialistas, que o todo é o que importa, e que o todo está mais além do estilo, lá onde se pode saudar respeitosamente uma Carolina Maria de Jesus como uma grande dama que, tivesse sua obra Quarto de despejo sido considerada com mais atenção, não teríamos as tragédias diárias daquele Rio de Janeiro destes dias em que escrevo isto.&lt;br /&gt;Aqui também há algo mais a dizer de Scott. Nascido antes da constituição americana, da revolução francesa, ao tempo da tradução de Pierre Le Tourneur da obra de Shakespeare para o francês, e falecido antes da obra de Tolstoi, porque antes de que Tolstoi tivesse atingido os cinco anos, Scott será um contemporâneo destas grandes transformações sociais e estéticas, o primeiro grande escritor a vislumbrar tais transformações como parte da matéria-prima da ficção porque transformam o enredo das vidas.&lt;br /&gt;Mais ainda, em Scott há uma consciência do que seja a história,  a partir do que nela tem consistência, o passado. A importância disto reside inclusive em que o futuro nos é vedado, como reconhece o próprio Borges, e como o reconhece com insistência, aliás, em suas conferências de 1967 que se tornaram obra tão tardiamente publicada, Esse Ofício do Verso (This Craft of Verse, Harvard University Press, 2000). &lt;br /&gt;Assim, se o romantismo se inicia com o reconhecimento de Goethe diante do notável poeta escocês James Macpherson (1736 – 1796), e da inclusão de textos de seu fictício Ossian  que todos ainda líamos com fascínio, inclusos em seu Werther – não me cobrem todo seu longo título – o mundo literário contemporâneo se inicia com Scott, e não quando ele por sua vez traduz versos de Goethe, mas quando reconhece seu país como algo insubstituível, por uma razão comum ao homem contemporâneo: Aquilo que Carpeaux reconhece em Scott como sendo sua principal virtude, um intenso sentimento humano. É algo que em nosso Drummond de Andrade será chamado o sentimento do mundo, certamente não tão próximo ao que Unamuno chamaria Del sentimento trágico de la vida, e mais próximo a algo como um sentimento mágico, e do qual emana o que na América latina chamamos realismo mágico – em Scott algo que acredito perceber como indiscutível. Os temas de Scott não são apenas intenso sentimento humano e pátria, mas a necessidade de que uma pátria seja algo que percebe o mundo como algo a que deve estar integrado.&lt;br /&gt;Logo, a batalha de Borges contra Scott estava perdida desde o início, e ele poderia ter se apercebido disso, curiosamente, se fizesse um pouquinho mais do que tanto fez na vida: leitura, aquilo que nunca se faz em quantidade suficiente.&lt;br /&gt;Explico-me: Borges reverenciava Stevenson. E hoje que Borges já partiu, podemos ler ao final da eficiente nota introdutória de uma edição contemporânea de Rob Roy, em 1995, da Penguin Popular Classics a seguinte frase de Stevenson: Quando penso em Rob Roy fico impaciente com todas os outros romances, eles parecem apenas sombras e impostores; eles não podem satisfazer o apetite que este despertou  (“When I think of Rob Roy I am impatient with all other novels, they seem but shadows and imposters; they cannot satisfy the apetite wich this awakened.”).&lt;br /&gt;Parece-me, portanto, perfeitamente cabível também o meu sentimento humano de estar escrevendo sobre Rob Roy ainda enquanto o estou lendo, naquela um tanto miúda letra da edição popular da Penguin.   &lt;br /&gt;Ela responde parte da pergunta famosa que até o escondido escritor que sou já teve de responder (“O que é que você está lendo?”), e que sempre me dá vontade de responder com uma série de outras perguntas: Em que gênero? Em que língua? Com ou sem interrupção – e curta ou prolongada a interrupção? Profissionalmente, por lazer, por satisfação cultural ou por mero prazer?&lt;br /&gt;            E, sendo em inglês, em letra miúda, e com quinhentas páginas o meu Rob Roy, ele poderá me ocupar pelo menos todo este inverno, longo como todos sempre pareceram, mas agradavelmente longo como nem tantos foram. Para os estatísticos, pelo menos significa daí para mais, e que eu aqui já coloco como sendo daí para fora – eu não me arrependeria de ler Rob Roy pelo resto da vida.&lt;br /&gt;            Em tempo, e fica para outra vez, também insurjo-me, é claro, contra a outra hipótese absurda levantada por Borges, sobre Shelley, a hipótese de que dele restasse também apenas o nome. Fica para a próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;(1). Certa vez recebi de minha prima Maria Lívia Meyer um exemplar da Antologia personal, de  Borges, com a citação que o mesmo faz de Paul Valéry, no prólogo, com a palavra puissance alterada a caneta para jouissance, sem a menor cerimônia. Diante de meu escandalizado telefonema interurbano, ela respondeu simplesmente: “Borges errou”. Tudo bem. Errar é o que nos torna não-deuses, e portanto humanos. Mas há erros que gritam, mesmo no repousante silêncio do texto impresso dum livro. E diante do erro, importa é a reparação. Mesmo quando parte, diante do silêncio oficial, daqueles que são apenas aplicados leitores.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-1594277882724950903?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/1594277882724950903/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=1594277882724950903&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1594277882724950903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1594277882724950903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/jorge-luis-borges-versus-walter-scott.html' title='JORGE LUIS BORGES VERSUS WALTER SCOTT'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-1713740068867204039</id><published>2007-05-26T22:34:00.001-02:00</published><updated>2007-05-26T22:34:48.864-02:00</updated><title type='text'>Porto Alegre vai parar!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt;- Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai parar de ignorar a poesia que vai invadir as ruas, os becos escuros e sem saída de uma cidade pequena que se pretende grande. Vem aí o Porto Poesia, ancorando nessa cidade que também se pretende alegre e esquece que a poesia é a verdadeira fonte da alegria.Vem aí o Porto Poesia trazendo no bojo a revolução da poesia que acontece em bares nunca dantes navegados, em saraus feitos a dez graus abaixo de zero por poetas loucos, roucos, insones, insanos que gostam de uma arte que ninguém compra e ninguém vende.Vem aí o Porto Poesia que vem para aquecer,desafogar Porto Alegre, desatolar Porto Alegre do seu bem comportado marasmo cultural e, de contrabando,escondido no porão dessa nau capitânia, vem junto a primavera, aquela prima distante de todos os poetas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-1713740068867204039?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/1713740068867204039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=1713740068867204039&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1713740068867204039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/1713740068867204039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/porto-alegre-vai-parar.html' title='Porto Alegre vai parar!'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-7288876211605064060</id><published>2007-05-24T10:19:00.000-02:00</published><updated>2007-05-24T10:21:06.352-02:00</updated><title type='text'>HERCULANO FARIAS POR AÍ NO MUNDO</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;       &lt;strong&gt;     Alberto Crusius&lt;/strong&gt;- de Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Durante muito tempo, foi o primeiro mandamento do leitor que se preza: Não lerás orelhas de livro. E, como qualquer mandamento, largamente descumprido. Mais ainda hoje em dia, quando, freqüentemente, ali constam verdadeiras apreciações literárias sumuladas.  &lt;br /&gt;            Porém, quando recebi, em 1997, as 13 narrativas, de Herculano Farias com dedicatória, nem pensei em prestar atenção à orelha, uma vez que já conhecia seu livro de estréia, Força bruta, editora  Movimento, 1979, em que ainda assinava Herculano Farias Júnior, e também Sagrada família, editora Lavras, 1985, no qual a violência sexual incestuosa nas condições desumanas da miséria na qual vivia parcela do povo brasileiro então como agora, assomava como forte denúncia.&lt;br /&gt;            Sendo uma seleção, 13 narrativas supriria, pelo menos em parte, suponho, meu desconhecimento de O tambor, editora Thesaurus, 1992, como o anterior editado em Brasília – a edição do primeiro fora em Santa Catarina.&lt;br /&gt;            Mas a leitura das 13 narrativas, uma antologia da obra de Herculano numa apresentação gráfica de memorável beleza e qualidade, levou-me muito mais longe do que pensava.&lt;br /&gt;            Havia pelo menos duas obras primas no livro de 68 páginas, O tambor, conto que a abria, e Por aí, no mundo. &lt;br /&gt;            Falei para muitos amigos meus a respeito do livro, e de meu entusiasmo por ele, mas foi numa releitura, em que, já curioso pelo livro como um todo, e portanto também como objeto, que percebi, na orelha, elogio de Fausto Cunha justamente a estes dois contos.  Fausto Cunha foi incisivo: “Admito a segurança de sua linguagem, a perfeição de um texto como Por aí, no mundo, o velho em O tambor, a noção dos detalhes, a frase fincada no verbo concreto, quase sem adjetivos.”&lt;br /&gt;            Ou, como afirma Emanuel Medeiros Vieira também ali, Herculano Farias tem “espantosa obsessão pelo descarnamento, pela secura, pela palavra essencial.”&lt;br /&gt;            Herculano, suponho – não o conheço – como Emanuel, ou como o gaúcho Lourenço Cazarré, faz parte do grande e meritório grupo de escritores brasileiros que, em algum momento de sua vida se deslocaram para Brasília por razões profissionais, onde fervilha uma inquietação intelectual que parece confirmar a vocação política da literatura brasileira, e que tem na preocupação social e política uma característica de escola, e principalmente de escol.&lt;br /&gt;            Brasília pôde contar inclusive com o poeta Domingos Carvalho da Silva, que Fernando Ferreira de Loanda incluiu naquelas duas antologias que talvez sejam as mais famosas e meritórias de poesia da fase recente do Brasil, e conta, desde longe, com o jornal literário da União Brasileira de Escritores, num país em que esse tipo de iniciativa desapareceu, e quando existe é esporádica, e com qualidade também desaparecida.   &lt;br /&gt;            Assinale-se, ainda, que, ao falar na perfeição de um texto como Por aí, no mundo, o admirável Fausto Cunha estava absolutamente despreocupado com uma espécie de acumulação da palavra “se” lá para a parte final do conto. Eu também estava, e ainda estou. É o começo do final da mesquinharia crítica, da rabugice do policiamento palavra-por-palavra, o início da consideração ao que dá a uma obra sua condição mesma de obra: o todo.&lt;br /&gt;            É também o começo da consagração de um autor, aquele em que o todo, a existência de um conceito filosófico primordial da obra, se impõe por sua estética competente no narrar fenomenologicamente. E, como sempre quando não há tese anterior ao texto, e sim despertada por ele, uma fascinante matéria-prima para teses, paradoxo e fascínio ao qual vou resistir optando pela brevidade do texto para meramente noticiar, apontar e sugerir.      &lt;br /&gt;               Por aí, no mundo, com seu bar no meio do descampado, gerido por um casal de velhos que acha até curioso aparecer um freguês, pela rudeza de seus personagens, por sua vez rude e descarnadamente narrada, é um dos meus contos de favorita leitura, por tudo que nele consta, desde o incomum e belo título do bar, repito, incomum, inclusive como tema. Ele torna o conto uma das raras peças contemporâneas que escapa ao Mal estar na cultura a que se refere uma das derradeiras obras de Freud, que é ainda um dos mais famosos enfoques contemporâneos sobre a cultura. &lt;br /&gt;            Acrescente-se que Herculano Farias recebeu  prêmios literários entre os quais menciona-se,  nas 13 narrativas o Prêmio Otávio de Faria e Prêmio Graciliano Ramos, ambos da União Brasileira de Escritores – mais  uma vez percepção a ser feita da movimentação literária em Brasília – e o Prêmio Othon Deça da academia catarinense de letras, além da participação em várias antologias catarinenses, todas elas conhecidas e respeitadas inclusive fora de Santa Catarina: Panorama do Conto Catarinense, Assim Escrevem os Catarinenses, Esse Mar Catarina, Esse Amor Catarina, e de uma Antologia Nacional de Contos, editada em Minas Gerais.     &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-7288876211605064060?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/7288876211605064060/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=7288876211605064060&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/7288876211605064060'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/7288876211605064060'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/herculano-farias-por-no-mundo.html' title='HERCULANO FARIAS POR AÍ NO MUNDO'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-3233380725886175297</id><published>2007-05-20T13:15:00.000-02:00</published><updated>2007-05-20T13:17:18.717-02:00</updated><title type='text'>CELEBRIDADE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- de Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt; O desejo intenso de obter sucesso na sociedade globalizada é um tema do qual não consigo me afastar. Alain de Botton, que escreveu, entre outras obras, As consolações da filosofia, busca a popularização da mesma. No fundo, pretende oferecer aos leitores “ferramentas para lidar de forma mais consciente com os problemas cotidianos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Seguiria, na visão de um analista, o conselho milenar de Epicuro, segundo o qual, qualquer argumentação filosófica que não tenha como preocupação fundamental “abordar terapeuticamente o sofrimento humano é inútil.” Para que serve a filosofia? Tiraram a matéria do Segundo Grau. A ignorância escolar, que já era enorme, cresceu mais ainda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas esse é outro assunto. Fugi do tema da busca da fama, a “obsessão” do homem de hoje pela ascensão social a qualquer preço, já abordado neste livro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Luciano Trigo detecta que o diagnóstico de Botton é simples: a sociedade nos trata conforme o nosso status. “Até a imagem que construímos de nós mesmos depende dos sinais de respeito do mundo: nosso ego é como um balão que precisa de aprovação externa para continuar inflado e, é vulnerável aos menores sinais de negligência”, interpreta Trigo, que analisa mais: “Além da estrutura meritocrática da sociedade, Botton aponta mais quatro causas para o desejo de subir, a qualquer preço, na hierarquia social: a falta de amor, o esnobismo dos outros, as expectativas demasiado elevadas que temos e a dependência de fatores externos para a conquista do sucesso profissional.”&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Então, “a ânsia por status está hoje pior do que nunca, porque as possibilidades de sucesso parecem cada vez maiores”. Assim, escreve o autor: “Estamos rodeados de histórias de quem venceu. Mas é claro que é altamente improvável que possamos chegar ao topo. É tão difícil ser um Bill Gates hoje, quanto era ser um rei no século XVII.” Arremata: “Mas, infelizmente, somos levados a crer na ilusão de que isso é possível. E, dependendo da revista que se leia, pode até aparecer um absurdo não se chegar lá.” &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quase todos ficam à margem, e a “celebridade” dura cada vez menos; até abaixo dos famosos quinze minutos de fama. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-3233380725886175297?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/3233380725886175297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=3233380725886175297&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/3233380725886175297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/3233380725886175297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/celebridade.html' title='CELEBRIDADE'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-3187640619627044961</id><published>2007-05-15T12:50:00.000-02:00</published><updated>2007-05-15T18:06:46.839-02:00</updated><title type='text'>O Haiti é aqui</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; - Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Esse país não precisa de heróis, precisa de homens de verdade&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A canção Caetano Veloso e Gilberto Gil é uma acerto inegável sobre esse país.Ela se justifica plenamente.Completamente.&lt;br /&gt;No dia 7 de maio 2007) a RBS (Rede Brasil Sul, a principal rede de comunicações do Rio Grande do Sul) exibiu uma reportagem feita no Haiti pela repórter Rejane Schultz onde ela mostra os brilhantes resultados obtidos pelo exército brasileiro no Haiti na sua missão de paz junto aquele país.&lt;br /&gt;Na reportagem, ela diz que é agora é possível caminhar pelas ruas de Port Príncipe com tranqüilidade e exibe alguns rostos riscados um painel como sendo os dos marginais que atormentavam as populações indefesas que hoje dançam nas ruas com algumas bandeiras brasileiras.Surge também no meio da reportagem um jovem general brasileiro, muito simpático, dizendo que está lá apenas cumprindo a sua missão e que o exército brasileiro quando não está combatendo, está auxiliando a população do Haiti.&lt;br /&gt;Fui ao delírio!&lt;br /&gt;Ao ver uma reportagem assim, a minha antiga profissão de repórter (de repórter policial) baixa como um espírito maligno e começa a querer melhorar a reportagem. E, na verdade, como a profissão de repórter é uma função onde existem mais perguntas que respostas, surge a primeira questão: Porque uma tv do extremo sul do país vai ao Haiti fazer uma reportagem sobre aquele país?&lt;br /&gt;É incomum.&lt;br /&gt;Raramente, pra não dizer nunca,eles fazem reportagens internacionais.&lt;br /&gt;Talvez porque o general que dirige as tropas brasileiras seja oriundo do Rio Grande do Sul, pode ser uma resposta.&lt;br /&gt;Afinal, do Rio Grande do Sul teve por hábito, alguns anos atrás, fornecer generais para governar esse país, bem como civis. E, essa rede de tv não faz reportagem gratuita.Tudo nela é pago, hoje ou amanhã.Seguem a filosofia de que não existe almoço grátis.&lt;br /&gt;Mas isso é apenas uma ilação, sugiro apenas aos leitores que procurem saber e guardar o nome do general, pode ser importante no futuro, o anterior que estava lá, morreu, suicidou-se, parece, em situação muito estranha. Mas quem quer saber a verdade sobre um assunto como esse? Só os arapongas desses departamentos secretos das organizações militares, o respeitável público está se lixando para isso. E os repórteres que passaram por lá, depois disso, não mencionam o fato.&lt;br /&gt;Outra questão: Missão de Paz não é um eufemismo?é uma expressão forçada, pois para conseguir essa paz é necessário guerrear, Missão de Guerra seria mais adequado.&lt;br /&gt;Agora o Haiti.&lt;br /&gt;É um país tão miserável que povo anda comendo barro, (barro com sal, tortas de barro com sal) isso mesmo, barro, aquele coisa que dizem que todos nós somos feitos, de tão miserável que é.&lt;br /&gt;Um povo pobre, autofágico, que não possui nenhuma riqueza significativa, nada, nem em terras, nem em recursos naturais, nada, vezes nada.Só gente faminta e espoliada, desde que os franceses saíram de lá.A colonização francesa teve essa característica, deixar a terra arrasada atrás de si.&lt;br /&gt;E o Haiti só perpetuou o modelo colonialista extrativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Mas porque o grande irmão iria se incomodar em apaziguar um lugar assim? Onde não existe nada para explorar?O país faz fronteira com a Republica Dominicana que é mais um estado informal norte-americano E, ali, na República Dominicana está tudo tranqüilo, é possível aos norte-americanos, canadenses e os mais ociosos cidadãos do mundo com muitos dólares na conta aproveitarem o sol fazendo turismo, naturismo, ou simplesmente sendo hedonistas.&lt;br /&gt;Pra que se preocupar com o outro lado da fronteira que só tem vodu?&lt;br /&gt;O grande irmão tem mais o que fazer.Tem que cuidar da paz do mundo, tem que cuidar dos interesses do petróleo, tem que cuidar dos interesses das empresas multinacionais sejam quais forem, esses haitianos...isso é uma África, aqui na América Central, nem consumidores são ah! Pega um exército qualquer sobre a bandeira da ONU e bota lá.&lt;br /&gt;Port Príncipe é menor, aliás, o Haiti inteiro é menor que a grande São Paulo.&lt;br /&gt;Agora vem outra questão, levantada recentemente na Tv Cultura quando foi entrevistado o jurista Hélio Bicudo no programa Roda Vida, quem é o comandante em chefe das forças armadas? Não é o presidente da República? A minha nova pergunta, como repórter é: porque ele, o comandante em chefe das forças armadas não desloca esse exército, esse que apaziguou o Haiti, com experiência em conflitos desse tipo( de rua, dentro de cidades) para resolver o problema das grandes e belas cidades brasileiras onde balas rascantes riscam a noite?Precisa pedir licença pra ONU?Sugiro que nós brasileiros façamos um abaixo assinado para a ONU para conseguir trazer essa força de paz apaziguadora aqui para o Brasil, já que não há vontade política de ninguém para fazer isso.&lt;br /&gt;Basta deslocar esse exército, com esse bonito e generoso general que é guerreiro quando é preciso- como ele afirmou na reportagem- para tomar conta, acabar com as balas perdidas que derrubam mais brasileiros num ano que todos os haitianos que morreram desde que os Ton Ton Macoute largaram aquele lugar esquecido por Deus e feio por natureza.&lt;br /&gt;E, agora perco toda a elegância e mando pra longe a reportagem e chamo esse general as falas, armado, assim, no Haiti, até eu cumpadi, quero ver se neguinho é da porrada mesmo e sobe a Rocinha até o topo, a pé, com a mão na cintura fingindo que está segurando um trinta e oito.&lt;br /&gt;Hoje, não amanhã.&lt;br /&gt;Mas eu não devo entender mesmo de geopolítica e muito menos de relações internacionais para considerar o Haiti mais importante que o país em que vivo. E não conseguir entender que varrer o quintal alheio seja mais fácil que varrer o próprio quintal.Triste o país que precisa de heróis, já dizia Bertold Brecht. Esse país não precisa de heróis, precisa de homens de verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-3187640619627044961?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/3187640619627044961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=3187640619627044961&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/3187640619627044961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/3187640619627044961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/o-haiti-aqui.html' title='O Haiti é aqui'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-4871636578957015014</id><published>2007-05-11T11:43:00.000-02:00</published><updated>2007-05-13T20:20:11.546-02:00</updated><title type='text'>ISRAEL: EXÉRCITO OU GOVERNO?</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; - de Brasilia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ANTI-SEMITISMO” OU DEFESA DA AUTO-DETERMINAÇÃO DOS POVOS?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A moça universitária que foi vítima da bala perdida, no final de abril no Rio de Janeiro, na guerra entre traficantes e policiais, procurou atendimento médico por 5 horas. Isso num país de mensaleiros, sanguessugas, de alguns magistrados que não honram a toga, que vendem liminares, de advogados que não cumprem o juramento e fazem a intermediação de sentenças, no vale-tudo geral em que entrou a sociedade brasileira. Mais uma morte que vai para as estatísticas. Até a próxima bala perdida, o próximo velório, a próxima lágrima de um pai, de uma mãe, de um amigo, de um marido ou namorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ISRAEL: EXÉRCITO OU GOVERNO? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em memória de Jarbas Benedet Para Urda Alice Klueger e Fernando Evangelista Vieira&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com o governo de Israel unido à extrema-direita americana, qualquer crítica a violência praticada pelo exército daquele país em relação ao palestinos, é tachada de anti-semitismo. É o argumento mais facilitário, mais gasto, lugar comum cheio de cupins: é arma dos que não têm argumentos. Qualquer crítica a Israel vira anti-semitismo. Não suporto mais essa mistificação, esse engodo, esse desrespeito à nossa inteligência. Sempre tiram da manga. Mas não convencem ninguém: só iludem os fanáticos de sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Israel, no fundo, não parece Estado, mas um Exército. Essa lenga-lenga acusatória vem desde os tempos de faculdade, desde a Guerra de 67. O sionismo não é um humanismo. Em verdade, é uma afronta ao verdadeiro humanismo humanismo judaico. Mas fechar os olhos para as atrocidades desse Exército, como faz a mídia mais parcial, mistificadora, reacionária ao extremo, alinhada aos setores fascistas do governo norte-americano; essa mídia - porta-voz do capital financeiro internacional – fecha os olhos àss piores atrocidades cometidas contra o povo palestino, é de doer na alma, é uma negação do próprio humanismo judaico. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Minha combativa amiga e colega de ofício (a quem dedico estas meditações), Urda Alice Klueger, conhece profundamente o tema – bem mais que este escriba -, e foi vítima de duríssima injustiça por verbalizar o que sentia em suas inesquecíveis crônicas em jornal de nossa querida terra- Santa Catarina. Mas manteve a altivez, a espinha dorsal e não se calou, mesmo às custas da perda de uma coluna em conhecido jornal do Sul do Brasil.) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A maioria fica calada. Tem medo. Sabe onde o Poder está. O verdadeiro: do do dinheiro. Do capital, do mercantilismo. Sabe com quem estão os bancos, as grandes redes de TV, de jornais, de rádios. E onde estão as armas mais mortíferas. Tem consciência da montanha de dólares que o Império manda para Israel. Dizem que é apenas um lugar-comum- mas verdadeiro: Israel não virou um enclave imperialista no Oriente Médio? Não? Onde está dinheiro, onde estão as armas mais poderosas? Nas mãos de quem estão os jornais mais influentes? De quem a chamada opinião pública recebe a chamada informação – diária, intensa, massiva? Manipulada, parcial, reacionária? De quem? Se tentasse dizer o que escrevo aqui, por exemplo, na mídia hegemônica, duvido que os maiores jornais permitiriam. Publicariam? São realmente democratas ou me incluiriam no index dos chamados “anti-semitas”? Creio que gostariam de me enfurnar atrás do muro que o Exército de Israel está está construindo na região. O Muro de Berlim não pode. O de Israel pode. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O Irã não pode enriquecer o urânio. Só Israel pode, e é o Estado militarmente mais poderoso da região e um dos mais fortes do mundo. Suas bombas reduziriam a região e parte do mundo a pó. Quero deixar claro (e não por medo de me chamarem de “anti-semita”, mas de rir -, mas por esclarecimento), que me repugnam igualmente as ditaduras árabes, no geral aliadas dos EUA, corruptas, feudais ou medievais. Como não defendo a corrupção que existente em segmentos da Autoridade Nacional Palestina, enquanto seu povo vive na miséria e sob os tanques de Israel. Para quem vive em Israel, a democracia pode existir. Existe. Mas não para “os outros”. Para os outros povos, não. É a diplomacia do cacete. Defesa prévia? Defesa prévia eterna? Defensor das bombas? Eu? Como seria a favor da destruição da vida? Defendo sim a auto-determinação dos povos. Quando alguém oferece a própria vida é porque não tem mais nada a perder. É porque não tem mais esperança no cumprimento de tratados (como os de Oslo), em negociações, em nada. E são meninos aindas os que não se submetem ao cruel exército de ocupação. O que foi a revolta dos jovens palestinos? A Intifada? Época da pedras contra os tanques. Quem oferece a própria vida, não tem mais nada a perder. Ao governo (“Exército”) de Israel interessa REALMENTE a paz? Israel sempre arruma um pretexto. Sim, pretexto camuflado em retórica vazia. A opção preferencial é pela truculência, pela brutalidade, pelo assassinato em massa. Conversem com jornalistas independentes e imparciais que estiveram por lá, como Fernando Evangelista. Perguntem sobre o tratamento dispensado pelo Exército de Israel a esses profissionais? Estariam repetindo, de certa maneira – a indagação perturba certa parcela da mídia, que logo parte para a agressão verbal - as práticas infames sofridas por seus honrados ascendentes nas mãos dos nazistas? Enquanto não for resolvido conflito no Oriente-Médio e o povo palestino não viver “soberanamente” num Estado realmente seu, sem as botas da ocupação, o banho de sangue continuará. Não tem jeito Um povo que não lute pela sua soberania, um povo que não lute para ter seu “lar” – e um lar que já foi seu- não merecerá ser lembrado com respeito pela História. Palavras anti-semitas? Por favor: arrumem outro argumento. Não subestimem nossa inteligência. E que novamente é preciso repetir: nenhum povo tem o monopólio da dor, do sofrimento, da humilhação. Na Segunda-Guerra mundial TAMBÉM foram mortos, ciganos, comunistas, cristãos e diversos povos. Ou não? O sofrimento só atingiu um povo? A mídia hegemônica quer dizer que sim* *Uma pergunta que não quer calar: A resistência francesa que combateu heroicamente a invasão nazista seria chamada hoje de “terrorista” pela mídia hegemônica? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-4871636578957015014?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/4871636578957015014/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=4871636578957015014&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/4871636578957015014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/4871636578957015014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/israel-exrcito-ou-governo.html' title='ISRAEL: EXÉRCITO OU GOVERNO?'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-756714412354864474</id><published>2007-05-09T18:02:00.000-02:00</published><updated>2007-05-09T21:57:27.894-02:00</updated><title type='text'>Cultura não é entretenimento- ou então vamos criar o ministério do entretenimento</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; - Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou fã de carteirinha de Gilberto Gil há muitos anos, compositor e músico sensível como raros no Brasil, não fiquei admirado com a sua aproximação com o atual governo. Gil sempre foi um artista engajado nas lutas sociais, sofreu com a censura no período da ditadura e mesmo depois continuou atuando politicamente, além de manter a sua carreira de músico e compositor. Atitude incomum nos artistas brasileiros, contemporâneos, que preferem ignorar o seu em torno ou então, mantém atitude de alienação, como se o artista estivesse fora do mundo,quando não têm atitudes meramente reativas ao noticiário da mídia, porque perderam a capacidade de refletir sobre a realidade adjacente.&lt;br /&gt;Não sei se Gil precisou assinar ficha em algum partido para atuar como ministro da cultura, o que não chega a ser relevante. Também não achei inadequada a sua indicação, li várias entrevistas onde ele dizia acreditar ser possível atuar dentro do governo e auxiliar a melhorar a realidade do país.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Houve ocasião em que ele foi vaiado por estudantes insatisfeitos com o seu ministério e do da educação.Pensei que depois disso ele iria se afastar do governo já que como artista popular nunca havia sofrido uma vaia ou condenação do seu trabalho pelo público. A ligação entre política e a arte quando se torna muito presente na obra do artista, acaba prejudicando a arte do mesmo.Fica mais difícil separar os dois, quando o artista põe a sua arte a serviço da política.E, nessas ocasiões, raramente o público separa o artista do político que exerce um papel momentâneo na vida do país.&lt;br /&gt;Minha admiração pelo seu status de político aumentou depois disso, mesmo sabendo que o Estado que ele representa quase nada tem feito de importante para a cultura, é possível contar nos dedos as novidades surgidas nesse governo na área cultural.As leis de incentivo continuam a mesma droga de sempre, a do livro, não afetou em nada o preço final do livro, teatro, música clássica, todas as artes e artistas, todos, invariavelmente, continuam correndo atrás de patrocínio privado, não existe realmente uma política pública real de apoio à cultura nesse país.Não posso condenar o ministro por esse quadro que vem de longa data e não sei mesmo o quanto de novo ele tem feito para modificar essa situação ou apenas segue apagando incêndios.&lt;br /&gt;No dia 8 de maio ele deu uma entrevista ao Observatório da Imprensa sobre as novas políticas para tv e internet.Durante a entrevista mostrou todo o seu entusiasmo com a criação desse novo sistema que começa a ser apoiado pelo atual governo e que pode realmente possibilitar a democratização e a pulverização da cultura no país, através da facilidade do acesso ao uso maciço da tv e internet, se tudo o que se diz sobre o assunto for realmente verdade.&lt;br /&gt;Na longa entrevista que o ministro deu a Alberto Dines, na minha opinião, resvalou em apenas um assunto: Confundiu cultura com entretenimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas essa não é uma confusão só dele, o repórter Dines, mesmo com larga experiência que tem, entrou na do ministro e pareceu acreditar que cultura é sinônimo de entretenimento ou as duas são a mesma coisa.Se alguém tem alguma dúvida sobre isso basta ir atrás do dicionário para conhecer a distância abissal entre as palavras e o significado de cada uma.&lt;br /&gt;A noção que cultura é entretenimento (ou diversão, para usar um sinônimo mais adequado) começa a partir da segunda guerra mundial com o predomínio cultural norte-americano sobre a arte. E nenhum segmento artístico ficou imune a isso e, a televisão brasileira, que era o assunto em debate do ministro com o jornalista, seguindo o mesmo padrão da tv americana tornou-se sinônimo de diversão ou entretenimento.Mas é preciso que alguém diga ao ministro, que também, até onde se sabe, ele não é um ministro do entretenimento e sim da cultura, que a cultura está acima, além e também subjacente ao entretenimento.Você pode ver um programa de televisão na Bósnia, cópia de um programa de televisão americano que, mesmo assim, os bósnios vão se comportar como bósnios e falar como bósnios, ou seja, cultura é o que faz um sujeito ser bósnio ou não bósnio.Entretenimento é o que os bósnios fazem pra se divertir, ocupar seu tempo ocioso como bons bósnios que são.&lt;br /&gt;O entretenimento é um aspecto da cultura e não a cultura em si.Será preciso ser mais específico que isso?&lt;br /&gt;Se a arte, a filosofia ou a educação, por exemplo, fossem feitas apenas para entreter talvez vivemos no melhor dos mundos e a nossa vida fosse um show permanente onde passaríamos cantando e abanando os braços para cima, feito idiotas, ou num filme hollywoodiano onde viveríamos iluminados pelos holofotes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Continuo fã do artista, do ministro nem tanto apesar da confusão sobre esse assunto não ser só dele.Agora, que esse país está precisando muito de cultura isso está.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-756714412354864474?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/756714412354864474/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=756714412354864474&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/756714412354864474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/756714412354864474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/cultura-no-entretenimento-ou-ento-vamos.html' title='Cultura não é entretenimento- ou então vamos criar o ministério do entretenimento'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-2495189753130295043</id><published>2007-05-06T20:36:00.000-02:00</published><updated>2007-05-06T20:38:59.898-02:00</updated><title type='text'>PRAGA DO DIA DAS MÃES</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- de Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É como a chegada do verão, do outono. De cada dia. O mercantilismo não pára. Agora é a praga do "Dia das Mães". (Entendam: a praga não é a mãe. É o mercado do capitalismo tapuia.) Nada que eleve o espírito humano. Nada que dignifique o ser. A impressão é que todas as mães querem um celular. Que todas mães querem "coisas". (Talvez, na internalização desses valores, queiram mesmo.) Muitas são fúteis, tratam melhor seus cachorros que os meninos de rua; pagam pessimamente as domésticas, mas não deixam de lado a jóia e o vestido novo, além da plástica anual. (Não adianta, senhora: ficará velha de qualquer jeito.)E as empresas privadas de telefonia (protegidas por gente graúda do "país cordial"), privilegiadas no reinado de privatização do "príncipe" FHC - o dia em que forem abertos os arquivos das privatizações do reinado tucano será descoberto um dos mais profundos e tenebrosos escândalos de corrupção e favorecimento da República -, onipotentes, cobrando caro, apenas "respeitando" o consumidor em propagandas maciças na TV, se dão bem às custas da ignorância ou da sede de consumo. "Troquem seu celulares e sejam felizes". Ou as duas coisas juntas: infinita ignorância e enorme vontade de consumir. (Tente reclamar de uma conta errada, de algum, engano. Mergulhe no inferno tecnológico. Disque 3. Disque 4. Disque para o inferno. Escute uma musiquinha, a voz mecanizada, plastificadamente erotizada de uma moça terceirizada. A ligação cai. Se conseguir outra, terá que novamente passar todas as informações que já deu, identidade, endereço, CPF, o diabo.)É o inferno refrigerado, de que falava Henry Miller. Tenha o seu carrinho, o seu empreguinho, faça amor 3 vezes por semana com sua mulherzinha. Tudo no diminutivo... Dê-se bem na vida às custas da desgraça de todos os danados do Brasil. E vá levando sua vidinha; veja a novela das 9, o "Jornal Nacional"- espremendo, ele também faz jorrar sangue. Como entende-se a angústia de um Nietszche diante da mediocridade humana! Quem se lembra? Transamazônica (que o mato comeu), Capemi, Proer, Grupo Delfin, Anões do Orçamento, República de Alagoas, sanguessugas, mensaleiros, correios, compra de votos para a reeleição de FHC, o abafamento de CPIs, concessão de canais de rádios e de tevê o perdão de um "impoluto senhor do Pará", hoje deputado federal, pelo governo Lula- cada vez pior, cada vez dizendo mais baboseiras, cada vez mais incompetente e narcísico. E, gravíssimo: a contaminação de parcela de altos escalões do Judiciário nas teias de uma corrupção, que parece cada vez maior. Sim: quem se lembra? Compre uma TV e seja feliz! Não pense! Dê um celular para a sua querida mamãe e faça um mulher feliz! Livro não. A vista da genitora ficará cansada. "Livro é caro": o álibi dos que não suportam ler. (É caro sim, mas não pelas razões dos analfabetos funcionais.) E vá à tripa forra no espeto-corrido do domingo das mães ou no macarronada com a sogra, antes do Faustão. E eleve seu espírito com o grande humanista! Cresça mais um pouco com o "Fantástico". Parabéns.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;AINDA SOBRE DROGAS:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A postura de passar a mão na cabeça de viciados, não é humanista, não ajuda o dependente. É uma maneira de exorcizar culpas: pela ausência, pelo egoísmo, pelo desinteresse real em relação à educação do filho, pela desustruturação familiar, celebrando casamentos às pencas como se o ritual fosse um piquenique. A hegemonia absoluta do meu prazer é sempre a negação do outro. Sim, uma geração foi brutalmente reprimida. Uma outra, pegou o rescaldo. É essa, talvez, a que mais me entristece, que viveu muito tempo num purgatório existencial, sem projeto, impotente, calada, restando o "consolo" das drogas, do vazio e da poesia neo-parnasiana, conretista (essa é o horror dos horrores!), realmente ruim e alienada. Essa geração - que tem hoje, arredondado, uns 50 anos -, pela impotência, me parece mais sofrida que a minha, a que nasceu no final da guerra, em 1945. (Sim, viveu na clandestinidade, foi torturada, foi para o exílio, mas - para o bem ou para o mal - tinha um projeto para o Brasil.) "Mas perderam", dirão. Sim. Perdemos. Mas isso faz parte da vida. A anterior à nossa, gerou epígonos do concretismo, professores universitários medíocres mas presunçosos, e uma gigantesca massa de vis imitadores de Guimarães Rosa ou adeptos de um psicologismo que pensam ser herança de Clarice Lispector. Ah, existem também os imitadores de Osman Lins e João Cabral. Pobre Clarice, tão maior que essa gente presunçosa e, literariamente, tão ruim. (Uma das experiências mais dolorosas é ler um imitador de Guimarães Rosa. Talvez seja pior que ler uma tese de mestrado...) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Voltemos ao pai que foi reprimido e quer "compensar" o filho: crê que exorcizará a dura educação que recebeu, fazendo tudo o que o filho quer ou "manda". Dá presentes, faz agrados, aumenta a mesada, é pai complacente, idiotizado, sem autoridade. Ou tem medo do filhote. (Sim, autoridade. Não falo de autoritarismo, não estou falado de Médici.) O que este perdido pai está deixando? Uma geração desfibrada, covarde, "corajosa" só em gangues ou grupos; o guri crê que é muito "macho" se beijar 100 mulheres numa festa. (Não sabe que quem beija 100, não beija nenhuma..) Sim, houve uma ditadura. Mas isso não é alibi para pais,- que fumaram "baseados", acharam que Florianópolis era um paraíso (foi um lugar bom para se viver, mas há muito tempo, antes de ser loteado pelos ricos de todos os lugares, inclusive meus conterrâneos, não só gaúchos e paulistas e a praga dos argentinos - que nunca leram Borges, mas sabem invadir terrenos de vizinhos); e acenderam "incenso", internalizando um misticismo de araque, lendo idiotices de auto-ajuda. De calças ou de saias: estas são supostamente mulheres mais profundas, mas que só escrevem platitudes, lugares-comuns sentimentais, melosos, enriquecendo e dando palestras a peso de ouro às custas da burrice geral brasileira. Posso e devo ser amigo de meu filho. Mas ANTES sou pai. Para agradar, os chamados modernosos, permitem que a filhinha durma em casa com o namoradinho. Tudo no diminutivo. É obrigado a ver o garotão andar de cuecas pela casa, abrir a geladeira, refastelar-se no sofá. E agüentar calado. Sem trazer o chicote... Nada disso. Và à luta, rapaz! Não moraram em repúblicas, ganham mesadas, não fazem um trabalho de voluntariado, têm o seu carrinho e não conseguem tirar uma nota digna na escola. É preciso, tendo consciêntica ética e não sendo um sepulcro-caiado, remar contra a corrente, mesmo recebendo pauladas à direita e à esquerda. É o preço a pagar pela nossa autenticidade. É essa complacência que gera esse conformismo propício à germinação de formas novas de fascismo. A rapaziada vira uma massa amorfa. Podem vestir uma camiseta com a foto do Che, como fosse sinal de inconformismo. Como se o guerrilheiro fosse um moleirão passivo e não renunciasse à vida fácil. Pobre Che, incorporado ao mais sórdido capitalismo. Enternecer-se sem peder a dureza. Nunca. Cada governo tem o povo que merece...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-2495189753130295043?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/2495189753130295043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=2495189753130295043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2495189753130295043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2495189753130295043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/praga-do-dia-das-mes.html' title='PRAGA DO DIA DAS MÃES'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-6076352477094581611</id><published>2007-05-03T20:08:00.000-02:00</published><updated>2007-05-08T13:38:01.326-02:00</updated><title type='text'>Um textinho de Cecília Meireles-e um pouco de tv aberta</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt;- Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Bial em um dos últimos episódios da série BBB7, para criar um clima na despedida de mais um participante, resolveu ler um “textinho de Cecília Meirelles”, os participantes que não tinham a mínima idéia de quem é/ou foi Cecília, ficaram sem entender a razão da leitura do “textinho”, o respeitável público também não entendeu, porque também não conhece uma da maiores poetisas da língua portuguesa e sem exagero da poesia ocidental.&lt;br /&gt;Bial que foi um dos jornalistas importantes desse país, parece que resolveu jogar o seu currículo de grandes reportagens e entrevistas como as realizadas com Darcy Ribeiro, João Cabral de Mello Neto, entre outras, no lixo da comunicação imbecil e rasteira. E tem surtos como esse, onde tenta aparentar algum aspecto de intelectual e acaba atirando na banalidade o nome de Cecília Meireles em um programa realizado para 50 milhões de semi-analfabetos ou analfabetos culturais, com participantes semi-analfabetos apresentado por um jornalista que esqueceu ou nunca teve a noção entre o importante e o fácil.&lt;br /&gt;É fácil enganar um povo como o nosso, carente de tudo.&lt;br /&gt;Basta brincar com a esperança daqueles que nada tem, constranger mulheres de poucos recursos a mostrar seu corpo e o diabo dá risada feliz a cada domingo que os índices de audiência empatam entre as mais importantes emissoras do país.&lt;br /&gt;E, essas emissoras, sem nenhum compromisso com nada a não ser com o seu faturamento, exploram a credulidade, empurram pseudomúsica, pseudocantores, pseudo-atores guela abaixo dessa multidão de miseráveis.&lt;br /&gt;E vamos rir do sujeito que caiu no chão, que caiu do telhado, que caiu, que caiu de algum lugar, que levou uma pancada, tudo narrado por um apresentador mal educado e grosseiro.&lt;br /&gt;Aliás, a grosseria é marca registrada de alguns programas, onde a grosseria intitucionalizada tenta aparentar independência dos valores mínimos de convivência social e respeito físico pela integridade do próximo quando na realidade demonstra é falta de inteligência em fazer algo melhor.&lt;br /&gt;E o resto da programação segue num ritmo de gincana, de todo o tipo, cada uma mais infantil que outra.&lt;br /&gt;Quando não aparece um padre cantor, numa emissora católica, travestido de padre, usando um sobrepeliz vermelho que canta rebolando em cima do altar em meio a uma missa, cantando canções que ofendem a mínima noção do que seja música e letra. E outro, na mesma emissora católica, oferece à venda uma jóia em forma de cruz com terra recolhida em Israel.O clip da busca dessa tal “terra santa” pelo padre nada fica a dever aos clipes mais bregas da MTV, é de arrepiar, chega a ser pornográfico, o padre caminhando descalço, olhando para o infinito, entre as águas do Rio Jordão.Repulsivo.&lt;br /&gt;Enquanto isso, a igreja diz que faz, esse ano, a campanha da fraternidade sobre a Amazônia e essa emissora de tv não realiza um documentário, uma notícia, uma pesquisa sobre a Amazônia e, depois da missa, volta o padre cantor a repetir ladainhas para uma imagem de um santo pregada na parede.E repete suas frases com tanta veêmencia, que só sendo santo pra aguentar um chato daquele tamanho.&lt;br /&gt;Mas, enquanto a tv católica ignora a Amazônia, a outra, para enfeitar a sua grade de programação, gasta alguns milhões para produzir uma série sobre da Amazônia com veleidades sociais, utilizando uma mistura de textos que a autora não credita a ninguém a não ser a sua genialidade. Mas isso é para ser exibido às 23 horas, quase proibido para os menores em inteligência e percepção que podem interpretar mal aquelas questões de conflitos agrários que terminam por glamourizar e mitificar a luta de Chico Mendes e tantos que morreram naqueles conflitos que continuam ocorrendo, tornandos palatáveis e de fácil assimilação, tirando desses conflitos agrários o que tem de importante em troca de uma maquiagem mal feita, mas de aparente bom gosto.&lt;br /&gt;Em nome da audiência criada e forjada pela estrutura dessas programações, há personagens como Jô Soares cujo programa copia os modelos de talk show norte-americanos, e que tem por objetivo de fazer rir permanentemente uma platéia escolhida de estudantes, que autentica a mediocridade das entrevistas. Quando eles riem, a entrevista vai bem, quando eles ficam quietos é hora de chamar as vinhetas e trocar o entrevistado.&lt;br /&gt;Em recente entrevista realizada com o poeta Affonso Romano Santana que divulgava dois livros seus de poesia, na ânsia de agradar o auditório, ele pergunta se o Affonso não conhecia nenhuma quadrinha de banheiro.&lt;br /&gt;Pior que essa, só a tv italiana ou da Libéria, se a Libéria tiver tv aberta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-6076352477094581611?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/6076352477094581611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=6076352477094581611&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/6076352477094581611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/6076352477094581611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/um-textinho-de-ceclia-meireles-e-um.html' title='Um textinho de Cecília Meireles-e um pouco de tv aberta'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-4981088632435184259</id><published>2007-05-01T00:04:00.000-02:00</published><updated>2007-05-01T00:06:44.158-02:00</updated><title type='text'>Primeiro de maio, 2007</title><content type='html'>&lt;strong&gt;                   E. San Martin&lt;/strong&gt; - de Nova York&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é primeiro de maio e queria registrar na NOVAKLAXON o Canto dos Carregadores de piano de Recife. É do final da década de 30 do século passado. Foi recolhido e registrado em disco de acetato por um folclorista histórico: o escritor Mário de Andrade, que muito admiro e repito (e que foi corrigido por algum motivo antropológico ou antropofágico na própria NOVAKLAXON, mesmo sendo predra angular da Revista KLAXON dos modernistas da modernidade antiga. Ele e outros, com sua competência e independência, criaram as bases culturais para que ainda se auspire ou busque a liberdade de pensamento no Brasil, deixando alguma forma de  documentação “do que faz do Brasil, Brasil”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O importante é que hoje é Dia do Trabalhador, em grande parte do mundo. Quem trabalha é que tem razão, no entender de um malandro carioca “pedra 90” ou quilate poético aos poemas de M.A., Wilson Batista, que acrescentou: “Digo sem medo de errar. O bonde de São Januário, leva mais um operário. Sou eu que vou trabalhar”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CANÇÃO DOS CARREGADORES DE PIANO DE RECIFE*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi batida no pau&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi duro p’a ti&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi lá nos pé do cachorro&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi lá nos “tadinho” dos dedo&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi corda queimada&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi chumbo derretido&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tira de lado&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Tira de frente&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Tira de banda&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;Foi duro p’a ti&lt;br /&gt;Assim não foi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Canção de trabalho dos carregadores de piano de Recife, 1938, resgistro de Mário de Andrade, transcrição incompleta e imperfeita, por limitações da fonte de audio, ou deste ouvinte que a copia.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-4981088632435184259?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/4981088632435184259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=4981088632435184259&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/4981088632435184259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/4981088632435184259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/05/primeiro-de-maio-2007.html' title='Primeiro de maio, 2007'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-9021860521345316393</id><published>2007-04-28T21:42:00.000-02:00</published><updated>2007-04-28T21:53:32.423-02:00</updated><title type='text'>Vamos tirar os espinhos dessas periferias – miseráveis, fisicamente e culturalmente</title><content type='html'>&lt;strong&gt;                       Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; -Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Emanuel tocou em seu último post num assunto espinhoso, a droga.&lt;br /&gt;Como havia terminado recentemente a leitura do livro Abusado&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=38040685#_edn1" name="_ednref1"&gt;[i]&lt;/a&gt; do jornalista Caco Barcellos resolvi falar também sobre o assunto.&lt;br /&gt;No livro, Caco realiza uma reportagem investigativa sobre a vida de Juliano VP, codinome de um dos “donos” do morro Santa Marta no Rio de Janeiro entre a década de 80 e os primeiros anos do novo século quando foi morto na prisão de “segurança máxima” Bangu 1, em julho de 2003.&lt;br /&gt;Caco reconstitui a história desde os primeiros habitantes do morro Santa Marta, imigrantes nordestinos que se estabeleceram ali com a ajuda de don Helder Câmara e passa pelos sucessivos “donos” do morro até chegar a Juliano VP que se torna “famoso” quando consegue a presença no morro do cantor Michel Jackson para a realização de seu clipe musical, garantindo também a sua segurança, o que foi considerado uma afronta direta a Secretaria da Segurança do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;O livro é uma reportagem longa sobre o que todos sabemos, que o Brasil vive hoje em duas sociedades distintas com leis e comportamentos completamente diversos.&lt;br /&gt;No Rio de Janeiro 2,5 milhões de pessoas residem nas 400 favelas da cidade.Esses enclaves periféricos nas grandes cidades são resultado de todos os múltiplos desacertos sociais -políticos e econômicos - dos diversos governichos que conduziram esse país nos últimos 50 anos e terminou por fortalecer a criação de sociedades paralelas, estados autocráticos tão fortes que podem enfrentar o chamado Estado de direito ou a sociedade, sem receio, com recursos e armas superiores.&lt;br /&gt;A noção do Estado de direito uma das conquista da democracia, bem como noções básicas de justiça não existe nessas realidades.&lt;br /&gt; A lei e a justiça é executada de acordo com vontade dos donos do morro e seus prepostos, e a ela estão sujeitos e envolvidos todos os que ali residem, homens e mulheres.Numa das batalhas travadas para devolver a liderança do morro para Juliano VP a organização da mesma ficou a cargo de mulheres ligadas a ele que se associaram a um grupo de outra favela que as apoiou com homens e armas.&lt;br /&gt;As estatísticas e notícias a respeito disso são tão comuns que terminam tornando indiferente a sociedade que vive em torno dessa realidade, realidade essa que também é glamourizada pela mídia ávida de lucro atrás de “sucessos” musicais, e de novas “tendências” nessas periferias miseráveis fisicamente e culturalmente. E a mídia, também, apresenta como novidade inserção dos menores de idade no circuito da droga, que só tem a porta de entrada, não a de saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas vamos falar um pouco mais de violência. Um trecho do livro:“Uma implicância sem fundamento ou a necessidade de provar o seu poder de perversidade também eram motivos pra Raimundinho multiplicar os tribunais. Ele chegou a executar uma mulher Irana, de 50 anos, apenas para competir com os carrascos do Cerro Corá, gerenciado pelo amigo Bruxo, que havia matado uma adolescente chamada Choquita. Raimundinho soube que o corpo fora esquartejado em trinta pedaços, postos dentro de uma mala e desovado no meio caminho no meio da floresta, ligação ente o Cerro Corá com o Santa Marta.Dias depois Raimundinho fez a mesma coisa com Irana, que alegou ser informante dos inimigos.Mas para impressionar os amigos do morro vizinho, em vez de trinta, esquartejou em cinqüenta pedaços e mandou jogarem a mala na mesma trilha da floresta”.(pág 220 )&lt;br /&gt;Os exemplos de crueldade se multiplicam, não apenas no livro. Essa crueldade é diária e constante e, é apenas caricatura de uma sociedade cujos únicos valores perenes são o poder do dinheiro e das armas que o garantem.&lt;br /&gt;A droga é elemento secundário em todo esse processo, pode ser qualquer uma, maconha ou cocaína, como era o álcool na década de 30 nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;Segundo o livro de Caco, em setembro 2002 a renda mensal de um desses donos do morro com a droga era de 2 milhões de dólares.É importante notar, também, que os “donos” desses morros estão a serviço de patrões que estão fora dessa periferia.No caso de Juliano VP, ele fazia parte da estrutura do Comando Vermelho.&lt;br /&gt;O Comando Vermelho foi criado em 1979 no presídio Cândido Mendes, na Ilha Grande (RJ) a partir da relação entre presos comuns e militantes da Falange Vermelha que combatiam o regime militar.O Comando surgiu com o lema "Paz, Justiça e Liberdade" e criou o mito das organizações do tráfico do Rio.&lt;br /&gt;De acordo com o ex-secretário de Segurança do Rio, Luiz Eduardo Soares&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn2" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=38040685#_edn2" name="_ednref2"&gt;[ii]&lt;/a&gt; “esses nomes funcionam mais como linhas de demarcação que aproximam e opõem os atores coletivos, do mundo criminal do que como representação de organizações sólidas bem estabelecidas. Quanto valem, de fato, depende do contexto, da circunstância específica, do tema em foco".&lt;br /&gt;Ou seja, não houve nenhuma politização ou conscientização de realidade nenhuma, apenas o fortalecimento desses grupos que já existiam.Se tivesse surgido a menor organização em torno de uma plataforma política dentro desses grupos, eles já teriam sido exterminados e provavelmente as favelas teriam se tornado terra arrasada. O estado policial (não o de direito) costuma se autoproteger muito bem.E não se sente ameaçado com esses tiroteios. Esse estado só sente ameaçado se houver política no meio, como não há, pra que intervir?&lt;br /&gt;É preciso desmistificar e descriminalizar a venda e o uso das drogas.&lt;br /&gt;A nova lei dos tóxicos sancionada em 2006 criando o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas, tem como objetivo “prescrever medidas para prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; estabelecer normas para a repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas.”A principal característica é a descriminalização da posse de droga para consumo pessoal. Outra mudança é o aumento da pena para o tráfico de drogas de 3 a 15 anos para 5 a 15 anos, além de 500 a 1.500 dias-multa.&lt;br /&gt;O uso não é proibido, a venda sim, não é uma maravilha de legislação?O texto diz que são estabelecidas normas “para a repressão à produção não autorizada e ao tráfico ilícito de drogas”, mas existe produção e tráfico autorizado e lícito?&lt;br /&gt;A estrutura da droga é a mesma de qualquer produto dentro do sistema capitalista, transformação, distribuição e venda.É um processo ligado agroindústria e também a indústria química, desde de sua origem até a venda ao varejo.Faz mal a saúde, faz, como o cigarro, como álcool. Compra e usa quem quer.Apesar de ser reconhecido o uso da nicotina nos cigarros nunca ouvi notícia do fechamento de uma única fábrica de cigarros.&lt;br /&gt;O grande exemplo da década de 30 nos Estados Unidos com o álcool também não serviu para os legisladores.&lt;br /&gt;Há alguns outros interesses atrás destas questões, além do lucro brutal. Certa vez escutei de um ministro da República que um dos cartéis da Colômbia aplicava dinheiro no mercado brasileiro com a devida anuência do governo (que ele representava) que buscava avidamente esses dólares.&lt;br /&gt;Como essa revelação já foi há algum tempo e mudaram alguns governos acredito que os que se seguiram estão mais criteriosos com relação aos capitais que atraem para o mercado brasileiro.&lt;br /&gt;Será que não?&lt;br /&gt;De onde saem esses grandes capitais de risco que circulam o mundo atrás de mais lucros?Podemos somar a esses interesses, em não resolver a questão da droga, o comércio de armas, o comércio de segurança pública e privada, o suborno e alguns preconceitos religiosos. Já ouvi argumentos que a droga pode destruir a família. O mesmo argumento era usado contra o divórcio e até hoje contra o aborto.&lt;br /&gt;O livro de Caco Barcelos não traz nenhuma novidade além do já sabido, da interelação de uma classe alta e média permissiva, o sofrimento dos mais pobres e desamparados.&lt;br /&gt;Temos, hoje, cerca de 27% da população economicamente ativa, cerca de 24 milhões de pessoas, jovens, ou desempregados ou subempregados que ajudam a alimentar essa máquina de moer de gente.&lt;br /&gt;Não há vontade política, nem econômica, nem nada, para resolver essa questão.&lt;br /&gt;O exército vai para as ruas pela segunda ou terceira vez, vai resolver? Não. Vai gastar alguns milhões como já gastou nas outras vezes que saiu dos quartéis, conforme relato no livro.&lt;br /&gt;Não há verdadeiro interesse em resolver isso.&lt;br /&gt;Já se disparou mais tiros nessa guerra que em algumas batalhas históricas do Brasil.Segundo dados do livro de Caco um dos hospitais do Rio de Janeiro é uma dos maiores especialistas do mundo em atender gente ferida em tiros de fuzil.&lt;br /&gt;Criar leis mais duras não adianta nada!Passeatas, manifestações, menos ainda.&lt;br /&gt;Se algum desses traficantes tivessem conseguido fazer acordos internacionais como o biografado de Caco Barcelos queria, ou mesmo o tal de Fernandinho a Beira Mar, com as FARC, como eles chegaram a tentar, a situação ia ficar complicada para esses legisladores em causa própria e para um estado- policial, ótimo para cobrar impostos de quem trabalha e produz e não devolver nada a sociedade, quando não ajuda a engordar essas quadrilhas apoiando a impunidade com o amparo da lei e tirando proveito do status e foro privilegiado.&lt;br /&gt;A única saída para toda essa questão é a legalização da compra venda e uso da droga e deixar de hipocrisia.&lt;br /&gt;O Estado e o cidadão só têm a ganhar com isso, o Estado ganha mais uma fonte de renda para tapar seus eternos buracos de caixa e o cidadão, sossego para caminhar nas ruas das grandes cidades brasileiras.O resto é bobagem eletiva ou assunto para os pregadores atrás de ovelhas para pastorear. Conversa fiada&lt;span style="font-size:85%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn1" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=38040685#_ednref1" name="_edn1"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;[i]&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt; ABUSADO-Caco Barcellos-Ed. Record-564 pg - R$ R$ 55,00&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a title="" style="mso-endnote-id: edn2" href="http://www2.blogger.com/post-create.g?blogID=38040685#_ednref2" name="_edn2"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;[ii]&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt; Folha On Line-15-04-2004 Segurança&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-9021860521345316393?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/9021860521345316393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=9021860521345316393&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/9021860521345316393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/9021860521345316393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/04/vamos-tirar-os-espinhos-dessas.html' title='Vamos tirar os espinhos dessas periferias – miseráveis, fisicamente e culturalmente'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-7024077653211298861</id><published>2007-04-26T16:50:00.000-02:00</published><updated>2007-04-26T16:52:51.955-02:00</updated><title type='text'>TOCANDO EM FERIDAS Consumo de drogas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; - Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém sobe o morro no sábado. Compra drogas. Vai se divertir.Ou "pensa que vai se divertir." Encara traficantes armados. Sabe que os "barões" estão no asfalto, na Avenida Vieira Souto, em coberturas bem protegidos. (A degenerescência brasileira contaminou todos os poderes). Bicheiros, donos de escolas de samba, o Judiciário com venda de liminares, advogados intermediando sentenças. Nem falamos do Executivo e do Legislativo, mas a "caixa preta" da Justiça - tarda, não-cega para os poderosos e falha - era mais difícil de abrir. Está sendo desvendada? Só futuro dirá. Interesses maiores se levantam.&lt;br /&gt; Mas é um profundo deboche, mais uma bofetada no rosto resignado do povo brasileiro.&lt;br /&gt;Voltemos ao início. O bom sujeito de classe média subiu ao morro. Comprou drogas. Vai se esbaldar, dançar, varar a madrugada. No domingo, usará uma camiseta pela paz. Contra a violência. Numa manifestação, dará as mãos para outros companheiros (alguns que estiveram com ele no morro na noite anterior). Ajudará a soltar pombas pela paz. Ele pensará no que fez? Creio que serei acusado de "moralista". Disseram num debate que eu tentava culpabilizar o usuário. É o discurso do senhor Gabeira, mantendo seus votos, exacerbando sua espantosa vaidade. É um direito. O que digo, dando a cara ao tapa? Quem assim age, alimenta a indústria da morte, do horror, da banalização da vida, do sofrimento terrível das famílias. E, depois, fica espantado porque a violência assumiu proporções catastróficas. De sua parte, mesmo com a mais modesta maconha, ele está contribuindo para essa indústria. "Não, eu fico quieto no meu canto, fico sereno." Não. Não fica. Alimenta a indústria de armas, dos "aviões", dos jovens mortos dos 12 aos 24 anos, sem estudo, sem futuro. A morte na rua, a existência sem qualquer esperança. "O que tenho com isso?" Tem sim. Usuário é para ser tratado. Traficante é para estar na cadeia, não usando celular, não aterrorizando a população de dentro dos presídios. O discurso facilitário dos falsos direitos humanos é uma balela. Vamos tocar o dedo na ferida. O usuário - que precisa ser tratado e recuperado- faz a roda da corrupção policial girar mais. Não adianta botar camiseta pela paz, se indignar, soltar pombas brancas, dar as mãos aos companheiros. Camiseta, pombas, passetas, faixas, lágrimas, sempre a mesma coisa.E a mudança na "práxis"? A mudança de vida? Não, não poupo o álcool que gera mortos em todos os finais de semana, enquanto a mídia faz publicidade intensa de bebidas alcóolicas, com mulheres gostosas e bundudas, rapazes bonitos, todos sorridentes. Atores famosos que ganham rios de dinheiro não precisam estimular a indústria da morte. É que eles fingem não conhecer clínicas de drogados. Depois, as grandes redes de TV se espantam com a morte de moços de 19 anos, dirigindo embriagados depois de festas e baladas.&lt;br /&gt;Até a Rússia - do "homem dos olhos maus", herdeiro da KBG, o autoritário senhor Putin - proibiu propaganda de bebida alcóolica antes das 9 da noite. Pois o alcoolismo por lá se encontra em dimensões alarmantes. Aqui: tudo é permitido. O lobby da cerveja é maior. É fortíssimo, quase onipotente. A vida que se dane. Podemos pensar nisso? Não aprofundei? Não. Queria apenas refletir.Só peço isso: que meditem comigo. No fundo, queria fazer um hino em favor da esperança, da vida, tão destruída a cada dia, nas nossas cidades violentas, nas periferias favelizadas. É o reino e a hegemonia do capital, do mercantilismo, do dinheiro. É o hiperindividualismo.&lt;br /&gt; É essa chaga do capitalismo que temos que enfrentar: vender e matar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-7024077653211298861?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/7024077653211298861/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=7024077653211298861&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/7024077653211298861'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/7024077653211298861'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/04/tocando-em-feridas-consumo-de-drogas.html' title='TOCANDO EM FERIDAS Consumo de drogas'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-7194622399486687634</id><published>2007-04-23T13:55:00.000-02:00</published><updated>2007-04-23T14:14:23.913-02:00</updated><title type='text'>ERA FHC</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; -Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para &lt;em&gt;Antonio Albino Pinheiro Marinho&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estimado Cacau Saudações..Brasília, 16 de agosto de 2002&lt;br /&gt;Acho que somos também a voz dos que não têm voz: sem nenhuma paranóia, creio que a mídia em geral está revelando preferência clara pela candidatura governista de José Serra e demonizando a de Ciro Gomes. Elaborei, sem rigorosa pretensão analítica ou de esgotar a abordagem do período, uma espécie de inventário da “Era FHC” Fernando Henrique Cardoso sempre qualificou seus críticos de “dinossauros”, “neobobos”, “caipiras”, porque os mesmos condenavam o desatino das privatizações sem critério e criticavam a política econômica.&lt;br /&gt;Éramos ridicularizados. Diziam que queríamos um Estado forte.&lt;br /&gt;Certos “formadores” de opinião na grande imprensa seguiam a ladainha do “Patriarca da Dependência”.&lt;br /&gt;Muitos os que hoje criticam o modelo participavam, felizes, dos leilões de privatização.&lt;br /&gt;Como observou Mauro Santayana, empresas construídas com o sacrifício de várias gerações de brasileiros- como é o caso exemplar da Vale do Rio Doce foram praticamente doadas aos aventureiros nacionais e estrangeiros. Alguém qualificou o empréstimo obtido do FMI de “uma prescrição de cianureto” em doses anuais: teremos que manter o superávit primário de 3,75% do PIB durante os próximos anos. Como o PIB não crescerá na mesma proporção, estaremos condenados a descer abaixo da Argentina, com mais desemprego, mais violência, mais desespero.&lt;br /&gt;Não teremos nem mais o que vender; seremos obrigados a entregar mais ativos e a cortar ainda mais fundo os gastos sociais, como os da educação, da saúde, da cultura – para nada porque a dívida será sempre maior, maiores os juros e menores os prazos.&lt;br /&gt;Por quanto tempo o País pode manter um modelo econômico fundado no financiamento externo e nos constrangimentos orçamentários? Só de juros da dívida interna e externa, entre 1999 e maio de 2002, o País pagou R$ 357 bilhões, o equivalente às receitas orçamentárias de um ano inteiro, sendo R$ 35 bilhões com títulos pré-fixados, R$ 190 bilhões com pós-fixados, R$ 112 bilhões com, papéis corrigidos pelo dólar e R$ 20 bilhões com a dívida externa. ISSO SIGNIFICA QUE, DOS QUATRO ANOS DO SEGUNDO MANDATO DO GOVERNO DE FHC, UM ANO INTEIRO DE ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS FOI DESTINADO AO PAGAMENTO DOS JUROS DA DÍVIDA PÚBLICA.&lt;br /&gt;A sociedade pode agüentar perder um ano em cada quatro de receitas públicas que poderiam estar financiando o desenvolvimento econômico e social? “Para quem soubesse pensar estava claro, já naquele tempo, que o sistema aplaudido pelo monetaristas brasileiros era desprovido de razão essencial porque desprovido de ética”, resumiu alguém. Creio que a felicidade do indivíduo é a obra-prima do Estado. E sem ética, nenhum Estado pode aspirar à civilização.&lt;br /&gt;Avalio a era tucana como quase uma década de desatino, que nos custou 30 anos de retrocesso econômico e erosão da soberania nacional, que deixou milhões de desempregados e uma guerra civil não declarada com milhares de mortos todos os anos.&lt;br /&gt;Um grande abraço deste teu (sempre) ilhéu, Emanuel Medeiros Vieira PS: Mas não leves a sério aquilo que não te faz rir... PS: A gente atrai o que ACREDITA e não o que QUER.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ERA FHC 2&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CONFISCO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O PT E A VITÓRIA DOS BANQUEIROS E DO FASCISMO)&lt;br /&gt;(Medito sobre um tema que parece superado, mas não está: o favorecimento do governo do PT (como ocorreu anteriormente com o PSDB) aos banqueiros e às empresas de previdência privada, contra o servidor público.) A proposta de cobrança do servidor público inativo feita pelo Governo do PT - que foi vitoriosa, com o estímulo dos banqueiros, "donos” da previdência privada (digo: bancos) e da mídia chapa-branca e favorável à exploração dos pequenos e fervorosa defensora do modelo neoliberal -, representa um confisco de renda, que está sendo transferida dos aposentados para os banqueiros e credores internacionais. Além disso, revela uma estratégia covarde: é mais fácil taxar inativos do que brigar com bancos.&lt;br /&gt;Agindo dessa forma, o PT praticou um dos maiores estelionatos eleitorais da história do País, além de ferir um princípio jurídico elementar: o do respeito o direito adquirido. Este Governo – aparelhado, direitizado, intrinsecamente traidor dos seus princípios -, está sendo forte com os fracos e fraco com os fortes. Demonstra odiosa subserviência aos organismos internacionais e ao capital financeiro especulativo, que tanto vampirizou nossas riquezas. Existem abusos nas aposentadorias? Sim, e deve-se corrigi-los, não sendo eticamente aceitável que, como na parábola bíblica, o justo pague pelo pecador. Enquanto isso, a sonegação continua, os fraudadores da Previdência não são punidos, e os banqueiros continuam obtendo lucros exorbitantes e pecaminosos às custas do sofrimento e da humilhação do povo brasileiro. Demonizando os servidores, o governo do PT- como fazia o seu antecessor tucano -, as grandes redes de “desinformação”, a mídia conservadora e seus colunistas “chapa-branca”, os empresários e banqueiros (interessados no próspero mercado da previdência privada), distorcem o problema e fazem vista grossa à sangria das dívidas externa e interna. Foi dito que a contribuição dos servidores inativos geraria cerca de R$ 2 bilhões por ano. Para se ter uma idéia deste montante, vale lembrar uma declaração do ex-secretário da Receita Federal, Everardo Maciel: “Nossas empresas sonegam R$ 400 bilhões ao fisco por ano (meio PIB), além de deverem mais de R$ 4 bilhões ao INSS.” Isto sem falar que nossos maiores bancos não pagam Imposto de Renda.&lt;br /&gt;Também foi dito pelo Governo do PT que a reforma economizará R$ 52 bilhões até 2033. Só no primeiro trimestre deste ano, os juros das dívidas interna e externa chegaram R$ 50 bilhões. Em três meses pagamos aos credores o equivalente ao total economizado em 30 anos com os cortes dos direitos da Previdência. E com todo esse pagamento, não foi abatido um só centavo (um só centavo, repito) do principal da dívida.&lt;br /&gt;O governo FHC, a mídia, e agora o PT, têm demonizado o servidor e insistido numa mentira, visando incompatibilizar o funcionário com o povo brasileiro. Os servidores não tem privilégio algum. Eles descontam 11% de seus salários, ao contrário dos celetistas que só deduzem no máximo sobre 10 salários mínimos, o que limita as pensões. Mas o PT prefere taxar os inativos a mexer com os grandes exploradores da Pátria. O PT prefere bater nos pequenos. O PT está com medo de brigar com os poderosos? Porque não enfrenta os grandes bancos, que têm lucros pecaminosos? Porque não pune os sonegadores? A visão do PT- quem diria... - é meramente contábil, perversa com os pequenos e de completa subalternidade àqueles que sempre nos exploraram. Os cúmplices desta crueldade (deslumbrados com os holofotes das grandes redes, com o apoio dos grandes bancos) deverão ser permanentemente denunciados e execrados em praça pública: os aposentados devem anotar o nome dos parlamentares que votarem a favor desta injusta medida para que não sejam nunca mais votados. Eu sei: o brasileiro esquece rápido. O ser humano esquece rápido. Os velhos exploradores contam com isso. Tenho me repetido? Tenho. Mas como poucos escutam, é preciso falar sempre, mesmo que seja no deserto. Mas velhos humanistas já diziam que o deserto é fértil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-7194622399486687634?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/7194622399486687634/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=7194622399486687634&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/7194622399486687634'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/7194622399486687634'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/04/era-fhc.html' title='ERA FHC'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-2938146021590064776</id><published>2007-04-20T11:38:00.000-02:00</published><updated>2007-04-20T11:43:03.768-02:00</updated><title type='text'>Tenho medo é desses amarelos. A nova neo-literatura</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; - Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em post recente no Emanuel propõe algumas questões simples ao presidente da República e que ele, com certeza, terá dificuldade em responder:&lt;br /&gt;"O senhor já leu um livro, neste ano?&lt;br /&gt;O senhor já leu algum livro, no ano passado?&lt;br /&gt;O senhor já leu algum livro, nos últimos dez anos?&lt;br /&gt;O senhor já leu algum livro na vida?&lt;br /&gt;O senhor acha que literatura é algo importante?"&lt;br /&gt;Emanuel, agora existe também uma nova praga, a neo-literatura. Leitura fácil e rápida, disfarçada de paradidática.&lt;br /&gt;E, ele pode ter lido, afinal, o governo compra livros desse tipo, as toneladas, todo o ano.&lt;br /&gt;Essas questões lembraram-me uma entrevista que demos para a TV Educativa, Paulo Markun, Nei Duclós e eu, em 2004, durante a Feira do Livro, em Porto Alegre.&lt;br /&gt;Na ocasião, nós três promovíamos nossos livros.&lt;br /&gt;Nei, o seu romance Universo Baldio, eu, Poemas para Ler em Voz Alta e Paulo Markun, O Sapo e o Príncipe, onde ele, Markun, traçava um paralelo sobre as carreiras de Fernando Henrique Cardoso e Luis Inácio Lula da Silva.&lt;br /&gt; Dois presidentes brasileiros oriundos da esquerda e que chegavam ao poder, um após o outro.&lt;br /&gt;Apesar de não estar participando da entrevista como jornalista perguntei a Markun que tipo de repercussão o seu livro tivera junto aos biografados.&lt;br /&gt;Ele respondeu que recebera os cumprimentos de Fernando Henrique e do Lula estava aguardando que a esposa, dona Marisa, lesse o livro para ele:&lt;br /&gt;-"Porque é ela quem lê”, -respondeu Markun, finalizando.&lt;br /&gt;Seria cômico se não fosse trágico.&lt;br /&gt;Dois presidentes que saem da esquerda e se atiram num projeto neo liberal sem escalas para governar o Brasil, afirmando que são sociais -democratas.&lt;br /&gt;Um, o Sapo Barbudo (como o chamou, certa vez, Brizola) que não precisa e nunca precisou de leitura porque tem uma intuição do cão e uma percepção extra-sensorial para a oportunidade e o peleguismo, desde seus tempos de operário.&lt;br /&gt; "Flor estranha criada na estufa da ditadura” clamava, também Brizola, enquanto alguns outros líderes sindicais amanheceram com boca cheia de formiga ele prosperava, engordava o seu discurso e sobrevivia a tudo.&lt;br /&gt;Alguém aí lembra de Manoel Fiel Filho? Preso em 1976, sob a acusação de pertencer ao PCB e que apareceu morto, enforcado em sua cela, poucos dias depois da prisão.E, em 1980, depois de um brilhante carreira como líder sindical, Lula lança um partido com uma bandeira vermelha, em plena Guerra Fria (e o Golbery no seu Geopolítica e o Poder, dando risada).&lt;br /&gt;Suassuna em sua obra prima O Auto da Compadecida, botava na boca do cangaceiro Severino, o que ele pensava sobre João Grilo:“-Tenho medo é desses amarelos!”&lt;br /&gt;Essa gente amarela, que vem do nordeste, capaz de sobreviver a qualquer coisa, não pela violência, nem pela leitura que não tem, nunca teve e até não tem nada contra, não ( é capaz até de ler um bom cordel) mas pela esperteza e sagacidade, capaz de meter medo em cangaceiro.&lt;br /&gt;O outro presidente, é o príncipe, segundo identifica Markun em seu livro, Fernando Henrique. Enquanto o amarelo tem uma intuição do cão, esse tem uma formação do cão, com leitura, com vários doutorados honoris causa das mais importantes universidades do mundo.&lt;br /&gt;E o país?Bom, o país é discurso, é fazer o que todos os outros fizeram anteriormente.&lt;br /&gt;Transferência de recursos, etc, mas o importante não é o país e, vamos fazer uma fundação com meu nome...Afinal eu criei isso eu criei aquilo. O plano real é plano com mais mães e pais que conheço. Tem o Ciro Gomes, o Itamar, tem o Rícupero, lembram dele? Que ganhou depois da genial jogada da parabólica como prêmio a embaixada em Lisboa. E não vamos esquecer também o Fundo Monetário Internacional,verdadeiro progenitor de todos os planos econômicos anteriores e posteriores.Se não fosse assim Israel não teria realizado o mesmo plano de confisco de moeda, idêntico ao Collor, tal e qual.&lt;br /&gt;Nada se inventa, tudo se copia.&lt;br /&gt;Criou nada, princípe cara pálida.Obedeceu indistintamente a tudo e a todos...&lt;br /&gt;Nem se deu o trabalho de se definir politicamente depois de ter abandonado a esquerda, virou o quê? Social democrata? Mas o que é social democracia, afinal?&lt;br /&gt;Algo que faz acordo com os liberais? Pra que se definir? Sem definições podemos fazer acordos á vontadeDeixa assim, melhor assim, ninguém entende nada mesmo...&lt;br /&gt;Economia, então.Até 1990, ninguém no governo sabia o que era dívida pública.&lt;br /&gt;Isso eles afirmam num documentário feito pela TV Senado ou TV Câmera, onde os bem penteados ex-ministros Fernando Henrique, Bresser Pereira, e o hacker, ex-diretor do Banco Central, Gustavo Franco (esse Gustavo é um ET, era garoto quando assumiu a direção do principal Banco de uma das sete maiores economias do mundo, sem nenhum mérito aparente ou posterior-até agora não ganhou nenhum Nobel de economia- só posso atribuir o fato, a ele ter um padrinho maior que a mãe dele, nunca vi coisa igual no mundo) explicam o que houve em mais essa década perdida do país.&lt;br /&gt;Só para lembrar:Os bancos privados vão incorporar ao seu patrimônio, até o final desse ano (2007) alguns bilhões de dólares que pertenciam aos poupadores e que foi literalmente surrupiado por um dos planos verão do senhor Bresser e et caterva.&lt;br /&gt;Vejam os presidentes dos principais bancos centrais no mundo, cada um com cem anos de atividades e serviços prestados as suas nações e com 1200 pós-graduações.&lt;br /&gt;Aqui eles entregam a direção desse banco pra qualquer um, agora é a vez de um ex-gerente geral do Banco de Boston, bem falante, e que deu um lucro louco pra esse tal banco, aqui no Brasil, sabe como? Só aceitava como cliente do banco (quando era gerente do mesmo), salários confirmados acima de 5 mil reais, além de emprestar dinheiro ao governo que é onde os bancos fazem muito dinheiro, melhor que isso só fabricando dinheiro por conta própria. Entrevistei o homem quando ainda dirigia o tal banco norte-americano.&lt;br /&gt;Vai ver se ele também não é um amarelinho.&lt;br /&gt;Mas voltando ao príncipe.Ele sai do governo e sua missão é explicar, como o personagem de Lampesusa: “Fizemos tudo pra deixar tudo como está.Vem aí outro, com um discursinho mais à esquerda pra fazer a mesma coisa”.E vamos aproveitar e dar algumas palestras cobrando bem caro e fazendo graça pro diabo rir.Em país de cego.Ninguém pergunta nada.E, parece que agora, o partido do sapo e do príncipe são sociais democratas.Está na hora de começar a cobrar essas definições, de verdade, dessa gente.&lt;br /&gt;Apesar de não teres dirigido a pergunta a mim, entro na conversa e respondo Emanuel: leitura pra quê?O exemplo dos dois presidentes, é bem claro, um leu o suficiente pra procurar deixar seu nominho na história, mentindo que fez um plano real, uma pirâmide com vista pro nada e o outro, um amarelinho que escapou da fome, da pobreza, da exclusão, porque tem uma esposa que sabe ler.Pra isso, serve a leitura e também pra distinguir essa gente.Pra apontar quem são uns e quem são outros.E pra que serve a cultura? Goering, já dizia: me falam em cultura e puxo um revólver!&lt;br /&gt;Hoje não precisa nem puxar o revólver, a cultura está tão elitista e tão sem acesso a maioria da população como estava no Quatroccento ou na baixa idade média.Cultura virou questão de muito dinheiro.Os livros para irem para as prateleiras de algumas livrarias, têm pagar mensalidade, senão nem passam pela porta.&lt;br /&gt;Nas livrarias de aeroporto, se não for auto-ajuda, eles não querem.&lt;br /&gt;E as editoras?Essas, estão sendo adquiridas por multinacionais ou se tornando mega editoras que crescem vendendo milhões para as compras estatais de livros chamados didáticos e para-didáticos.Nesses últimos anos as editoras brasileiros descobriram um novo veio, reciclar autores como Machado de Assis. Recentemente uma grande editora encomendou a vários autores nacionais textos sobre o personagem Bentinho, do Machado, com novos "enfoques", é claro&lt;br /&gt;E quem vai comprar essa droga?&lt;br /&gt;O governo.&lt;br /&gt;E quem vai ler?Aparentemente os neo-leitores do primeiro e segundo grau.&lt;br /&gt;E quem paga essa nova neo-literatura?&lt;br /&gt;Advinhem...O governo, com suas maravilhosas compras anuais e cujos critérios precisam ser urgentemente reavaliados.&lt;br /&gt;Basta tentar entrar no site de registro dessas compras pra ver que há alguma coisa estranha acontecendo por ali.Ninguém fala nada porque para o mercado livreiro está bom, e num país em que nem o presidente lê e, quando, havia um presidente leitor, ele também nunca deu importância ao livro, pra que alguém vai se preocupar com isso?E o dinheiro é de quem botar a mão primeiro.E pelo jeito está sobrando pra encher as prateleiras de bibliotecas que ninguém vai consultar.&lt;br /&gt;Quanto aos amarelinhos, por favor, não confundam o que disse aqui com preconceito, afinal, Suassuna falou neles primeiro, e esse povo tem sobrevivido a essa raça de cobras criadas porque também é todo ele um pouco amarelinho e resiste a tudo.E, talvez, seja até por isso que votaram nele, até descobrirem que por baixo daquela barba ele já renegou a sua gente e mudou de cor há muito tempo, se é que algum dia teve alguma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-2938146021590064776?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/2938146021590064776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=2938146021590064776&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2938146021590064776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/2938146021590064776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/04/tenho-medo-desses-amarelos-nova-neo.html' title='Tenho medo é desses amarelos. A nova neo-literatura'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-117085240407015714</id><published>2007-02-07T10:44:00.000-02:00</published><updated>2007-02-07T10:46:44.233-02:00</updated><title type='text'>Reflexões I</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; - Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BANQUEIROS: – “Não esqueças do humor”, reivindica  um leitor imaginário (e lúcido). Então: &lt;br /&gt;O escritor inglês Noel Coward, falecido em 1973, mandou uma vez um telegrama anônimo para vinte banqueiros, dizendo: “Tudo foi descoberto, fuja enquanto é possível.” E o resultado foi que dezessete  dos vinte banqueiros que receberam o telegrama embarcaram às pressas para o exterior. &lt;br /&gt;Se, na época da ditadura militar, os “generais” em geral, me causavam pânico, o horror que sinto hoje é dos banqueiros, que acredito serem vampirizadores de nossas riquezas, os que ganham sempre às custas da desgraça e da miséria do país (as colunistas econômicas  de direita rirão, “populista”, “panfletário”, pois elas parecem ser cães de guarda do grande capital financeiro e só amam tais figuras ou assessores e ditos formadores de opinião que defendem o modelo imposto  como fosse algo fatalista e inevitável) - vejam os lucros dos grandes bancos no Brasil (e ainda assim não pagam Imposto de Renda). (???) &lt;br /&gt;Em relação a eles, sou simplista, maniqueísta? Pode ser. “Há banqueiros íntegros e solidários”, garante uma amiga. Eu sei que constituem uma categoria tão forte, que foram protegidos na ditadura, em todos os infaustos governos que a sucederam, já na era da democracia “formal”. Em todas as eras, épocas, períodos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TECNOLOGIA – A tecnologia. Sempre me classifiquei (ser) como tipográfico. Máquina de escrever manual, carbono, apontador – antes mata-borrão, caneta-tinteiro (mais na geração dos manos mais velho e do meu pai). A máquina de escrever elétrica foi uma revolução. &lt;br /&gt;As gerações mais novas, com sons, celulares, fazem tudo e mexem em tudo. Suo frio, quando vejo esse maquinário (essa maquinaria) é como se tivesse que entender grego antigo. Começei a usar computador  há poucos anos. No começo, totalmente amador, frágil diante dessa tecnologia, um dia digitei para um romance, novela, conto grande, uma tarde inteira; trovões no céu do Planalto Central do país. Houve pane, computadores apagaram, parecia um pequeno apocalipse. Perdi tudo. Horas de trabalho. Era quando eu me iniciava nessa máquina. Indagaram: “Salvaste?” Salvar-me: sempre quis. Salvar a mim mesmo, salvar a a alma, como queriam os jesuítas. Não, não havia salvo nada. &lt;br /&gt;Pelo menos, com máquina de escrever, carbono e papel isso não acontecia. Só precisava trocar a fita de tempos em tempos.Agora estou mais precavido. &lt;br /&gt;No começo também perdi matérias para o antigo Hoje na Câmara, o atual Jornal da Câmara, onde trabalhei como repórter e redator durante dez anos e pouco. Agora está melhor. E facilita muito a vida de quem escreve. Imagino o trabalho dos romancistas de antigamente que redigiam obras enormes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS QUE CHEGAM AO GOVERNO (Contendo reflexões sobre o nosso pequeno Napoleão) – Expulsam a coerência para preservar a subserviência. &lt;br /&gt;Transformam-se em paladinos do neoliberalismo, embalados e adulados por marqueteiros – embevecidos com o reino da mentira –, mantendo uma política econômica que amplia o desemprego e a informalidade e vampiriza a produção.A mídia hegemônica também pode ser contra, mas por outras razões. &lt;br /&gt;O honrado e combativo sociólogo Octavio Ianni, na sua última entrevista antes de morrer (em 4 de abril de 2004), diagnosticou: “Lula é um desastre. A frustração que está produzindo na opinião pública é séria e profunda. Há pouco tempo, o ministro José Dirceu (agora “ex”) disse que o que vão fazer com a universidade pública será mais sensacional do que fizeram na Previdência! Ao que tudo indica, vão acatar as diretrizes educacionais do Banco Mundial...” &lt;br /&gt;A professora Maria Sílvia de Carvalho Franco afirmou: &lt;br /&gt;“(...) Os governantes atuais refinam antigas formas de interpretar a prevaricação. (...) Enquanto favor, influência e dinheiro são negociados em nome da “governabilidade”, alastra-se o desgoverno: recessão, desemprego, arrocho de rendimentos, derrama de impostos, negligência de moradia, educação, saúde e alimento. Nessa trama, o aparato burocrático, repressivo e econômico da República serve a grupos que visam manobrar o Leviatã em benefício próprio. (...) É sabido que não só o valor do trabalho, mas a própria operosidade e parcimônia do trabalhador projeta-se na acumulação do capital, contribuindo para resolver seus impasses e  atenuar o peso do cidadão sobre o Estado, o qual, neste país, engole tributos sem retornos. Esse ardil, inerente à “normalidade” capitalista, entre nós efetiva-se no atacado. O superávit primário é sua epítome e a “reforma” da Previdência, travestida de modernização”, é um abuso de força na troca entre poder e lucro. Nessa “reforma”, o funcionário público foi servido como donativo aos bancos sôfregos pelas miríades de contribuições, tornadas imperativas graças ao parcos vencimentos oficiais, e como brinde nas “negociações” por votos, cargos e verbas. É da natureza tirânica bajular os fortes e abater os fracos, gestos acolitados por líderes venais. Mais prepotência virá na reforma trabalhista, na qual  direitos seculares serão “flexibilizados”. (...) Não é de graça que nossas autoridades obsequiam o circuito financeiro mais do que pede o FMI. (...) Houve traição, não contra os donos do PT, mas contra as base que os sustentaram, vendidas no leilão da República, e também contra os dissidentes, reprimidos e expulsos. No centro desse cenário de lisonja, grosseira arrogância, corrupção burocrática, sectarismo, delírios de idéias fixas e metáforas simplórias, brilha, com picardia, o nosso pequeno Napoleão.” &lt;br /&gt;Na visão do filósofo Paulo Arantes, atribui-se a desgraça social corrente à inexorabilidade de uma causalidade sistêmica, que é compartilhada  por “marxistas invulgares e idiotas da globalização.” &lt;br /&gt;Parece que a capacidade de julgar é suspensa,  na qual o raciocínio apoiaria-se numa estratégia psicológica defensiva, escorada em clichês deterministas, cristalizando-se algo como uma convivência normalizadora com o horror econômico já naturalizado” (o filósofo cita o psicanalista francês Christophe Dejours). &lt;br /&gt;Palavras de Arantes: “O ajuste intelectual tucano-petista é a incorporação da estupidez marxo-progressista ao atual consentimento coletivo na injustiça e no sofrimento das populações, na expansão a tolerância com, o intolerável . (...) &lt;br /&gt;Numa linguagem mais acessível, percebe-se que muitos intelectuais assumiram cargos no governo, ou foram cooptados (o verbo é esse, sim);  sendo mais claro ainda, pegaram “bocas boas”, que dão prestígio, altos salários, mordomais, viagens internacionais, “aspones” aos montes, aduladores a granel, e esvaziam suas críticas pretéritas ao modelo – “é assim mesmo”, “o Lula faz o possível”, ou usam arranjos e truques retóricos mais sofisticados – mas sempre truques, sempre arranjos, facilitários, espécie de álibis para a má consciência, pois gente com tantos livros escritos, com tantos títulos acadêmicos, teoricamente tão bem informada, “sabe o que está fazendo”. E justificam políticas intrinsecamente contrárias às suas idéias e ao seu pensamento, achando que tal traição pode ser aliviada com políticas paternalistas e a  rede de Ongs (que recebem fartas verbas) que, na prática, são absolutamente dependentes e submissas ao governo.  Chamam-nos de “pessimistas”, “catastrofistas”, como FHC nos intitulava de “fracassomaníacos” ou a mídia neoliberal, vassala ou espécie de cão-de-guarda do grande capital e dos banqueiros, nos qualifica de dinossauros. Mas, o que significam esse insultos verbais, deboches, galhofas, escárnios, muitas vezes frutos da “moral cínica” que tudo relativiza, em relação aos tempos vividos no Dops, às porradas recebidas na Oban? Nada. O couro vai ficando duro. E vão se irresponsabilizando pela nossa tragédia social. &lt;br /&gt;“Formou-se um bloco histórico da crueldade social”, diz o filósofo citado. A “nova esquerda” virou “nova direita.” E o presidente faz discursos diários, e sua fisionomia indica que ele crê que está dizendo coisas muito profundas; são palavras cheias de bom-mocismo, como  espírito dos livros de auto-ajuda, encharcados de platitudes(???) e de um populismo sentimental – como se o ”conflito” ou a “luta de classes” (sim, ela mesmo!) fossem invenções de gente má, que não gosta de consenso. E ele fala  como se estivesse descobrindo a pólvora, cercado de aduladores que não têm a coragem de dizer-lhe a verdade, porque o “homem do povo” não gosta de ser contrariado. &lt;br /&gt;O que mais me incomoda (dói mesmo) é a tentativa de subestimar nossa inteligência, como se fôssemos todos idiotas e não tivéssemos memória. Faz mal, somatizo (???). Dói viver assim, no reino da mentira, dos marqueteiros que fazem tudo por dinheiro. Incomoda o estômago, dá engulhos, ver os pseudotruques mentais, arranjos, mentiras embaladas em retóricas ocas, de certos dirigentes e líderes, defendendo o abafamento de CPIs, sabotando o esclarecimento da verdade. (As notas de agora são escritas após o 2º turno eleitoral). Como observou uma jornalista, a partir de uma entrevista concedida pelo marqueteiro do Lula nas últimas eleições, “lanaça-se mão de mistificações pautadas em sentimentos captados por poesquisas e a realidade dos fatos fica à mercê de quem (Perdoem o tom  grandiloqüente, talvez panfletário, mas a indignação é sincera. E dizer que tem gente aí no Executivo e no Congresso que  foi amiga do  inesquecível Luiz Travasso – o grande líder estudantil, talvez o maior orador estudantil de sua geração,  que deve estar se remexendo no túmulo, ao contemplar tantos traidores.) &lt;br /&gt;Como disse Mário de Andrade: morrerão sem a solidariedade de si mesmos (vou repetir essa previsão, real e “maldita”, em outros locais desta modesta Lira dos 60 Ano). E a vida segue.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-117085240407015714?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/117085240407015714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=117085240407015714&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/117085240407015714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/117085240407015714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/02/reflexes-i.html' title='Reflexões I'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-117024793236085592</id><published>2007-01-31T10:39:00.000-02:00</published><updated>2007-01-31T10:59:04.453-02:00</updated><title type='text'>LITERATURA É O NOME DA LIBERDADE</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2454/4252/1600/951422/kafka%20house.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2454/4252/320/607085/kafka%20house.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nei Duclós, de Florianópolis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura é a oportunidade que a linguagem tem de se reinventar. Diferente do jornalismo ou das ciências humanas, que obedecem a paradigmas e precisam do consenso do entendimento, de um acordo prévio para ser debatido e desenvolvido, a literatura caracteriza-se pela liberdade de suas falas, do desenraizamento total e da radicalidade de suas experiências. Já que por natureza possui amplo espectro, proporcionado por essa liberdade, ela presta-se mais a uma abordagem seletiva, pois fica difícil abraçar esse vasto mundo ou fazer seu inventário. A saída é definir um conjunto de células para tentar nele soprar nele um pouco de sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LIMITES - Meu álibi para estreitar os limites dessa minha conversa também inclui uma necessidade própria de trafegar pelas leituras que decidi adotar como insumos básicos, tanto do que produzo quanto do que costumo analisar como resenhista. Trata-se de uma deliberação e não de uma desistência diante da complexidade do tema. Por fazer parte do exercício da liberdade, numa época de transformações profundas e cada vez mais rápidas, a literatura desvencilhou-se das últimas escolas e partiu para a aventura radical. Mas isso não a tirou fora do jogo político. A invenção literária permanente costuma refletir o desespero, pois é do caos que ela trata, postura gerada pelo desligamento dos cânones. Vemos isso em Kafka, para pegar o exemplo mais notório. Mas o narrador que é persona do autor diante da indiferença e brutalidade do mundo, é obrigado a reconstruir a linguagem numa nova ordenação do caos. O resultado é uma narrativa sinistra, que faz parte do desencanto econômico e político da Europa que gerou a barbárie de duas guerras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse parece ser o personagem favorito da literatura brasileira de hoje. O viajante de João Gilberto Noll em vários dos seus livros, o pesquisador do romance Fantasma, de José Castello, o detetive Cid Espigão de Tabajara Ruas são agentes dessa reordenação da linguagem que veio à tona depois de assassinada. Isso se chama liberdade, mas também está profundamente ligado à ditadura que nos surpreendeu, criou e ainda nos mantém numa espiral de insônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIÁSPORA - Meu romance Universo Baldio (Francis, W11 Editores, 2004) é a composição de duas falas que tentam se complementar. A primeira é a desse caminhante perplexo que vive o desmoronamento do mundo e rearticula sua presença literária para não perder a identidade que arduamente construiu no meio do caos. Nessa primeira fase, há a perplexidade diante da diáspora humana que gerou aquela história, que acaba, como começou, na estrada, dentro de um coletivo que coleciona monólogos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na segunda parte, a persona que encarna o narrador divide-se diante dos seus fantasmas e ao tentar, desesperado, reencontrar-se, acaba descobrindo o quanto perdeu na sua trajetória. Pior: sabe então que sua perda veio de longe e que nunca houve remédio para ela. Mas ainda se mantém a esperança de que o tecido desfeito possa ser refeito no final, o­nde o happy end seria uma forma de vingança, e não um lugar comum. Mais não posso dizer desse romance escrito num intervalo de vinte anos e que é uma síntese de várias incursões na prosa literária que se dispersa hoje em crônicas, memórias, contos e projetos de novos romances. O fazer literário não basta, pois ele enfrenta primeiro a dificuldade de exposição pública, por motivos demais conhecidos. É preciso abordá-lo na análise, fazer parte da composição de falas que descem sobre a literatura como uma chuva de conceitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha participação nessa área tem sido constante e compreende desde autores como Rilke, Simões Lopes Neto, Vinícius de Moraes e Borges, como escritores que na minha geração ajudam a compor um universo literário pautado pela liberdade total. Na resenha, procuro incorporar a liberdade literária, encarnar o verbo para ser fiel à fala alheia. Costumo partir para lances não pautados na intenção inicial do texto, mas que felizmente transformam-se, a seu modo, parte da minha literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;OBS: A imagem é da Casa de Kafka, em Praga. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-117024793236085592?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/117024793236085592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=117024793236085592&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/117024793236085592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/117024793236085592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/literatura-o-nome-da-liberdade.html' title='LITERATURA É O NOME DA LIBERDADE'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116992159530199249</id><published>2007-01-27T16:06:00.000-02:00</published><updated>2007-01-28T21:22:17.036-02:00</updated><title type='text'>A nova literatura e a nova poesia ainda não nasceram e nem vão nascer</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola-&lt;/strong&gt; Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Li em algum lugar, recentemente, que a poesia de Reiner Maria Rilke envelheceu.&lt;br /&gt;Não acreditei no que estava lendo e como Cartas a Um Jovem Poeta foi para mim um dos livros mais marcantes da minha formação voltei a reler o poeta que nasceu em Praga e se converteu num dos mais importantes poetas alemães do século XX e, morreu, segundo  dizem, devido ao ferimento causado por um espinho de rosa.&lt;br /&gt;Logo as rosas que ele tanto amou ou até por isso mesmo.&lt;br /&gt;Você não lê um grande poeta como se fosse um poeta modernista ou  da geração 45 ou da geração isso ou aquilo.&lt;br /&gt; Lê o poeta por sua poesia.. Quais as influências que determinado autor sofreu, quais os movimentos literários que ele esteve inserido são assuntos técnicos  que nada  acrescentam a poesia em si. Isso interessa  apenas a aqueles que trabalham com a língua e a literatura.Escritores, professores.&lt;br /&gt; Isso também faz parte do sistema de classificação artística tão a gosto dos críticos cuja existência se justifica apenas em função dessas definições.&lt;br /&gt;Quando alguém lê poesia e busca nela as referências sobre o autor, ou mesmo só que está escrito sem buscar a essência do que está dito, faz uma leitura técnica.&lt;br /&gt;A poesia quando é verdadeira busca a transcendência na palavra escrita e apenas para esse fim ela existe.&lt;br /&gt; Associam, por exemplo, a obra de Rilke a externalidades como aos castelos, aos anjos e as obras em pedra, como seu célebre  Torso Arcaico de Apolo, onde para mim, apenas uma frase justifica o poema inteiro: “Força é mudares de vida” (1).O poema todo conduz a  essa frase.O resto do tema é quase um pretexto para chegar a frase.Como são os anjos, os castelos...pretextos para construir uma grande poesia.&lt;br /&gt;Também, recentemente, fui instado a responder o que eu achava da nova poesia.&lt;br /&gt;Respondi o que disse a acima: Que a poesia não se define por nova ou velha, mas por poesia.Se você analisar a poesia sob o ponto de vista lingüístico, o que muda é a língua, a linguagem no sentido histórico.A lingüística é uma ciência interdisciplinar que realiza o estudo da língua e suas alterações diacrônicas.Essa ciência não faz nenhuma distinção sobre o conteúdo, o sentido último do texto, o que diz o autor, e quando faz acaba por confundir tudo, numa generalização imprecisa.(2) E o que importa realmente é o que diz o autor, não sua vida, seu momento histórico, suas amantes ou o nome de seu cachorro. &lt;br /&gt; Esses professores ligados à análise literária, também sempre tentam enfiar determinado autor em um movimento. Porque é mais fácil para eles tentarem compreender o que quase sempre não conseguem entender.&lt;br /&gt;E quando alguns autores criam movimentos que antes deles não existiam, e as influências sobre o artista são aquelas que pairam sobre sua angústia de viver e nada mais.Como é que fica?&lt;br /&gt; O artista é autocrata em sua obra, se não for, é como era definida a poesia por Aristóteles, (incluindo aqui a dança o teatro) mimesis ou imitação e neste caso o artista imita as sombras da caverna, no exemplo de Platão. &lt;br /&gt;E quando o autor é suficiente criador e inicia um movimento literário? Ah, bom, a fórmula seguinte desses classificadores é tentar casar o surgimento do movimento como necessidade de classe. O romantismo, segundo esses autores surgiu como necessidade da burguesia. E não da criação de Vitor Hugo.&lt;br /&gt;Antes de Hugo o romantismo não existia. Ou a literatura policial que começou com o atormentado poeta Edgar Allan Poe, o primeiro autor a ter a coragem de ver o lado escuro da alma humana.Essa ficou sem explicação.Porque o movimento equivalente que existia na Europa, no momento, não se adequava a Poe e não havia nada equivalente nos Estados Unidos.&lt;br /&gt; Essa tentativa de estabelecer a que movimento pertence o autor, o que é novo, o que é velho  em arte, o que é revolucionário o que é vanguarda, não acontece apenas com a literatura.&lt;br /&gt; Na pintura também, há o caso bem documentado do impressionismo cuja denominação foi dada a partir de uma declaração pejorativa de um crítico de arte francês ao ver a tela de Monet Impression du Soleil Levant numa exposição em 1874.Ou seja, uma declaração ofensiva acaba se tornado um designativo de um processo artístico. O problema dessas designações é que elas quase sempre se auto-esgotam e os classificadores (muitas vezes, comerciantes de arte, também) se esforçam em achar fases subseqüentes que geralmente são designações arbitrárias.&lt;br /&gt; O que o artista tem com isso? Nada. Apelidar, ofender, dar o nome a um tipo de arte, estabelecer se é nova ou velha é atribuição, principalmente da critica e daqueles que trabalham sobre a arte  não com arte. &lt;br /&gt;A função do artista e criar, ser antena. Salvador Dali dizia que seus bigodes eram suas antenas.&lt;br /&gt; E quando não existe um formulário literário (expressão cunhada por Octavio Paz)ocidental como na literatura árabe ou japonesa ou chinesa?&lt;br /&gt;Já vi classificaram a poesia de Basho como naturalista, porque ele usa elementos da natureza em seus poemas. Não é uma classificação de uma simplicidade alarmante?&lt;br /&gt;O naturalismo como movimento literário do século XIX está par e passo como o realismo criado por Emilio Zola. Agora, como um poeta como Basho que viveu no século XVI pode ser naturalista?Ele usa  a natureza como elemento de ligação estética budista e criou seus poemas com uma função completamente distinta da poesia ocidental.&lt;br /&gt;Impossível ligar essas pontas soltas.&lt;br /&gt;É possível pensar nos poemas seguintes como “novos” ou “velhos”?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A cigarra...ouvi&lt;br /&gt;Nada revela em seu canto&lt;br /&gt;Que ela vai morrer&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Quatro horas soarem&lt;br /&gt;Levantei-me nove vezes&lt;br /&gt;Para ver a lua.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Só existe uma maneira de compreender e medir essa poesia e, é com um instrumento que não estamos acostumados a usar para muitas coisas: o coração. &lt;br /&gt; De outra maneira vamos buscar sempre no racionalismo besta explicações para o que não tem e nem precisa explicação.De onde concluo que não existe a poesia nova ou velha,a poesia pode ter sido criada ontem ou no século XVI, existe a poesia como um formulário (esse sim) de percepção da vida e do universo, sem idade e cada vez que ela for datada, perde a sua razão de ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;1)Tradução dos poemas de Rilke e Basho de  Manuel Bandeira- Estrela da Vida Inteira Ed.Record Altaya&lt;br /&gt;2) De Poesia Política do autor.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116992159530199249?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116992159530199249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116992159530199249&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116992159530199249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116992159530199249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/nova-literatura-e-nova-poesia-ainda-no.html' title='A nova literatura e a nova poesia ainda não nasceram e nem vão nascer'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116967893445888333</id><published>2007-01-24T20:47:00.000-02:00</published><updated>2007-01-24T20:48:54.466-02:00</updated><title type='text'>SEITAS</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; - Brasília-DF &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A adesão em massa às seitas de todas as ordens e credos corresponde à inaptidão para a vida fora de um núcleo de certezas. Como alguém detectou, a decadência das utopias políticas clássicas, resultado da queda do socialismo real do Leste europeu, “ajuda a gerar uma representação catastrofista do social e, em conseqüência, favorece o culto desesperado ao derradeiros totens.” &lt;br /&gt;Somos cada vez mais seres anônimos, irrelevantes diante dos mecanismos de um capitalismo intrinsecamente excludente, onde a hegemonia é do núcleo mercantil: do Ter. Mas, apesar do dinheiro de plástico (cartão), das drogas, da bebida, da Internet – exaltados como sinais da modernidade, há uma sensação de carência e perda: na medida em que se perde a solidariedade, a compaixão, o olhar do outro, estancamos nossa dimensão espiritual e o vazio é a perspectiva delineada no final do caminho. &lt;br /&gt;Nossa sociedade é extremamente midiática, uma sociedade espetacular, que valoriza o sucesso rápido e não a ascensão social lenta através do trabalho. &lt;br /&gt;Os meios de comunicação infantilizam as mentes, praticam o sensacionalismo anti-humanista, com a volúpia de captar o que o ser humano tem de pior, optando pela defesa do hiperindividualismo, adotando práticas camufladamente (ou não) fascistas. &lt;br /&gt;A mídia mistura o espaço público e o espaço privado, privatizando o público e transformando o público em domínio privado. Estamos intoxicados por marqueteiros e cansados do reino da mentira. &lt;br /&gt;O discurso pernóstico, pseudamente profundo, cheio de truques e de arranjos, é de um enorme vazio. Aparentemente, alguns ditos pensadores e autoridades, dizem coisas ”profundas”. Mas se você examina com mais vagar e profundidade, ao fim do discurso não fica nada, nada. Nenhum sumo. No discurso publicitário, tudo se iguala, tudo vira sabonete. Todo mundo sorri. É uma enganação geral. Peguem o chamado horário eleitoral gratuito. Paisagens de um Brasil belo, onde todo mundo é alegre, está feliz, empregado, as mulheres são bonitas, todos se respeitam e nada nos agonia. Prepondera o sentimentalismo televisivo, que não estimula a reflexão (pelo contrário), mas procura disseminar a emoção bruta e manipulada. Alguém chamou esse processo de “ocultação adocicada da verdade.” &lt;br /&gt;O discurso tem de ser “bonzinho”, como alguém observou, “vacinado de antemão contra todas as críticas possíveis, ou então artificialmente “malvado”, para destacar-se mercadadologicamente da mesmice dominante.” &lt;br /&gt;Tudo parece propaganda de automóvel, de banco, o sorriso é sempre fingido, pausterizado. &lt;br /&gt;Os heróis de nosso tempo não são mais Aquiles, Enéias ou Ulísses, mas os lobistas das empreiteiras, os tecnocratas de todos os matizes, os operadores da Bolsa de Valores; os assessores especiais, os donos da mídia, os pastores eletrônicos; os padres encantados pelos refletores, ditos carismáticos, espécie de “Xuxas da Igreja Católica”; os apresentadores de TV, locutores de rádio, que ganham milhões através da veiculação do sensacionalismo mais sórdido e repulsivo; os atores de telenovelas, mesmo os mais canastrões; os cantores pueris e sem talento, as duplas sertanejas (de butique); os políticos profissionais; os burocratas que se achegam aos novos donos do Poder e crescem à sua sombra; os corruptos bem apessoados, trajando ternos finos, bem relacionados com os que mandam, usando celulares sofisticados e computadores portáteis de última geração; os rostos bonitinhos; os pagodeiros imbecilizados; os anônimos que viraram celebridades por causa de programas idiotas, nos quais quase ninguém consegue articular corretamente uma frase inteira (sujeito, predicado, verbo); triunfam os que elegem a futilidade como meio de vida, o secundário e o supérfluo; defensores eternos do fugaz, do continente, nunca do conteúdo. &lt;br /&gt;(Mesmo para eles, para os mais fúteis, deve haver a hora da revelação que, talvez, ocorra só no instante da morte, porque eles, ao contrário do que desejariam, não são eternos. Ou permanecerão idiotas até na hora da morte?). &lt;br /&gt;Tais pessoas dominam psicologicamente, numa espécie de “totalitarismo da consciência” (nossos inconscientes sempre foram colonizados...), as massas carentes, que vivem sob o estigma da orfandade social, sem nenhum pai protetor, carentes de um Estado que lhes dê a mínima cobertura ou assistência. &lt;br /&gt;Esses seres perdidos na periferia das grandes cidades, são completamente irrelevantes no “processo” da vida; não possuem qualquer importância, meros números, só lembrados em épocas eleitorais. (Nestas páginas, já meditei um pouco a respeito disso.) Daí, a passagem para o delito, a adesão ao tráfico: ascensão social feita à bala. &lt;br /&gt;Sabemos que a ética e o respeito ao outro são produtos do processo civilizatório. Por trás do suposto refinamento, dos celulares, computadores e todas as engenhocas eletrônicas, esconde-se o selvagem, o lobo cínico defensor do individualismo feroz. É a lei da selva, do salve-se quem puder. &lt;br /&gt;Sem querer fazer sociologia barata ou cair no panfletarismo, adotando um tom pastoral, percebemos ao nosso redor que a vida e a morte foram banalizadas. &lt;br /&gt;O acesso à morte é cada vez mais fácil e pueril. &lt;br /&gt;A utopia parece ter-se retirado do horizonte, em que se impõe o conformismo. Cria-se a cultura da resignação ou opta-se pela “moral cínica”: diante do “relativismo moral”, no qual não existe mais fé, tudo é permitido, como esmagar o outro. Nada parece valer a pena. Tudo torna-se irrelevante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116967893445888333?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116967893445888333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116967893445888333&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116967893445888333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116967893445888333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/seitas_24.html' title='SEITAS'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116940872522032013</id><published>2007-01-21T17:42:00.000-02:00</published><updated>2007-01-23T03:39:40.076-02:00</updated><title type='text'>A modernidade da Poética do bardo da UDN</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E. San Martin, de Nova York&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A modernidade tem idade? É um estado de espírito? Uma atitude ideológica? Um grito no escuro? Uma esperança vazia? Uma busca do futuro? Uma utopia estética? Um compromisso da arte para com o mundo que a sustenta, intelectual e/ ou materialmente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resposta não está no que segue, mas o que segue ajuda a refletir sobre o emaranhado de fatores intervindo neste elemento essencial ao progresso: a busca da modernidade.&lt;br /&gt;.................................................................................................................&lt;br /&gt;Um dos mais modernos e completos intelectuais brasileiros do século passado, no meu humilde entender de leitor e autor sem maior contribuição publicamente reconhecida, é Manuel Bandeira. Ele nem era da minha turma: conservador, cristão praticante, de vida frágil em seus refúgios e poeta militante da UDN, a União Democrática Nacional.&lt;br /&gt;Como exemplo da modernidade e pertinência de Bandeira, reproduzo um poema-manifesto estético que Bandeira publicou em 1930, intitulado &lt;em&gt;Poética&lt;/em&gt;. Para dar um formato mais claramente de manifesto, uni algumas linhas formando frases, sem tirar nem por. O original integra o livro &lt;em&gt;Libertinagem&lt;/em&gt;. Sempre que releio este texto, fico em silêncio, admirado com tudo que está dito (e enfatizado por repetições) em apenas 149 palavras (sem contar o título):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poética, Manuel Bandeira&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Estou farto do lirismo concedido, do lirismo bem comportado, do lirismo funcionário público, com livro-ponto, expediente, protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de cada vocábulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo os puristas. Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais.&lt;br /&gt;Todas as construções sobretudo sintaxes de exceção. Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou farto do lirismo namorador, político, raquítico, sifilítico,&lt;br /&gt;do lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.&lt;br /&gt;De resto, não é lirismo: será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero antes o lirismo dos loucos, o lirismo dos bêbados, o lirismo difícil e pungente dos bêbados, o lirismo dos “clowns” de Shakespeare.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;........................................................................................................................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta percepção estética e compreensão do objetivo ou função social da poesia (além da atualidade, 77 anos depois), paradoxalmente, é fruto da imaginação e luta com as palavras de um autor equivocadamente dado como apolítico, poeta menor, frágil lírico à beira dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo equivocadamente porque Manuel Bandeira, longe de ser um sonhador de costas para a realidade, foi trabalhador braçal da escrita por anos e anos. Traduzia despachos de agências de notícias internacionais durante a II Guerra Mundial, além de outras atividades intelectuais tidas como “inferiores” na República das Letras. Assim, por ofício (ainda que temporário e esporádico), era um homem a par dos acontecimentos mundiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito culto, inteligente, atento e informado sobre os eventos da “vida besta” como seu amigo Mário de Andrade definia a vida pública, ele também foi mais atuante politicamente (e publicamente honesto) do que muitos dos seus contemporâneos e sucessores. É claro que, num país conservador como o Brasil, é mais fácil ser franco à direita do que à esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel Bandeira, o poeta nacional (e não o militante udenista) tem que ser apreciado acima do lodo político do cotidiano, por sua maestria e originalidade estilística. Mesmo a serviço do retrocesso político e social, sua escrita não ofende, nem atrasa. Ao contrário, ensina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor ainda se diferencia dos seus pares por ser um dos raros poetas-símbolos do modernismo brasileiro que não escondeu suas simpatias políticas, sem temer as conseqüências da rejeição que - talvez até hoje, em tempos formalmente mais liberais - o exclua do reconhecimento como o grande ourives da arte de dizer o inefável (como ele mesmo definiu a poesia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada mais difícil para mim do que reconhecer e agradecer pelo que aprendi com o meu oposto. Neste exercício para colocar o valor poético acima das convicções político-sociais, segue o exemplo que me ocorre da poesia militante de Manuel Bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na década de 50, ele participou da campanha para o Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da União Democrática Nacional à presidência. Neste engajamento, encontram-se “pérolas” da poesia política brasileira como a que segue:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Vote no brigadeiro.&lt;br /&gt;Ele é bonito.&lt;br /&gt;Ele é solteiro.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Numa releitura do dito acima, lembrei que Platão expulsou os poetas de A República, argumentando que os poetas mentem muito. O haikai do brigadeiro de M.B., em termos políticos, confirma o dito por Platão. Sim, os poetas mentem muito, mas com que música...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os céticos e esquecidos, acrescento outra citação – esta clássica - em que Bandeira se volta contra um dos raros generais brasileiros a se lançar contra as elites de seu tempo: Henrique Lott, companheiro de chapa de João Goulart na campanha presidencial que elegeu Jânio Quadros, o candidato da UDN (sempre é bom lembrar Affonso Arinos: "Jânio no poder é a UDN de porre").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A espada de ouro, M.B.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Excelentíssimo General&lt;br /&gt;Henrique Duffles da Teixeira Lott,&lt;br /&gt;A espada de ouro que por escote,&lt;br /&gt;Os seus cupinchas lhe vão brindar,&lt;br /&gt;Não vale nada (não leve a mal&lt;br /&gt;Que assim lhe fale) se comparada&lt;br /&gt;Com a velha espada&lt;br /&gt;De aço forjada,&lt;br /&gt;Como as demais.&lt;br /&gt;- Espadas estas&lt;br /&gt;que a pátria pobre, de mãos honestas&lt;br /&gt;dá aos seus soldados e generais.&lt;br /&gt;Seu aço limpo vem das raízes&lt;br /&gt;Batalhadoras da nossa história:&lt;br /&gt;Aço que fala dos que, felizes,&lt;br /&gt;Tombaram puros no chão da glória!&lt;br /&gt;O outro da outra é ouro tirado&lt;br /&gt;Ouro raspado&lt;br /&gt;Pelas mãos sujas da pelegada&lt;br /&gt;Do bolso gordo dos salafrários,&lt;br /&gt;Do bolso raso dos operários,&lt;br /&gt;Não vale nada!&lt;br /&gt;É ouro sinistro,&lt;br /&gt;Ouro mareado:&lt;br /&gt;Mancha o ministro&lt;br /&gt;Mancha o soldado.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerrando esta intervenção com a mesma dúvida que a motivou: modernidade estética e modernidade política caminham juntas? Sempre, às vezes, nunca, nem sempre, nenhuma das anteriores... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116940872522032013?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116940872522032013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116940872522032013&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116940872522032013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116940872522032013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/modernidade-da-potica-do-bardo-da-udn.html' title='A modernidade da Poética do bardo da UDN'/><author><name>E. San Martin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116899080358765390</id><published>2007-01-16T21:36:00.000-02:00</published><updated>2007-01-17T20:17:41.290-02:00</updated><title type='text'>O imperador de um asilo de loucos e do lugar em que nascem os sonhos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário de Andrade errou. &lt;br /&gt;Ao falar sobre a criação de Macunaíma o autor afirmou que não desejava  inventar símbolos nem um personagem que  representasse todos os brasileiros. No entanto, na medida que dava vida ao herói, (por suas desqualidades) de preguiçoso, mentiroso foi percebendo as inúmeras semelhanças entre ele  e os brasileiros  ou latino-americanos em geral, que são, segundo ele, povos sem nenhum caráter. Explicando, dizia Mário:  “Com a palavra caráter não determino apenas a realidade moral não, em vez entendo a entidade psíquica permanente, se manifestando por tudo, nos costumes na ação exterior no sentimento da língua na História na andadura, tanto no bem como no mal. O brasileiro não tem caráter porque não possui nem civilização própria  nem consciência tradicional.” (1).&lt;br /&gt; Macunaíma é uma obra ímpar  na literatura brasileira pela formulação estética e temática. Mas é isso, e acaba aí.&lt;br /&gt; A bobagem  que  o teórico Mário fez ao analisar seu personagem foi de não separar a ficção da realidade.O ponto de partida para a criação de Macunaíma é a obra do etnógrafo alemão  Koch-Krunberg, que recolheu uma série de lendas dos índios taulipangues e arecunás, entre 1911 e 1913.São lendas, parte do arcabouço mítico de nações diferentes, etnias diversas, diferenciadas em usos e costumes.E para que servem os mitos e as lendas? Servem para diversos propósitos em todas as culturas, para apoiar, dar sentido a realidade, divertir,instruir e unificam culturalmente uma nação,grupo ou raça.Os  mitos como a língua, fazem parte do processo que distingue a existência de um povo.E Mário pegou um amontoado desses mitos e com indiscutível talento criou, estruturou seu personagem e sua trajetória dentro de um roteiro de ficção.&lt;br /&gt;Certa vez, conversando com Plínio Marcos, perguntei sua opinião sobre a peça Peer Gynt,do norueguês Henrik Ibsen, que estava sendo encenado em São Paulo, na ocasião, com direção de Antunes Filho. Ele  me fez uma afirmação que nunca esqueci sobre o personagem:“é o Macunaíma, lá deles”. A  proximidade estrutural das criaturas principais das duas obras é evidente.Ibsen também reúne os mitos da Noruega  e Peer Gynt realiza seu caminho entre gnomos, elfos e duendes  e vários seres fantásticos.  Peer Gynt  também não possui nenhum caráter, vive diversas aventuras, na Noruega e no exterior, viaja entre os árabes, em determinando ponto da peça é saudado como  imperador em um asilo de loucos e, em um outro, um homem estranho quer usar o seu corpo para saber onde nascem os sonhos... No final, já velho, Peer Gynt  possui uma filosofia de vida onde sua moralidade ou seu caráter se apóia em seu Eu Gyntiano. Dizer que todos os noruegueses tem a mesma índole de Peer Gynt, é um absurdo.Tanto Macunaíma como Peer Gynt como qualquer pessoa ou personagem sem caráter é  amoral e age de acordo com seus interesses e circunstâncias. Peer Gynt é uma obra excepcional. Uma bela obra de ficção, como a de Mário. O acerto de Plínio Marcos é inegável. &lt;br /&gt;Agora, qual é o valor ou o interesse de se discutir hoje, passado tanto tempo que Macunaíma foi escrita e já consta em nossos livros de história literária como fato consagrado?A razão é  a questão do caráter e da índole e a realidade moral de nosso país, cuja análise  não perde nunca  a atualidade e está sempre em discussão e, é importante que assim seja. É através da correção desses erros que teremos talvez, a noção verdadeira da natureza de nosso etos, no sentido sociológico-antropológico que Mário  de Andrade atribuiu ao seu personagem.&lt;br /&gt;E o erro teórico de Mário foi grande.Não é possível medir o caráter de um  povo por suas lendas ou por seus mitos quando os parâmetros são de uma cultura examinando outra com instrumentação antecipadamente elaborada. Não há civilização brasileira, e nem uma consciência tradicional, não existe  isso  em sociedades em mutação ou mudança.. Uma civilização é um processo terminado, acabado e mesmo nesse termo classificatório é necessário estabelecer parâmetros, a civilização  grega  se divide em períodos como a civilização egípcia.E não se pode aplicar uma regra comum civilizatória a todos os períodos. A questão da consciência nacional é pior ainda.Se houvesse, por exemplo, uma consciência nacional francesa,ou uma civilização francesa, num país que tem mais mil anos como a França,os excluídos,os sem o primeiro emprego, não estariam ateando fogo no país como fizeram em 2005.Estariam preservado essa civilização francesa e a consciência nacional com todos os seus valores de caráter e moralidade. Bobagem.&lt;br /&gt;  Enquanto a história da Noruega se perde no tempo, assim como seus mitos, os mesmos mitos que alimentam a obra de Mário também, são particulares e localizados. E de origem e tempo duvidosos.Adequá-las a uma realidade imediata é sempre um risco. Pode-se dizer que  pertencem ao povo brasileiro como substrato de sua cultura,mas não formativo de seu caráter.Como exemplo, a lenda do Muiriquitã é da tribo míticas de mulheres do Amazonas(essas também conhecidas entre os mitos gregos), e assim como tantas outras que fazem parte da rapsódia de Mário.&lt;br /&gt;As elites brasileiras e, quando me refiro elites não falo apenas das elites de poder, mas as elites culturais, têm um péssimo hábito, já histórico, de desprezar o povo que deu origem e mantém esse país. O caldo cultural que formava o Brasil na época de Mário era menor, índios, portugueses, negros e o italianos que já haviam enriquecido  o país com o seu trabalho. Somaram-se depois, os japoneses, árabes, turcos, coreanos e atualmente são os bolivianos que trabalham como escravos nos porões de São Paulo.O Jeca Tatu, de Lobato, é o retrato de uma realidade agrária num país que só tinha dois produtos, cana de açúcar e café e que dava seus primeiros passos para  industrialização, na década de 20 do século XX. Esse  personagem de Lobato estava mais próximo do brasileiro pobre do interior do país do que o de Mário.&lt;br /&gt;Quando falam mal do povo brasileiro, esquecem essas elites às lutas pela liberdade e os grandes sacrifícios e o sangue derramado que tem  estruturado a nação.&lt;br /&gt;Mentirosos, é quase sempre atributo das elites de nossos país, o povo, no máximo, se defende, é reativo.A generalização é perigosa. A partir da década de 60, com o golpe militar que se perpetuou por quase trinta anos,o país emburreceu mais.A inteligência foi atacada de forma sistemática pelos  militares, Groucho Max dizia: &lt;em&gt;“Inteligência militar são termos contraditórios”, &lt;/em&gt;universidades, arte,resistência tudo foi sistematicamente combatido em nome de revolução de mentiras e privilégios ainda maiores para a casta e seus apaniguados ligados ao poder. Consagrando a lei de levar vantagem sempre. E o que esses militares fizeram, também foi estimular exponencialmente a miséria, a exclusão social da maioria do povo. No intuito de aumentar a distância entre aqueles que combatiam de qualquer forma o status militar eles  criaram a divisa: ame-me ou deixe- o, com o objetivo de confundir a noção de amor e respeito ao país ao  respeito e  amor a uma ditadura militar.Como se eles fossem a nação, donos da nação e homens do povo, e não um conjunto separado da sociedade, regido por normas próprias e distintas de toda ela.Funcionários públicos privilegiados, como até hoje são, homens que portam armas e que dispõe de privilégios diferenciados da maioria da população.&lt;br /&gt;Nenhum governo é a nação.Todo o governo é um conjunto de interesses e representa sempre uma parcela, nunca a totalidade de uma nação. &lt;br /&gt; A lei, o direito, a estrutura social nunca está a favor dessa maioria. Foi esse povo, “preguiçoso” que sem ter a quem recorrer migrou do nordeste e  continua erguendo com o seu trabalho  São Paulo, entre outras cidades do país.É desse  mesmo povo que deixou seu sangue nas batalhas que se espalham por nossa história. Nos 500 anos do Brasil, nunca houve um século, em que não houvesse guerras, lutas internas,quase sempre por liberdade. É esse povo que, ainda hoje, carrega pesos enormes nas costas para sustentar sua família e os seus, com honestidade do trabalho duro na chamada economia invisível, e continua sendo atacado pela forças da repressão, que defendem (em seu próprio beneficio) o imposto e os comerciantes legalmente estabelecidos.E esse povo que continua suportando os erros dos economistas e líderes bem pensantes e bem sentados nos altos cargos da república. &lt;br /&gt;É este povo que ainda encontra forças para cantar “sou brasileiro com muito orgulho” nos poucos espaços que possui para manifestar a sua  felicidade e alegria em habitar um terra tão diversa e tão bela como essa.E levar essa característica de  preguiçosos e mentirosos para América Latina é  continuar a cometer o mesmo  crime de desrespeito a culturas diversas como que o foi cometido pelos “descobridores /conquistadores” com roubos, e assassinatos culturais, alguns  irreparáveis.&lt;br /&gt;Mario de Andrade acertou  inúmeras vezes, mas nesse caso ele errou.É pretensão demais de um intelectual, um tanto megalomaníaco, capaz de achar que um personagem seu, seja capaz de representar a essência e a índole de toda uma nação.É preciso respeitar essa terra e suas criaturas, algumas ainda indefesas, cuja espécie e ou etnia existe a bem mais que 500 anos.É preciso dobrar a língua quando falar mal desse país e de seu povo, bem como sua história de sacrifício e coragem.O  Brasil sempre foi  e continua sendo um país mítico, é preciso, isso sim, manter vivos seus sonhos porque é aqui, com certeza,  que os sonhos nasceram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(1) Português:Linguagens –William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães- Ed.Atual&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116899080358765390?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116899080358765390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116899080358765390&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116899080358765390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116899080358765390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/o-imperador-de-um-asilo-de-loucos-e-do.html' title='O imperador de um asilo de loucos e do lugar em que nascem os sonhos'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116852876151141521</id><published>2007-01-11T13:12:00.000-02:00</published><updated>2007-01-16T23:35:20.553-02:00</updated><title type='text'>Tu vais? E você, vai? E a grande dama</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt;- Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Ednei Silvestre fez uma matéria para o Bom Dia Brasil (28-12-2006) sobre Bárbara Heliodora &lt;em&gt;www.barbaraheliodora.com&lt;/em&gt;  estar traduzindo toda a obra de Shakespeare para o português.Não vi ainda uma reportagem importante sobre essa grande dama do teatro brasileiro, também não foi dessa vez.Com experiência de quem já interpretou, dirigiu, lecionou e escreve sobre teatro, ela distingue-se como uma verdadeira dama do teatro brasileiro, não imposta pela mídia que de acordo com suas conveniências determina quem é quem, baseada em critérios momentâneos. E agora ela traduz para o Brasil, Shakespeare.  &lt;br /&gt;  Na minha opinião, no século XX surgiram e alteraram o visão do teatro três grandes teóricos sobre o assunto, o russo Constantin Stanislavski (1863-1938),  o polonês Jerezy Grotoviski e Bertolt Brecht. Dos três, a mais larga, profunda e duradoura influência com certeza é de Stanislaviski, seu Preparação do Ator (ed. Civilização Brasileira), transformou a atuação dos atores, não apenas na Rússia, sua influência se  espalhou na forma de interpretação a todos os grandes atores,  inclusive os que atuam  no cinema norte- americano. Ele trouxe a realidade para o teatro, o ator vive o personagem, veste o personagem, ao interpretá-lo, com os gestos e atitudes da vida real, sem artificialismos.O padrão antes de Stanislaviski, era o ator artificial, empolado, com raras figuras que atuavam de forma intuitiva. Jerzy Grotowsy introduziu pouca alteração nesse pensamento sobre a interpretação,  internalizando mais os gestos, buscando até mais os aspectos psicológicos da interpretação,  para ele o gesto nasce antes das palavras.Quem trouxe uma visão diferente  nesse contexto foi Brechet, ele   criou o distanciamento, a consciência critica do ator sobre o personagem que interpreta (existe uma palavra em alemão para esse conceito que ocupa quase uma página), esse atitude do ator,segundo Brechet também provocaria no público uma consciência critica do que via no palco.Com essa consciência de Brecht, o ator deixaria de ser meio, médium e se tornaria parte distinta no processo criativo do autor.Mas isso só funciona e relativamente na obra de Brechet, até porque exigiria um volume maior de autores com a mesma visão dele sobre o teatro e a sua importância transformadora na sociedade. O que não acontece com o método de Stanislaviski, o conceito dele foi e, é uma revolução no teatro, na maneira de interpretar.O ator é médium(ele nunca disse isso, quem diz sou eu) e, quanto mais, melhor.&lt;br /&gt; Essa visão do papel do ator sobre o palco criou uma maneira de ver teatro e suas derivações, cinema, televisão, padrão.Temos dificuldade em crer na veracidade do personagem, em filme, teatro,performances, quando o ator está distanciado do personagem que interpreta.O melhor ator é aquele que deixa de existir e funde-se com o personagem.&lt;br /&gt;  Na reportagem que realizou, como apoio a matéria, Ednei destacou no cinema atores que interpretaram Shakespeare,sem distinguir o teatro (onde ator não pode errar em cima do palco) do cinema, duas linguagens diferentes,mas vamos lá, destacando a do irlandês Kenneth Branagh em Much Ado About Nothing (Muito por Nada- que na tradução virou Muito barulho por nada), em detrimento de várias outras,incluindo na lista Marlon Brando e Mel Gibson. Esse filme é um pouco fora de todos os filmes,teatro filmado, sobre a obra de Shakespeare, a começar pelos atores,  acho que o irlandês que o produziu e o escreveu não pagou um centavo a eles, todos estavam ali por puro prazer de interpretar, e há interpretações impagáveis, Michael Keaton faz um Dogberry simplesmente notável.É isso que a obra de Shakespeare provoca: a possibilidade sempre e única de uma interpretação magnífica do ator, além da profunda humanidade em seus personagens. É a síntese do teatro.É o teatro perfeito.Kenneth Branagh tem outra adaptação mais luxuosa sobre Hamlet, que tira o fôlego de alguns atores ao interpretarem aqueles enormes bifes do bardo de Stratford-Upon -Avon? Há uma lenda que diz que Shakespeare teria sido ator e há outra que ele teria sido Francis Bacon, filósofo, ensaísta,criador do empirismo, que deu a ciência atual a sua base. Estou mais inclinado a aceitar a segunda hipótese da lenda do que a primeira, pela profundidade dos temas abordados, a familiaridade e a intimidade com as intrigas palacianas, o conhecimento de culturas distintas, Romeu e Julieta é uma tema italiano anterior ao período de existência de ambos.Coisa que um ator, dificilmente alfabetizado, da época,(1500 e pouca coisa) poderia  dominar com tanta maestria...Gênios existem e seja como for, qualquer um dos dois, a obra é coisa de gênio, não de um teatrólogo normal.E que textos! &lt;br /&gt; Grandes atores ou grandes atrizes raramente pensam sobre o teatro, são, no máximo, grandes intérpretes.Por isso, existem tão poucos atores-autores.No Brasil, é possível contar nos dedos, Maria Clara Machado, Guarnieri, Juca de Oliveira, Plínio Marcos. Com esse último conversei várias vezes e chegamos a jogar futebol juntos,num time de pata duras, que jogava na periferia de São Paulo. Certa vez encontrei um dos originais de Quando as Máquinas Param num depósito que o Teatro de Arena e fiquei surpreso com a exigüidade do  texto, possuía, no máximo quinze folhas de diálogo. Plínio Marcos fazia um teatro forte, revolucionário, na linguagem e extremante realista- e continua sendo representado.Lembro dele na estréia do Balbina de Iansã,(1970)na portaria do teatro atento aos espectadores pagantes e não pagantes como eu.&lt;br /&gt;  Mas, deixando as lendas de lado para falar um pouco mais sobre a influência, do  trabalho critico de Bárbara Heliodora. Um diretor-autor de teatro me contou recentemente: -estávamos as moscas, o público só apareceu depois da critica positiva de Bárbara Heliodora”.  No Brasil, no início desse novo século, pouca gente tem a capacidade e autoridade de dizer: -vá  ver que é bom, vá que é importante, sem errar.Principalmente em uma área que sensibilidade vive na flor da pele e, é vivida com muito mais intensidade que, talvez, em qualquer outra área artística.E onde cada interpretação é única.  &lt;br /&gt;  Voltando a tradução, para fugir das antigas fórmulas que usam uma linguagem empolada, ela optou pela coloquial e usa o tu e você, simultaneamente, na mesma frase: - é assim que falamos -diz ela, justificando. Língua é uso.A língua está a serviço dos artistas, dos criadores, assim como a cor, a tela ou objeto está  para o artista plástico e não ao contrário.A opção da  tradutora é correta.Até que o português que falamos atualmente fique arcaico, lá pelo século XXII.Meus aplausos para Bárbara Heliodora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116852876151141521?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116852876151141521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116852876151141521&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116852876151141521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116852876151141521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/tu-vais-e-voc-vai-e-grande-dama.html' title='Tu vais? E você, vai? E a grande dama'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116846440673156461</id><published>2007-01-10T19:24:00.000-02:00</published><updated>2007-01-10T19:34:50.450-02:00</updated><title type='text'>New York, Nova York, Nova Iorque</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E. San Martin, Nova York&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um leitor da NOVA KLAXON com gabarito e conhecimento de causa, invocou-se com eu escrever de &lt;strong&gt;Nova York&lt;/strong&gt;. Ele, que é filólogo, etimólogo e dicionarista até cansar a vista, tem certeza que o certo é &lt;strong&gt;Nova Iorque.&lt;/strong&gt; Notei que dois dos participantes do blog com vasta erudição ortogramatical, Marco Celso Viola e o Emanuel Medeiros Vieira, adotaram a ortografia sugerida pela maior autoridade lingüística a entrar no debate. Eu hestitei. Mais que isto, assinei um blog de &lt;strong&gt;New York&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns, como o Nei Duclós, estão comigo. A imprensa e o uso popular brasileiro consagrou &lt;strong&gt;Nova York&lt;/strong&gt; e fim. A língua é do povo. Além disso, dizer que o Príncipe Charles é o Duque de York, não é dizer que Príncipe Carlos é o Duque de Iorque.... E como se escreve o condado de Yorkshire em brasileiro, Iorqueshire?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que moro aqui desde o século passado, também sei que, no cotidiano da cidade onde vivo, há &lt;strong&gt;Nova Iorque&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;New York&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;New York&lt;/strong&gt; é onde eu e a maioria dos imigrantes moramos, com ou sem papéis. É a &lt;strong&gt;New York&lt;/strong&gt; dos trens que não vêm, do lixo por recolher, das longas viagens à Queens, Brooklyn e, pior, em Newark, a principal comunidade de língua portuguesa de Nova Jersey. New York é o palco da luta diária por um pedaço de pão. Que em &lt;strong&gt;New York&lt;/strong&gt; é muito bom, vale o esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nova Iorque&lt;/strong&gt; é a rua 57 à noite, perto da 5ª Avenida, o saguão do Lincoln Center em noites de óperas a 250 dólares o ingresso, ou dos não muito mais baratos musicais da Broadway. Ali, pequenos e grandes milionários brasileiros misturam-se com a massa de estrangeiros e passeiam com suas esposas e acompanhantes cheias de brilhantes, ouros e diamantes, além de roupas das butiques com os preços mais extravagantes. &lt;strong&gt;Nova Iorque&lt;/strong&gt; é uma cidade onde os políticos federais vêm receber prêmios e tomam café nas esquinas (não há esquinas em Brasília), dão gorjetas absurdas depois do segundo uísque e cambaleiam pelas ruas com apenas um ou dois guarda-costas, achando que isto sim é que é liberdade. Esta &lt;strong&gt;Nova Iorque&lt;/strong&gt; não é para qualquer brasileiro. É para quem  anda de limusine, usa “smoking” para as festas e só veste ternos comprados a seis mil dólares em Saville Row em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Situado os dois extremos, vou continuar assinando da forma mais consagrada na pátria que me pariu, Nova York, que é um pouco de tudo, típica geléia lingüística do hibridismo nacional. Afinal, quem negaria que o Brasil é um país híbrido? Professor, a língua é do povo como o céu é do condor. E cada povo tem a língua que não esquece.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116846440673156461?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116846440673156461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116846440673156461&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116846440673156461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116846440673156461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/new-york-nova-york-nova-iorque.html' title='New York, Nova York, Nova Iorque'/><author><name>E. San Martin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116835280674045672</id><published>2007-01-09T12:23:00.000-02:00</published><updated>2007-01-09T12:26:46.750-02:00</updated><title type='text'>O TEMPO É A PÁTRIA DO MIGRANTE</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nei Duclós, de Florianópolis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julio Monteiro Martins, o mais importante escritor brasileiro em atividade no Exterior, abre o verbo: "Tudo está por ser escrito. Temos poucos escritores diante da velocidade e profundidade das mudanças. O escritor contemporâneo está em busca desesperada de uma nova forma de romance. A literatura é o único discurso com força suficiente para enfrentar a manipulação feita pela publicidade e pelos governos. Temos hoje a distorção histórica dos fatos, mesmo os recentes, que são apresentados como eventos não ligados à cultura, à política, e à ideologia, como é o caso da invasão da Manchúria feita pelos japoneses e que estava sendo ensinada para os estudantes como se fosse uma expedição científica de pesquisa e não uma invasão militar (manipulação presenciada pelo próprio Julio quando morou no Japão). A pátria do migrante é o tempo em que vive, é a sua época. O migrante morre quando perde seu país e sua identidade, e vai renascer em outro lugar". Julio diz que no Brasil ele é tratado como um escritor do passado (o que acontece com várias pessoas da nossa geração). Sou um escritor planetário, diz, nessa entrevista importantíssima dado ao médico pediatra e também escritor Franco Foschi para a Associazione Scrittori Bologna&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REVOLUÇÃO - Toda a maravilhosa conversa de Julio está no endereço http://www.arcoiris.tv/. Optei pelo formato MP3, que carrega rápido. O que preocupa Julio, que fala um italiano limpo e totalmente compreensível para seus conterrâneos (graças ao domínio que conquistou dessa língua que ele reforça ser muito amada em todo o mundo), é que o neoconservadorismo, inaugurado por Tatcher e Reagan, já vai para a terceira geração. O Pensamento revolucionário está morrendo junto com as pessoas que se formaram fora da hegemonia da nova direita, diz Julio. Os destaques da entrevista são a sua contundente análise sobre o que vivemos hoje e a importância de nunca mais termos censura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motivo da entrevista é o lançamento do seu terceiro livro escrito em italiano, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Madrelingua&lt;/span&gt;, que é um trabalho de experimentação literária, escrito em pleno estado patrimonialista (segundo sua definição) do governo Berlusconi. Madrelingua é a hipótese de um novo romance que possa espelhar o homem contemporâneo , diz. Ou seja, é uma das suas inúmeras contribuiições, pois como assinalou na entrevista, na sua estréia como escritor no Brasil lançou Bárbara, que é um conjunto de contos breves que formam um romance. O mesmo personagem costura as narrativas, com a diferença de que em cada uma delas está numa idade diferente. Essa é uma das suas inúmeras experiências, neste oficio que lhe toma todas as horas do dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LAVAGEM - Vivemos hoje um processo sofisticado hegemônico de lavagem cerebral, diz Julio. Contra o sistema imposto, a literatura oferece a ambigüidade, a manifestação humana livre e utópica. É preciso resgatar e aprofundar a utopia para encontrarmos uma saída para esse impasse. A literatura está no coração da resistência ao sistema. Hoje não é mais possível fazer um jornalismo alternativo( acrescento: já que a ditadura financeira internacional tomou conta da mídia, como já alertam os estudiosos). Dizer a verdade é o canal. Por isso o escritor é uma reserva ética da humanidade e seu oficio deve ser estimulado e preservado. A literatura é a consciência, e está a serviço de uma visão não pasteurizada da realidade. Trata-se de uma missão não imposta, nascida da próprio senso de humanidade do escritor . Por sua extraordinária liberdade, a literatura é um ato perigoso. O maior risco do escritor é o da autocensura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É emocionante ouvir Julio falar da sua &lt;a href="http://www.sagarana.net"&gt;Sagarana&lt;/a&gt;, a melhor revista cultural o­n line do mundo, consideradissima na itália. São mil e cem acessos únicos por dia, diz Julio e 48% são da Itália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERFIS - A seguir, reproduzo os perfis do entrevistado e do entrevistador. No original, numa homenagem à língua de Dante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julio Monteiro Martins è nato a Niteròi in Brasile. Ha insegnato scrittura creativa in alcune prestigiose università americane del nord e del sud. In Brasile ha pubblicato nove libri, tra romanzi e saggi. Avvocato, ha difeso i meninhos de rua nei processi che li riguardavano. E' uno dei fondatori del Partito Verde ambientalista brasiliano. Da anni vive in Italia, dove insegna all'Università di Pisa Lingua Portoghese e Traduzione letteraria. In italia ha già pubblicato tre libri di narrativa. Di assoluto interesse la sua splendida rivista o­n line SAGARANA (www.sagarana.net). In questa lunga e brillantissima intervista si parla di letteratura, ma anche di politica, di globalità e migrazione, e di straordinaria fiducia nel futuro dell'umanità, nonché dell'incessante bisogno di 'resistenza'. A partire dal suo ultimo romanzo, "madrelingua", uscito per l'editore Besa"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franco Foschi, pediatra e scrittore, dopo l'esordio con una sceneggiatura radiofonica e racconti su varie riviste, ha pubblicato tre romanzi, Niente è come appare (Hobby&amp;Work, 1998, ristampa 2004), Maria e le pistole limate (EL, 2000) e Un inverno dispari (a quattro mani con Guido Leotta, Mobydick, 2003), due raccolte di racconti, Beltenebros e altre amene crudeltà (Mobydick, 1998, premio Città di Bologna) e Piccole morti senza importanza (Todaro, 2003), più un paio di libri decisamente atipici, Il re dei ragni (Mobydick, 2000, con prefazione di Stefano Benni) e H (Mobydick, 2002).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116835280674045672?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116835280674045672/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116835280674045672&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116835280674045672'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116835280674045672'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/o-tempo-ptria-do-migrante.html' title='O TEMPO É A PÁTRIA DO MIGRANTE'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116801549722420982</id><published>2007-01-05T14:38:00.000-02:00</published><updated>2007-01-07T19:51:41.950-02:00</updated><title type='text'>LEÃO DE FORMOSA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt;- Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho aqui um livro raro. Um exemplar único de um poeta que poucos escritores/poetas no Brasil tomaram conhecimento: o mineiro Altino Caixeta de Castro (1916-1990) ou Leão de Formosa. Affonso Romano Santa Anna  escreveu sobre ele no Suplemento Literário de Minas Gerais, já há alguns anos, há também um texto sobre ele na Revista Agulha- http://www.secrel.com.br/jpoesia/ag15caixeta.htm-da poeta Maria Esther Maciel, que vale ser lido por quem quiser conhecer um pouco mais sobre a poesia dele. O título do livro: Cidadela da Rosa:Com Fissão da Flor- Ed. Horizonte Editoral, de Brasília(1980).Altino é natural  de Lagoa Formosa- Minas Gerais- cidade cujo brasão ostenta o dístico criado pelo poeta: “Formosa - Terra do Libertapovo. O que é uma sensível homenagem ao poeta que canta a sua aldeia e, é universal como quer e, é citado por ele Tolstoi.&lt;br /&gt;O exemplar que está sob minha guarda é de José Fonseca é raro porque além de estar revisado pelo poeta, certamente não será encontrado nas boas livrarias do ramo. Leão de Formosa editou dois livros, esse, que é uma antologia de seu trabalho e “Diário da rosa errância e prosoemas”.O fato de ter publicado apenas dois livros, além de colaborações a jornais  é uma boa  demonstração que não é o volume de publicações que faz um bom poeta, mas a essência do que ele escreve.Escolhi alguns trechos e  poemas do livro que talvez possam dar a dimensão da obra  de Altino,que pouco saiu das fronteiras de sua cidade, mas as transcendeu com sua poesia.Entre os poemas escolhidos alguns mostram as ligações com o arcadismo(imagens relacionadas ao pastor, sempre presente em sua obra, como as cabras,ovelhas), sem deixar de ser contemporâneo.Leão de Formosa trafegou por praticamente todos os gêneros da poesia, do tradicional soneto as radicais experiências com  palavra, mas sempre fazendo poesia, só poesia e boa  poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta ser em caminho&lt;br /&gt;dos descampados ali se embosca&lt;br /&gt;se embrusca fauno faminto&lt;br /&gt;em cinzas fezes flores&lt;br /&gt;pastor do labirinto.&lt;br /&gt;                  ( Pastor do Espanto IV- fragmento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Morada&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não preciso do tempo&lt;br /&gt;porque sou eterno.&lt;br /&gt;Necessito apenas &lt;br /&gt;os mínimos espaços&lt;br /&gt;que demoram&lt;br /&gt;entre mim e teus braços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cura de Aldeia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele cura de aldeia&lt;br /&gt;andava pelas almas e andava pelas noites&lt;br /&gt;sabendo que as capelas andavam cheias de estrelas.&lt;br /&gt;Aquele cura de aldeia&lt;br /&gt;andava de homem em homem&lt;br /&gt;matando a fome da última ceia.&lt;br /&gt;Aquele cura de aldeia conhecia as aldeias e conhecia&lt;br /&gt;os caminhos de todos os lados,&lt;br /&gt;mas o que ele queria mesmo era guardar&lt;br /&gt;os cordeirinhos tresmalhados.&lt;br /&gt;Aquele cura de aldeia só tinha uma loucura;&lt;br /&gt;nas noites de lua cheia&lt;br /&gt;nas noites de lua escura, subir montanha, andar planuras,&lt;br /&gt;e  no coração de sua aldeia &lt;br /&gt;realizar a  última cura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Anáforas de minha cartola&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você tirou o pombo do meu adejo&lt;br /&gt;Você tirou a face de minha aurora&lt;br /&gt;Você tirou a ganga de minha lavra&lt;br /&gt;Você tirou o umbigo do meu beijo&lt;br /&gt;Você tirou o gume de minha espora&lt;br /&gt;Você tirou a boca de minha palavra&lt;br /&gt;  Você tirou o punho de meu ensejo&lt;br /&gt;Você tirou a face de minha estória&lt;br /&gt;Você tirou o galo de minha garganta&lt;br /&gt;Você tirou o trigo de meu despejo&lt;br /&gt;Você tirou o lume de minha glória&lt;br /&gt;Você tirou a boca do meu espanto&lt;br /&gt;Oferta: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tâmaras furadas de sombras&lt;br /&gt;Há pérolas furadas de areia&lt;br /&gt;Há rosas furadas de rezas&lt;br /&gt;Há ramas furadas de lágrimas&lt;br /&gt;Há faces furadas de facas&lt;br /&gt;Há sonhos furados de azul&lt;br /&gt;Há pólos furados de sul&lt;br /&gt;Há éguas furadas de tacas&lt;br /&gt;             Há risos furados de frisos&lt;br /&gt;             Há cachorros furados de couros&lt;br /&gt;             Há falas furadas de anil&lt;br /&gt;             Há redes furadas de verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; É preciso dizer mais alguma coisa sobre a poesia do Leão de Formosa?Sim, só devolvo o livro para seu legítimo dono, sob ameaça, ou no caso de ficar  sabendo o que está acontecendo atualmente com ele em Pequim.  Caso contrário ele não o terá de volta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116801549722420982?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116801549722420982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116801549722420982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116801549722420982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116801549722420982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/leo-de-formosa.html' title='LEÃO DE FORMOSA'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116784303767996555</id><published>2007-01-03T14:48:00.000-02:00</published><updated>2007-01-17T15:42:42.280-02:00</updated><title type='text'>MISTICISMO DE BUTIQUE</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;- Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não pode fazer nada avacalha, dizia um personagem de “O Bandido da Luz Vermelha”, do saudoso amigo (conterrâneo de Santa Catarina), Rogério Scanzerla.&lt;br /&gt;A ditadura acabou. Já não nos dão choques elétricos ou nos colocam no pau-de-arara (nas delegacias deste Brasil, tudo isso continua ocorrendo com os presos pobres, no geral negros e sem voz).&lt;br /&gt;Todo o quadro mundial está confuso.&lt;br /&gt;Mas percebe-se uma tendência, inclusive entre as “peruas” de sociedade, que é a busca de algo “espiritual”, para não aparecerem como são: burras, fúteis, egoístas.&lt;br /&gt;Nada como um misticismo que qualifico de butique, para justificar as vidas vazias.&lt;br /&gt;(Lógico que dói ver na terra de Dostoievski e Tolstói, místicos de butique e da mídia fazerem enorme sucesso. Não só lá, como em todo mundo. As pessoas evitam falar sobre isso. Pode parecer despeito de outros escritores. Mas os tumores precisam ser lancetados.)&lt;br /&gt;Há uma espécie de imbecilização e infantilização gerais.&lt;br /&gt;Como não se estuda mais filosofia, não se vão aos autores originais, pegam-se pílulas, como antigamente ficava-se feliz em 10 lições.&lt;br /&gt;O aparato lembra o orientalismo. É como a fala de alguns ministros ditos da Cultura.&lt;br /&gt;O recheio parece profundo, fala rebuscada, citações de auto-ajuda, mas se examinarmos bem, não sobra nada de realmente relevante.&lt;br /&gt;Esprememos e não sai nada.  É puro vazio. Pura estupidez e mediocridade. Os bajuladores aplaudem. Na Brasília oficial eles sempre andam com um séquito de puxa-sacos. Essa gente nunca deve ter lido um livro na vida. Livro mesmo. Não falo de obras de chamada auto-ajuda (ajuda para os bolsos dos que as escrevem).&lt;br /&gt;O discurso rebuscado é puro vazio. O vazio típico daqueles que nada têm a dizer. Puro formalismo oco. Talvez seja herança dos estruturalistas, concretistas e seus cúmplices.&lt;br /&gt;Percebam: foi no auge da ditadura que eles cresceram e prosperaram. Carpeaux já tinha percebido o embuste.&lt;br /&gt;Como não podiam se esconder debaixo da cama fingiam que nada acontecia e subiam nos seus carguinhos universitários.&lt;br /&gt;Quem discordava, era expelido, expurgado ou sofria a conspiração do silêncio.&lt;br /&gt;(Lembro que a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1972, me proibiu de fazer mestrado em Literatura Brasileira A alegação era que eu não tinha curso de Letras. Mero pretexto. Motivo real: eu tinha processo político nas costas e os donos do curso recém-criado (ou donas, algumas oriundas da UDN) lambiam as botas do militares.&lt;br /&gt;Os “proprietários do mestrado”  não queriam confusão com eles.  E havia também algo mais humano, atemporal: a inveja.   Era a prática de puxar o tapete alheio, com a convicção de que  “subiriam” agindo assim. Outros, “colegas” fechavam a boca, Pilatos de província. Faziam o curso da Escola Superior de Guerra (ADESG) e prosperavam na carreira universitária, redigindo suas teses ilegíveis. &lt;br /&gt;Hoje são todos “democratas”, alguns até se dizem de “esquerda” e se filiaram ao partido oficial, o Arenão dos novos tempos.)&lt;br /&gt;Fechei o parênteses. Não é lamento. É memória.&lt;br /&gt;Escapamos. Continuamos vivos, lendo e escrevendo.&lt;br /&gt;E essa gente mesquinha, como disse Mário de Andrade, morrerá sem a solidariedade de si mesma.&lt;br /&gt;Não há algo pior.&lt;br /&gt;Realmente eu desejava escrever hoje algo mais solar e iluminado. Tentarei fazer isso nas outras intervenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Místicos de butique são os novos farsantes, passam como “modernos”,  mas têm a profundidade de um pires. É preciso estar atento. Lógico: e forte.&lt;br /&gt;Bom natal para todos: na minha ilha natal, na Porto Alegre da Redenção, em Nova Iorque, Pequim e na minha Brasília particular, sem trambiques, mas com verdes, gente amada e dois filhos diletos, além da única geografia que me importa: o território dos afetos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116784303767996555?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116784303767996555/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116784303767996555&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116784303767996555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116784303767996555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/misticismo-de-butique.html' title='MISTICISMO DE BUTIQUE'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116765415825889486</id><published>2007-01-01T10:20:00.000-02:00</published><updated>2007-01-03T02:03:20.330-02:00</updated><title type='text'>EXCLUSÃO SEM CHORO NEM VELA</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Nei Duclós, de Florianópolis&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar em exclusão é cair em inúmeras armadilhas. Primeiro, ceder à tentação de fazer um diagnóstico recorrente entre todos os grupos que se sentem prejudicados pela falta de atenção. Segundo, pagar o mico de se passar por uma pessoa dedicada às lamentações. Terceiro, correr o risco de cometer injustiças, atacando quem não deve ser atacado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A saída é usar um velho instrumento do jornalismo: focar o tema objetivamente, limpar a argumentação de qualquer síndrome e evitar ao máximo atirar no alvo errado. Em pratos limpos: vamos falar de exclusão, centrando fogo no boicote explícito à diversidade das manifestações do talento na mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem trabalha em redação sabe: os veículos de comunicação, em geral, não gostam de arriscar em pessoas desconhecidas e por isso vivem ocupados com as mesmas personalidades. É um vício de marketing: você reitera o Mesmo, que pode ser rapidamente identificado. Há também um fator estratégico: destacar alguém desconhecido significa, num sistema de vasos comunicantes, insuflar o prestígio do jornalista ou do veículo em quem não tem ainda prestígio. É o famoso "colocar azeitona na empadinha alheia". E, o contrário, reportar alguém famoso é pegar carona na atenção que ele vai despertar entre os leitores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é um sistema que pode ser enquadrado nos maus hábitos, mas não na falta de ética. O bicho pega quando há sistemática oposição a determinados artistas ou autores, as famosas listas negras que, como as listas que correm pelas CPIs, oficialmente não existem, mas que las hay, las hay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalismo que reporta fatos culturais costuma ocupar enormes espaços com alguns autores ou artistas eleitos. Como há um gargalo - a produção é muito maior do que o número de veículos importantes - o álibi é o chamado critério, que poderia ser sintoma de saúde se a seleção obedecesse à ética, mas torna-se doentia pelo excesso de repetição e pela má vontade mais de uma vez comprovada. O problema é que essa exclusão não se limita à mídia: num efeito dominó, os autores excluídos não são convidados para antologias, não fazem parte da percepção acadêmica e jamais são lembrados nas premiações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho esse comportamento muito estranho pois, veterano na profissão, sempre me pautei pelo comportamento oposto. Um dia, na Folha de S. Paulo (final dos anos 70), descobri que os Novos Baianos estavam no Index. Resolvi perguntar: eram os proprietários da empresa, eram os jornalistas que ocupavam os cargos mais importantes, era alguém influente que interferia na pauta? Descobri que a proibição existia, mas não consegui identificar a fonte do anátema. Como ninguém vestiu a carapuça (esconderam-se diante do confronto?), fiz matéria sobre o grupo e depois mais outros textos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro que acontecia o mesmo em relação ao Teatro Oficina, pelo menos naquela época logo depois da saída de Tarso de Castro. Fui num ensaio e o Zé Celso levou um susto: a Folha está aqui? Dei a matéria na primeira página da Ilustrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na revista Senhor, de Mino Carta, publiquei um resenha enorme (de autoria de alguém que não lembro mais) sobre "As veias abertas da América Latina" , de Eduardo Galeano, que já era best-seller, mas não tinha merecido ainda a atenção da imprensa. Quem me sugeriu a pauta foi o Luiz Schwarz, então executivo da Brasiliense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na Ilustrada, achei estranho que ninguém entrevistava o Mario Chamie, poeta importantíssimo e intelectual de primeira linha, que tinha assumido o cargo de Secretário de Cultura do município de São Paulo. Era porque o prefeito era malufista, o Reinaldo de Barros. Dei uma capa na Ilustrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, tenho acesso às páginas do Diário Catarinense, onde divulguei autores como Marco Celso Viola, que publicou seu primeiro grande livro em 35 anos de ofício poético que mereceu algumas linhas de resenhistas tentando colocá-lo na gaveta dos anos 70. Em Porto Alegre, fui falar com o grande escritor J.A. Pio de Almeida, que escreveu pelo menos uma obra-prima, As Brasinas, feixe de pequenos contos sobre pessoas e vivência do pampa. Ele fez a edição do próprio bolso e jamais divulgaram o livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pio de Almeida, na visita que fiz à sua casa, lembrou que na época em que era secretário de redação do Correio do Povo, convivia diariamente com escritores que não saíam da sua sala. Hoje esses escritores têm fama e poder, mas esqueceram de Pio de Almeida, que é autor de poucos livros, a maioria de poesia e tem uma gaveta cheia, especialmente de suas crônicas, que por décadas publicou na imprensa gaúcha. Onde estão os editores de cultura, os repórteres, que não vão entrevistá-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como autor de cinco livros, dois deles publicados neste século por duas editoras importantes (Globo e Francis), que não mereceram nem uma nota na grande imprensa (com exceção da Istoé), me identifico plenamente com a crítica a esses maus costumes. Quando pedi para ler, no ano passado, um romance publicado em 1999 por uma pequena editora do Recife (Bagaço), fiquei abismado: o livro não tinha merecido qualquer referência na mídia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consegui publicar a resenha no Rascunho e aproveitei a chance: como não houvera nenhuma manifestação, eu poderia afirmar que esse era o mais importante livro dos últimos vinte anos. Logo depois, foi publicado um ranking com os livros mais importantes da literatura brasileira dos últimos 15 anos. Claro, sem se referir a "Corações futuristas", de Urariano Mota, tema da minha resenha. Faz sentido. Tinham esquecido de rankear as publicações e tomaram providências antes que a exclusão fosse definitivamente rompida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das exclusões mais graníticas foi a de Tarso de Castro. Publiquei uma crônica no meu site, Cinco vezes Tarso de Castro, há alguns anos atrás. O texto emocionou o jornalista Jary Cardoso, que estava envolvido com o projeto de um livro sobre Tarso, que foi assumido de maneira brilhante por um dos seus filhos, Tom Cardoso. Tarso que é Tarso, que mudou a imprensa do país, foi jogado no limbo, o que resta para os outros? A exclusão é inumerável e tema importante para o debate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu dignóstico: a fonte da exclusão são os interesses de grupos, encastelados na cultura, que é um fator de ascensão social, como lembrava diariamente o Plínio Marcos na Folha da época do Tarso; a exclusão se manifesta pela ocupação de vastos latifúndios na mídia, deixando de lado a diversidade do talento, que assim fica sufocado e não chega ao público; a exclusão cultural na mídia é uma representação de uma exclusão maior, provocado pela ditadura financeira, focada na superconcentração de renda; a situação está no limite, pois a Internet está fazendo água nesse cerco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116765415825889486?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116765415825889486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116765415825889486&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116765415825889486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116765415825889486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2007/01/excluso-sem-choro-nem-vela.html' title='EXCLUSÃO SEM CHORO NEM VELA'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116738047241852400</id><published>2006-12-29T05:59:00.001-02:00</published><updated>2006-12-31T09:12:26.170-02:00</updated><title type='text'>A velha modernidade ativa em 2006</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E. San Martin , de New York&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;I - O modernismo nos pagos: Augusto Meyer&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Se li bem na página eletrônica de um jornal muito resumido no que informa a seus leitores, há interesse, pelo menos comercial, mas creio que também como curiosidade cultural, na modernidade representada pelo velho modernismo brasileiro. Uma frase de efeito para justificar o registro da publicação de uma caixa com as cinco ou seis edições da &lt;strong&gt;Revista&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Madrugada&lt;/strong&gt;, um esforço modernista de &lt;strong&gt;Augusto Meyer&lt;/strong&gt; e alguns outros a cuja obra não fui tão exposto, ou me senti o oposto. O esforço gaúcho é de 1925 ou adjacentes. Do pouco que li na vida, Augusto Meyer é um dos autores que mais admiro, pelo rigor, pela lógica, pela inventividade, a poética, a ensaística (vide leitura crítica de &lt;strong&gt;O Gaúcho&lt;/strong&gt; de &lt;strong&gt;José de Alencar&lt;/strong&gt;, creio que em &lt;strong&gt;Prosa dos Pagos&lt;/strong&gt;). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mais ainda, por ter feito uma contribuição histórica da maior importância, a coleta, edição e organização da segunda safra de poetas anônimos do cancioneiro guasca, cancioneiro farroupilha e quadrinhas de salão da poesia popular gaúcha do século XIX. A primeira geração ficou a cargo do arquiconsagrado nas coxilhas que nos unem &lt;strong&gt;João Simões Lopes Neto&lt;/strong&gt;. Na minha juventude, isto valia muito. Ninguém recomendava a leitura desse escritor que me demonstrou ser possível, mesmo morando em Porto Alegre, não achar que  Dante Barone e Dante Alighieri eram quase a mesma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A obra de Augusto Meyer é uma demonstração profunda de escrita altamente profissional. Pouco sei de sua carreira pública, entendi que foi funcionário federal durante o Estado Novo (Instituto Nacional do Livro). Na sua percepção do futuro, talvez fosse um legítimo futurista, como Marinetti e Menochi del Pichia, sem seus exageros e provocações, mas com um coração político autoritário... Tudo que Meyer escreveu, porém, é sólido, pensado, bem pesado, sóbrio mas bem humorado, com sofisticado manejo da língua e conhecimento de causa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Augusto Meyer foi o intelectual mais completo da sua geração, o mais inteligente e hábil na expressão de suas idéias. Lembro de tanta coisa que aprendi com ele, que seria falta de respeito não registrar sua incursão no jornalismo literário. A volta ou desenterro (ainda está numa caixa ou caixão...) da Revista Madrugada é resgate relevante, pelo valor histórico da redita (e agora reédita) modernidade riograndense. Não li e já gostei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Reconstrução, com memória defeituosa, de um poema "modernista" de Augusto Meyer, se não me engano de &lt;strong&gt;Poemas do Bilu&lt;/strong&gt;. (Aos que tiverem acesso aos originais: corrijam-me e eu agradeço).&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Eu sou o gordo&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o gordo&lt;br /&gt;e não me canso.&lt;br /&gt;Da razão conspícua&lt;br /&gt;da minha pança&lt;br /&gt;governo o mundo&lt;br /&gt;e a vida avança.&lt;br /&gt;Eu sou o gordo&lt;br /&gt;e abre a cancha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;II - Evento modernista do ano: as canções de Guimarães Rosa &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;O professor &lt;strong&gt;Antônio Cândido&lt;/strong&gt;, aos 88 anos de idade, deu um tom de continuidade ao modernismo "clássico" brasileiro. Ele acaba de lançar sua primeira produção musical. No CD, canta canções que recolheu na obra de &lt;strong&gt;J. Guimarães Rosa&lt;/strong&gt;. Erudito conhecedor da cultura brasileira desde suas raízes, autor de sei lá quantos ensaios que muito me ensinaram a reconhecer o que faz do Brasil, Brasil, com sua sabedoria abrangente, volta à ativa, aos 88, com uma desconstrução pós-moderna do autor de &lt;strong&gt;Urubuquaquá, no Quinhenhém&lt;/strong&gt;. A modernidade se manifesta das maneiras mais imprevistas pelos padrões convencionais e Antônio Cândido demonstra como exercê-la: reavivando o que é moderno, o que moderniza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Estou convencido de que Guimarães Rosa, se fosse jovem nos dias de hoje, teria dificuldades para publicar muitas de suas obras, pelo excesso de criatividade linguística. Talvez não as publicasse nem em vida, se não tivesse a sorte de ser ex-colega de faculdade de um Presidente da República também médico, &lt;strong&gt;JK de Oliveira&lt;/strong&gt;, que tinha interesse ideológico na modernidade (a construção de Brasília). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sobre a estréia musical de Antônio Cândido, afirmo sem medo de errar: modernidade não tem idade. Não ouvi e já gostei. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Num esforço para substanciar esta nota, cito dois textos, reconstruídos de memória e sujeitos a correção.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;1 - poema popular recolhido ou reconstruído em &lt;strong&gt;Saragana&lt;/strong&gt;, &lt;/div&gt;&lt;p&gt;(musicado por &lt;strong&gt;Sérgio Ricardo&lt;/strong&gt; para filme de &lt;strong&gt;Glauber Rocha&lt;/strong&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cozinha lá de casa&lt;br /&gt;não se varre com vassoura&lt;br /&gt;se usa só ponta de sabre,&lt;br /&gt;bala de metalhadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - poema de G.R. um dos seus pseudônimos&lt;br /&gt;(musicado por &lt;strong&gt;Dulce Nunes&lt;/strong&gt;, recriação de memória)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o moço, na estação, o moço&lt;br /&gt;ele acaba de chegar,&lt;br /&gt;a moça na janela a moça&lt;br /&gt;leva a vida a suspirar&lt;br /&gt;o moço não viu a moça&lt;br /&gt;ele é de outro lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a moça na janela a moça&lt;/p&gt;&lt;p&gt;leva a vida a suspirar&lt;br /&gt;o moço passou depressa&lt;br /&gt;ou a vida vai devagar. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116738047241852400?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116738047241852400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116738047241852400&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116738047241852400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116738047241852400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/velha-modernidade-ativa-em-2006.html' title='A velha modernidade ativa em 2006'/><author><name>E. San Martin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116724476244479000</id><published>2006-12-27T16:18:00.000-02:00</published><updated>2006-12-28T18:11:13.796-02:00</updated><title type='text'>Tambor da selva, livro como sabonete, literatura hambúrguer</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; - Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Em seu último post no Nova Klaxon, o Emanuel, tocou num ponto importante da nossa cultura de consumo, a publicidade. Como já fui redator de agência e trabalhei com toda a área da mídia, rádio, televisão, jornal, posso acrescentar um pouco mais de lenha nessa conversa.Dizem que a prostituição  é uma das mais antigas profissões do mundo, mas pra mim a publicidade rivaliza com ela em antiguidade e algumas vezes as duas se misturam.Quem já participou de uma reunião com um cliente insuportável, sabe bem o que falo ou quem já teve que escrever um anúncio para um produto que só existe porque a publicidade garante que ele existe e, são muitos, sabe também do que falo.A publicidade movimentou  no primeiro trimestre de 2005 no Brasil segundo dados do Ibope Monitor 27,9 bilhões de reais, o maior anunciante:Casas Bahia. No mês de setembro com publicidade on line, nos Estados Unidos,foram gastos 3,6 bilhões de dólares. Lá, tanto quanto aqui, os 30 maiores anunciantes são de produtos completamente dispensáveis para a vida de qualquer ser humano normal e até por isso anunciam pesado, todo mundo pode viver sem uma tv de plasma ou mesmo um iogurtinho ou uma sandalhinha que traz um microfone acoplado.Já andaram falando também, por aqui, em proibir a participação de crianças em comerciais, mas ninguém se mexeu. Em alguns países na Europa é proibido.E o Estatuto da Criança e do Adolescente? Natimorto.&lt;br /&gt;  A publicidade é uma atividade  sancionada pela neurose  obsessiva(repetitiva) de uma civilização que perdeu a noção do que é importante e necessário para viver. Está em crise nos Estados Unidos, sabem porquê? Os avanços tecnológicos, as mídias interativas, a tv paga,o controle remoto vem roubando espaço da publicidade convencional.Como saída eles estão entrando no cinema e nos seriados da tv.&lt;br /&gt;  A publicidade brasileira, de uma maneira geral, mantém os preconceitos em dia e em pé.Alguém já viu uma máquina de lavar anunciada para um homem? Não! O anúncio é sempre dirigido à mulher, alguém já viu um anúncio de sabão em pó dirigido para  homem?Não!Um fogão sendo vendido para um homem? Não!Uma geladeira?Não! Mulheres e crianças, primeiro, aliás, ao contrário, crianças e mulheres.Digo crianças primeiro, também, porque a maior parte dos anúncios é de uma obviedade tão grande que até uma ameba com meio neurônio ativo compreenderia.  Com relação às mulheres os publicitários brasileiros pensam que mulher é ótima para pilotar um fogão ou ralar a barriga no tanque. Há um anúncio onde um cantor, um chorão muito mala, aparece cantando para uma dona de casa no tanque e entrega a ela um lindo pacote de sabão em pó. Mais ridículo e idiota o anúncio não pode ser.A publicidade brasileira imbeciliza.Mas, talvez eu esteja generalizado e desprezando tão importante setor da economia e desfazendo dos talentos de nossos publicitários, alguns até com prêmios internacionais,mas se até os chipanzés se auto-protegem, porque não os publicitários?Prêmio para mim não é sinônimo de qualidade,muito menos de responsabilidade, ética ou importância.A desaparecimento dos anúncios de cigarros só ocorreu em função da proibição legal, não o contrário.&lt;br /&gt;Agora, a questão do uso das verbas públicas para publicidade na corrupção. Não entendo porque tanto barulho em torno disso, ora, as verbas não &lt;strong&gt;são públicas&lt;/strong&gt;?  &lt;strong&gt;São públicas?&lt;/strong&gt;Portanto, pertencem a todos e a ninguém e, se pertencem a todos e a ninguém, nada mais natural que aqueles que estão próximos a elas, pegarem para si. É preciso terminar  com a expressão mentirosa &lt;strong&gt;dinheiro público&lt;/strong&gt;, ou como os americanos gostam de dizer: &lt;strong&gt;dinheiro dos contribuintes&lt;/strong&gt;.Quando o dinheiro vai parar nos cofres do governo, ele já trocou de mãos, deixou de ser público, ou o governo não tem a caução pra fazer com ele o que quiser?Não é mais dinheiro público.É dinheiro sem identidade.Não está impresso nele que uma ínfima parte pertenceu, um dia, ao seu Zé que  entregou aos cofres que, &lt;strong&gt;não são públicos&lt;/strong&gt;, através do imposto embutido em um quilo de feijão comprado na mercearia próxima à sua casa. Deixou de ser público e, é de quem tem a chave do cofre.É preciso  responsabilizar aqueles que são responsáveis pela fiscalização da aplicação desses recursos, ou a Justiça Federal, o outro poder, não existe para isso? Não ganham bem para isso?O resto é retórica eletiva.Não sou tão otimista a ponto de acreditar que a corrupção algum dia vá acabar, ela está presente em todos os cantos do globo, quanto mais pobre, mais miserável o país, fisicamente e mentalmente, mais ela frutifica.A exceção, é lógico, da Suíça, mas lá parece que todos estão mortos, agora, num certo país de gente muito viva e cheio de cobras criadas...Como também não acredito como Emanuel que desmistificando a publicidade vá melhorar a literatura.Para vender, a publicidade pode ser autofágica e se necessário, ela mesmo se desmistifica.É mais ou menos aquilo como o jornalista da década de 30, H. L. Mencken* dizia de Roosevelt: &lt;em&gt;“Se Roosevelt achar que se converter ao canibalismo pode lhe render votos, mandará engordar um missionário no quintal da Casa Branca”.&lt;/em&gt;É o mesmo com a publicidade, vale tudo para vender e só vale se vender, ou a conta, o cliente, o dinheiro, migra rapidamente para outra agência.É o poder do capitalismo exacerbado até o limite do desespero.A força da publicidade não advém dela própria, mas do dinheiro que a mantém, do dono da fábrica de panelas, dos provocadores de arroto internacionais,dos donos da fábrica de dentifrício.Já a literatura como substância, ente de criação, tem um abismo que separa da publicidade, intransponível.São duas coisas completamente distintas.Certa vez entrevistei Alfredo Machado(faleceu em 1991), criador da Editora Record, ele me disse em alto em bom som que o livro para ele era um produto como sabonete. Deveria ser vendido como se vende sabonete.Aparentemente deu certo a estratégia, a Record é dona hoje de duas das ex-maiores importantes editoras do país, Civilização Brasileira e José Olympio.E anuncia, os idiotas dos romances da Equipe denominada Norma Roberts editada pela Bertrand Brasil, outra sucursal da Record, estão presentes nos luminosos das grandes redes de livrarias do país. Mas o que Alfredo Machado não me disse é, que ele tinha em sua editora, bem menor, na época, que agora, (na ocasião a sua esposa reclamava que ele levava muito livro para o apartamento e ela temia que aquilo desabasse no apartamento do vizinho), um ótimo catálogo, misturado com muita bobagem vendável.&lt;br /&gt;  A comprovação que a publicidade não faz a mínima diferença para arte é o teatro.O teatro raramente anuncia e, no entanto, consegue sobreviver.&lt;br /&gt;  Aprendi com atores e produtores de teatro, em São Paulo, uma expressão chamada &lt;em&gt;tambor da selva&lt;/em&gt;, que funciona assim: se uma peça de teatro é boa, o tambor da selva funciona, uma pessoa passa a outra e assim, por diante, e a peça termina virando sucesso.O contrário também é verdadeiro.Em cultura, a publicidade tem pouca importância.Os livros de Nora Roberts podem ter aut-doors espalhados pelo mundo todo, vai vender? Vai!Os compradores daquela coisa é gente que compra livro como compra sabonete, livros digestivos, ou de entretenimento, como me disse recentemente um autor colonizado, abduzido e que teve o seu cérebro comido por uma cultura alienígena “literatura é entretenimento”de auto-ajuda,dos Paulo Coelhos, das historinhas horrorosas, nojentas e pegajosas de  Stephen King.É uma literatura feita como hambúrguer, rápida e rasteira, que você mal terminou de engolir e já esqueceu o sabor. Os compradores disso é um público descerebrado,que sempre existiu e vai continuar existindo, se não nasceu imbecilizado, tornou-se.  &lt;br /&gt;Com arte sou muito mais o tambor da selva, já o vi em ação.&lt;br /&gt;*&lt;em&gt;Henry Louis Mencken- Livro dos Insultos- seleção, tradução Ruy Castro- Ed Companhia das Letras&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116724476244479000?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116724476244479000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116724476244479000&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116724476244479000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116724476244479000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/tambor-da-selva-livro-como-sabonete.html' title='Tambor da selva, livro como sabonete, literatura hambúrguer'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116688118778535668</id><published>2006-12-23T11:34:00.000-02:00</published><updated>2006-12-23T11:39:47.793-02:00</updated><title type='text'>Desmistificando a publicidade</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt;* - Brasília&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não rir, não lamentar, nem amaldiçoar, mas compreender.”&lt;br /&gt;                (Spinoza)&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em memória de Carlos Carvalho e André Forster&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos uma literatura encharcada de vida. Queremos?&lt;br /&gt;Então, uma das primeiras missões é desmistificar a publicidade.&lt;br /&gt;Como observa Alberto Manguel, a maior parte das imagens que circulam no mundo de hoje são fruto de um impulso econômico, para criar produtos de consumo e mercados de consumo, “não para celebrar o espírito humano, ou para aprendermos mais ou sermos melhores.”&lt;br /&gt;É pura e simplesmente para fazer mais dinheiro.&lt;br /&gt;Vide a “alegria” (sim, entre aspas) divulgada na TV “exaltando” o espírito natalino: shopppings cheios, empurra-empurra. As pessoas são “obrigadas” a comprar. &lt;br /&gt;Na hegemonia do rebanho, são poucos os que não entram na mistificação da “felicidade consumista.”&lt;br /&gt;Seguindo a lógica de Manguel, nesse sistema de imagens, a leitura é em realidade nociva. Se você lê profundamente uma imagem publicitária, você a destrói.&lt;br /&gt;(Os publicitários sabem disso. Mas tem álibis, truques mentais e precisam defender o leite das crianças – o que é plenamente justo -, ou os milhões em paraísos fiscais, como fez Duda Mendonça, mentor do Pequeno Napoleão nas eleições de 2002, e que ainda mantém polpudas contas no Governo -vide Petrobrás-, milhões solarmente confessados pelo próprio em CPI recente.)&lt;br /&gt;É fundamental que recuperemos a dignidade humana de ler imagens para buscar imagens verdadeiras, fundamentais, “para voltar a ser criaturas de memória.”&lt;br /&gt;A literatura permite uma leitura profunda. Ela serve (também) para que se comunique uma experiência de mundo.&lt;br /&gt;A partir deste aprendizado, PODEMOS ENFRENTAR A IMAGEM, POR EXEMPLO, DA COCA-COLA, DAS MARCAS DE CERVEJA, DE AUTOMÓVEIS, DE TUDO QUE É SUBLIMARMENTE  IMPOSTO AOS RECEPTORES, E INTERROGÁ-LAS PARA DESTITUI-LAS DE SEU PODER. &lt;br /&gt;Não é possível esquecer uma verdade óbvia: a TV é sempre monológica.&lt;br /&gt;E o mais importante quero dizer agora.&lt;br /&gt;No exemplo do autor citado, você entende, a partir de uma leitura de “Madame Bovary”, de Flaubert,  que a falta de felicidade na vida de uma mulher não depende (como quer impor a publicidade) de que ela use perfume, sabonete ou creme de tal marca.&lt;br /&gt;E vai perceber que é enganação ensinar que a sensualidade de um homem, depende da roupa que ele veste.&lt;br /&gt;E dizer que TV é uma concessão pública!!!.&lt;br /&gt;E dizer que desde a Constituinte (1987-88) é discutida a democratização dos meios de comunicação.&lt;br /&gt;Mas poderes maiores se arregimentaram.&lt;br /&gt;E estamos resignados. Uma novelinha, um vitória no futebol, um bolsa-esmola.&lt;br /&gt;Mas estamos mudando, dizem.&lt;br /&gt;Estamos mesmo? Recebemos diariamente todo o lixo, reciclado do primeiro mundo, camufladamente escondido com ares sofisticados e planos de vanguarda, que Orson Welles fazia há mais de 50 anos. Ou que Godard fez mais tarde. &lt;br /&gt;Mas não esqueçamos: é lixo, é desrespeito à dignidade humana.&lt;br /&gt;Tomando tal cerveja, você seduzirá a loira gostosa, quer dizer a mensagem subliminar..&lt;br /&gt;E é um bombardeio feito o dia todo. Como o tubarão, a TV não dorme nunca.&lt;br /&gt;O problema é que vivemos num momento de enorme velocidade e de pouca concentração.&lt;br /&gt;(Queria que as pessoas e os que lerem estas palavras, pensassem um pouco. Só um pouquinho. E criticassem, se discordarem. Mas com argumentos.&lt;br /&gt;Vamos trocar figurinhas? Dêem um retorno.&lt;br /&gt;Resta-nos a consciência. Temos a vida. Resistência quixotesca? Não importa. &lt;br /&gt;Somos poucos?&lt;br /&gt;Mas parecemos muitos.&lt;br /&gt; Não podemos é cair na demissão compulsória:a história de que nada vai adiantar.&lt;br /&gt; É dura a luta? É. Não tem refresco. Mas a ternura de alguns momentos, vale o enfrentamento. Até.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Perdoem a confissão: há exatos 36 anos era transferido da maior sucursal do inferno que o Brasil conheceu (junto com o Cenimar), a Operação Bandeirantes (OBAN) para o DOPS paulista.&lt;br /&gt;Escrevo isso não por heroísmo (não tenho isso), mas em homenagem a colegas de geração que já estão “encantados” e não conseguiram sair vivos daqueles dois lugares. Mas permanecem pulsantes nesse trôpego coração. Estamos aqui, escrevendo. &lt;br /&gt;No fundo, sou um modesto memorialista da tribo.&lt;br /&gt;Não esqueçam: insisto até à redundância: a literatura é uma opção ética.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116688118778535668?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116688118778535668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116688118778535668&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116688118778535668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116688118778535668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/desmistificando-publicidade.html' title='Desmistificando a publicidade'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116667009019084850</id><published>2006-12-21T00:49:00.000-02:00</published><updated>2006-12-22T13:30:38.280-02:00</updated><title type='text'>Algumas palavras em bundo</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola &lt;/strong&gt;- Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Nas palestras que realiza pelo Brasil Ariano Suassuna reclama do uso excessivo de palavras em inglês, em nosso vocabulário, e alguns hábitos importados dos Estados Unidos aplicados ao cotidiano brasileiro. Como grande intelectual que é, Suassuna deve saber  que prega ao vento mas, por outro lado,  realiza também um questionamento instigante sobre a realidade do país, o que não deixa de ser sempre  importante.Digo que prega ao vento porque faz o mesmo que intelectuais brasileiros antes dele já fizeram como Monteiro Lobato e  Mário de Andrade. Mário, critica Oswald de Andrade porque usa a palavra gare em um de seus textos, mas ao mesmo tempo diz que: “o povo não é estúpido, quando diz “vou na escola”, “me deixe”...É antes inteligentíssimo nessa aparente ignorância porque sofrendo as influências da terra, do clima,as ligações e contatos com outras raças, da necessidade do momento de adaptação  e da pronúncia, do caráter, da psicologia racial, modifica aos poucos uma língua que já não lhe serve  de expressão  por que não expressa ou sofre essas  influências e a transforma afinal numa outra língua que se adapta a essas influências”. &lt;br /&gt; Mário está certo quanto a sabedoria do povo e  errado em criticar Oswald, com relação à palavra gare. Nega a influência e a importância da cultura francesa  na brasileira. É o mesmo erro de Suassuna. Esse processo não está nas mãos dos intelectuais, esta na cultura, na vida.Os intelectuais têm que procurar entender esses processos e colaborar para adequar da melhor forma possivel essa dinâmica na língua. &lt;br /&gt; Inútil tentar lutar contra isso.Podemos falar,devemos falar,suscitar discussão, mas tentar lutar contra as palavras e costumes é como querer brigar contra as geleiras,como disse Kurt Vonnegut  Jr. ao se referir sobre a guerra em seu romance Matadouro 5.&lt;br /&gt; As palavras têm vida própria, assim como os costumes,basta servirem ou terem propósito,ou mesmo se adequarem a  alguma realidade.Lutar contra o seu uso é impossível.&lt;br /&gt; Do quimbundo(língua bunda ou quimbundo, dos bantos de Angola) temos, no Brasil,a palavra &lt;em&gt;bunda&lt;/em&gt;.Não é interessante o percurso da palavra, de designativo de uma tribo e sua língua, terminar designando uma parte da anatomia? Do árabe, &lt;em&gt;assassino&lt;/em&gt;, derivada do nome dos antigos fumadores de &lt;em&gt;haxixe&lt;/em&gt;, seguidores do Velho da Montanha; do lunfardo argentino  temos o &lt;em&gt;bacana&lt;/em&gt;. E a lista prossegue(interminável) com as inúmeras palavras francesas,adquiridas, incorporadas e adaptadas,inclusive, aquelas que todos nós conhecemos, como &lt;em&gt;abajour&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;chambre&lt;/em&gt;. Há  também  a tentativa de um professor brasileiro, que história esqueceu o nome,que revoltado contra esses “estrangeirismos” tentar mudar a palavra pic-nic em convescote, ambas  atualmente com prazo de validade vencido.O mesmo tentaram os franceses recentemente,inutilmente, com diversas palavras em inglês usadas em informática.&lt;br /&gt; Assim como tem vida própria, as palavras, hábitos e costumes, têm também o seu sistema dinâmico de surgimento, crescimento, vida e morte, ou permanência. Aportuguesar, abrasileirar ou empregar termos estrangeiros é, na minha opinião, perfeitamente válido e  faz parte do processo da vida e da humanidade como um todo, foi assim que adquirimos um sotaque e expressões diferentes do português de Portugal.O mesmo serve para os norte-americanos derivados dos ingleses.E para o Japão cujo idioma é de origem chinesa. É assim que o latim depois de ter dominado boa parte do mundo decaiu e  deixou apenas suas ruínas e uma língua  morta, com algumas raras expressões sobreviventes.Preservar a cultura de um povo não é aceitar passivamente a invasão cultural/econômica/política/armada/ de outro, seja com costumes ou com qualquer outro processo ou sistema.A resistência é natural e saudável, mas resistência inteligente e  conseqüente. A história demonstra que quando esses invasores culturais têm algo de bom e significativo acaba por ser absorvido e, às vezes, transformado, se o povo todo não for completamente idiotizado ou massacrado.&lt;br /&gt;  Ariano Suassuna que me perdoe, agora vou parar porque é hora do  meu coffe break (ele reclama da expressão) - que é melhor hora no intervalo de uma palestra insuportável- tenho que tomar um cafezinho, coisa que os americanos não fazem como hábito porque não tomam tanto café, como nós tomamos,  o negócio deles é milk break,bacon break, eggs break,orange break,cereal break, donuts break,muffis break, etc. &lt;br /&gt;  Aliás,é preciso observar que o termo etc, &lt;em&gt;et caetera&lt;/em&gt; (tem origem no latim) e significa &lt;em&gt;as coisas restantes&lt;/em&gt; e só pode se aplicar a coisas, não as pessoas.&lt;br /&gt;  O hábito de tomar café ou chá  como intervalo no dia ou dos compromissos é antiguíssimo, remonta aos árabes e no século no século XVI a Europa já o utiliza. O costume moderno nada mais é do que a adaptação de um  hábito antigo.  Não podemos esquecer também a cerimônia do chá japonês ou a hora do chá inglês.&lt;br /&gt; Agora, mudando um pouco de assunto, mas não saindo dele. Alguém aí, por favor, me socorra, como devo escrever o  nome da cidade de New York? Cidade que  foi fundada por uma colônia de judeus oriunda de Pernambuco (em inglês é New York.Escrevo &lt;em&gt;Nova York &lt;/em&gt;ou &lt;em&gt;Nova Iorque&lt;/em&gt;?Os mais importantes jornais do país e a televisão escrevem Nova York quando se referem a big apple o que na minha opinião, é completamente errado, pois traduzem a primeira palavra para o português e a segunda, mantém em inglês.De acordo com o Formulário Ortográfico da Língua Portuguesa(FOLP) –que possui valor de lei e só pode ser modificado pelo Presidente da República(nesse país, esse item da lei é uma temeridade) e pelo Ministro da Educação- Fazem parte do vocabulário ortográfico da língua portuguesa a inclusão de brasileirismos consagrados pelo uso e  no artigo 2º “a inclusão de estrangeirismos  e neologismos de uso corrente no Brasil e necessário a língua literária”. Diz também o FOLP, no seu artigo no Item II artigo 6º   que a letra "&lt;em&gt;w&lt;/em&gt; se substitui em palavras portuguesas e aportuguesadas, por &lt;em&gt;u&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;v&lt;/em&gt;”.De acordo com a regra  a tradução da palavra &lt;em&gt;Nova&lt;/em&gt; estaria correta. Agora, a segunda, &lt;em&gt;York&lt;/em&gt;, o artigo 8º do mesmo item, diz: “nos derivados dos vernáculos de nomes próprios estrangeiros cumpre adotar as formas que estão em harmonia com a primitiva”. Bom, no  Vocabulário Ortográfico Brasileiro,de Aurélio Buarque de Holanda-Ed. Bruguera, que segue  as normas do FOLP, na página 495, ele dá como um adjetivo e substantivo masculino a palavra &lt;em&gt;nova-iorquino&lt;/em&gt;.De onde se deduz que  não existem &lt;em&gt;nova-yorkinos&lt;/em&gt;.Portanto, o correto, de acordo com a norma, seria escrever &lt;em&gt;Nova Iorque&lt;/em&gt;, apesar da palavra perder o &lt;em&gt;charme&lt;/em&gt; do York. Estarei certo eu,o FOLP, Aurélio Buarque,  todos os jornais de  Portugal que escrevem &lt;em&gt;Nova Iorque&lt;/em&gt; e, errados os principais jornais brasileiros? Essa segunda opção que é &lt;em&gt;Nova Iorque&lt;/em&gt; (que sonoramente equivale a  anterior ou tem o mesmo valor fonético) é a que eu me adapto melhor  e mando os manuais de redação da Globo, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo pro diabo que os carregue.Mas, provavelmente, estarei falando em bundo, não sendo entendido e pregando ao vento, porque vai terminar sendo aceita aquela grafia que  for adotada pela ampla maioria das nações que falam português.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116667009019084850?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116667009019084850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116667009019084850&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116667009019084850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116667009019084850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/algumas-palavras-em-bundo.html' title='Algumas palavras em bundo'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116654276604491156</id><published>2006-12-19T13:36:00.000-02:00</published><updated>2006-12-19T16:58:37.110-02:00</updated><title type='text'>A crise na poesia dos Estados Unidos, 2006</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;E. San Martin, de New York&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No início do século XX, a poesia moderna americana de língua inglesa era considerada uma das mais promissoras do mundo por críticos tão cultos e ecléticos como o português Adolfo Casais Monteiro, que via a mesma pujança criativa na poesia moderna brasileira. No início do século XXI, a poesia dos Estados Unidos e brasileira também paracem passar por uma crise criativa muito semelhante. Os poetas experimentais como Ezra Pound e e.e. cumming são referenciais sem seguidores e os marcos da poesia narrativa ou quase discursiva de William Carlos Williams parecer ser parado de evoluir com Allen Ginsberg. Uma terceira via, que seria o estilo quase erudito-popular de Elizabeth Bishop, não parece ter se desenvolvido como influência. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A grande massa da produção disponível, assim como a brasileira, bem se enquadra no "neo-parnasianismo" já aludido na NOVA KLAXON. Trata-se de produção vasta, regional, gerada em profusidade nos meios acadêmicos e pelos milhares de poetas que se projetam via internet, com uma característica em comum: a reprodução de recursos de auto-controle formal de autores clássicos do século passado, na linha do rigor métrico de Steven Wallace, Marianne Moore e Emily Dickinson. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta mesmice estética, levou Helen Vendler, repeitadaacadêmica e especialista em poesia moderna da Universidade de Harvard, a declarar recentemente que só lê poetas com mais de 50 anos, porque os jovens "estão escrevendo sobre desenhos animados que viram na televisão quando eram crianças". Vendler também condenou o "ventriloquismo" de autores prolixos como o caribenho prêmio Nobel Derek Walcot e seus seguidores da poesia quase recitativa.&lt;br /&gt;Este surto neo-parnasiano, entretanto, parece não ter atingido uma poesia popularesca e discursiva que prolifera nos bares e salões culturais, como os dois que frequento de vez em quando na minha vizinhança, o Bowery Poetry Club e o NeoRican Café. Neste último, que busta integrar a herança anglo-saxônica com a "latina", predomina o hip-hop com suas rimas fáceis, ritmos iguais e longas narrativas nem sempre lógicas. No Bowery Poetry Club, diariamente, meia dúzia de bem intencionados lêem e recitam poemas falados de temática extremamente circunstancial e um certo relaxamento linguístico, difícil de definir se é intencional, decorrente de preguiça ou ignorância da tradição que, nos EUA, vem de longe (Longfellow, Whitman). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, há um forte contraste entre a produção acadêmica e esta produção dita "popular", além da distância estilística. A poesia "culta" ou acadêmica parace totalmente autocentrada na exploração dos meandos mais indecifráveis da individualidade. As execeções são exercícios místicos em busca da comunicação espiritual com divindades das mais variadas seitas e crenças. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já a poesia popular e performática se revela voltada para questões políticas e sociais, como se esperaria de uma poesia viva e ativa no mundo em que se incere. Dificilmente, entretanto, consegue transcender às palavras de ordem contra o atual governo Bush, suas guerras e tendências antidemocráticas. Ou seja, um texto com preocupações mais panfletárias do que estético-criativas. As exceções, são de seguidores de Charles Bukowski, com seus textos fáceis e escatalógicos de autocomiseração pela necessidade do homem comum se escravizar em pequenos empregos medíocres, além dos abusos com drogas e álcool e outras denúncias da "esquizofrenia" do capitalismo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os grandes temas nacionais dos Estados Unidos, como a desastrosa invasão do Iraque, a cerca de mais de mil quilômetros em construção junto à fronteira com o México para conter a imigração ilegal de trabalhadores, o recrudescimento do racismo, a crescente desintegração do tecido social que leva cada vez mais pobres a recorrer aos centros de distribuição gratuíta de alimentos, enquanto também aumenta o número de super milionários, em detrimento das classe sociais intermediárias. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Esta poesia, pelo pouco a que fui exposto, me deixou com a sensação de viver num mundo em retrocesso ao neoclassicismo, à pré-modernidade. Como se estes escritores, por mais esforçados, qualificados e bem intencionados que sejam, se conformassem com a condição de "espiões da vida" tão condenada por Mário de Andrade no ensaio O Movimento Modernista. Para alimentar este sentimento, acabo de ler que uma cidade do interior criou um programa de inclusão de poesia no transporte público, como há em tantas outras. O edital de licitação, porém, estabeleceu que os poemas deveriam abordar necessariamente atividades profissionais, já que os leitores serão em grande parte, gente indo e vindo do trabalho. Entre os participantes, surpreendeu o fato da maioria dos autores ser de verdadeiros operários e trabalhadores, que escreveram refletindo sobre seus ofícios. Isto indicou também que os milhões de poetas de língua inglesa a procura de um público, aparentemente, pouco se interessam em escrever sobre a vida real deste público. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Para deixar o comentário menos abstrato, o melhor é recorrer a uma das fontes mais estabelecidas dos EUA, o New York Times Book Review, que acaba de publicar uma relação do que considerou os 100 títulos mais relevantes de 2006. Nestes, encontram-se apenas quatro livros de poemas. O mais destado é a obra completa de Allen Ginsberg (1926-1997), cuja reputação baseia-se em dois livros com mais de 50 anos ("Howl" e "Kadish"), além dos pequenos poemas políticos a que se dedicou o resto da vida. O outro é a obra reunida de Ishmael Reed (1938 -) um poeta negro que se projetou na literatura afro-americana da década de 70, até perder um pouco do seu prestígio ao se voltar para a poesia "místico curativa" influenciada pelo "voodoo" ou macumba caribenha. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os outros dois poetas em destaque no balanço anual do New York Times são acadêmicos também da ala mística. "Strong is your hold", de Galway Kinnell, reflete sobre valores cristãos no casamento e amizades do autor, com uma poesia de alta domesticidade. Em "Averno", uma das poetas acadêmicas mais badaladas dos últimos 30 anos, Louise Gluck, explora "o confronto mítico de temores intratáveis", diz o Times. Não sei o que isto quer dizer, mas está um exemplo, em tradução instantânea, de típico exercício neo-parnasiano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Lago&lt;br /&gt;A noite cobre o lago com suas asas&lt;br /&gt;Sob a lua anelada eu reconheço&lt;br /&gt;Sua face nadando entre o eco&lt;br /&gt;das pequenas estrelas. No ar da noite&lt;br /&gt;a superfície do lago é de metal&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116654276604491156?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116654276604491156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116654276604491156&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116654276604491156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116654276604491156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/crise-na-poesia-dos-estados-unidos.html' title='A crise na poesia dos Estados Unidos, 2006'/><author><name>E. San Martin</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116653214263915324</id><published>2006-12-19T10:35:00.000-02:00</published><updated>2006-12-19T10:42:22.646-02:00</updated><title type='text'>A LIBERDADE TOTAL DA LITERATURA</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Nei Duclós - Florianópolis&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A literatura é a oportunidade que a linguagem tem de se reinventar. Diferente do jornalismo ou das ciências humanas, que obedecem a paradigmas e precisam do consenso do entendimento, de um acordo prévio para ser debatido e desenvolvido, a literatura caracteriza-se pela liberdade de suas falas, do desenraizamento total e da radicalidade de suas experiências. Já que por natureza possui amplo espectro, proporcionado por essa liberdade, ela presta-se mais a uma abordagem seletiva, pois fica difícil abraçar esse vasto mundo ou fazer seu inventário. A saída é definir um conjunto de células para tentar nele soprar nele um pouco de sentido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LIMITES - Meu álibi para estreitar os limites dessa minha conversa também inclui uma necessidade própria de trafegar pelas leituras que decidi adotar como insumos básicos, tanto do que produzo quanto do que costumo analisar como resenhista. Trata-se de uma deliberação e não de uma desistência diante da complexidade do tema. Por fazer parte do exercício da liberdade, numa época de transformações profundas e cada vez mais rápidas, a literatura desvencilhou-se das últimas escolas e partiu para a aventura radical. Mas isso não a tirou fora do jogo político. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A invenção literária permanente costuma refletir o desespero, pois é do caos que ela trata, postura gerada pelo desligamento dos cânones. Vemos isso em Kafka, para pegar o exemplo mais notório. Mas o narrador que é persona do autor diante da indiferença e brutalidade do mundo, é obrigado a reconstruir a linguagem numa nova ordenação do caos. O resultado é uma narrativa sinistra, que faz parte do desencanto econômico e político da Europa que gerou a barbárie de duas guerras. Esse parece ser o personagem favorito da literatura brasileira de hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O viajante de João Gilberto Noll em vários dos seus livros, o pesquisador do romance Fantasma, de José Castello, o detetive Cid Espigão de Tabajara Ruas são agentes dessa reordenação da linguagem que veio à tona depois de assassinada. Isso se chama liberdade, mas também está profundamente ligado à ditadura que nos surpreendeu, criou e ainda nos mantém numa espiral de insônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DIÁSPORA - Meu romance Universo Baldio (Francis, W11 Editores, 2004) é a composição de duas falas que tentam se complementar. A primeira é a desse caminhante perplexo que vive o desmoronamento do mundo e rearticula sua presença literária para não perder a identidade que arduamente construiu no meio do caos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa primeira fase, há a perplexidade diante da diáspora humana que gerou aquela história, que acaba, como começou, na estrada, dentro de um coletivo que coleciona monólogos. Na segunda parte, a persona que encarna o narrador divide-se diante dos seus fantasmas e ao tentar, desesperado, reencontrar-se, acaba descobrindo o quanto perdeu na sua trajetória. Pior: sabe então que sua perda veio de longe e que nunca houve remédio para ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ainda se mantém a esperança de que o tecido desfeito possa ser refeito no final, onde o happy end seria uma forma de vingança, e não um lugar comum. Mais não posso dizer desse romance escrito num intervalo de vinte anos e que é uma síntese de várias incursões na prosa literária que se dispersa hoje em crônicas, memórias, contos e projetos de novos romances. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fazer literário não basta, pois ele enfrenta primeiro a dificuldade de exposição pública, por motivos demais conhecidos. É preciso abordá-lo na análise, fazer parte da composição de falas que descem sobre a literatura como uma chuva de conceitos. Minha participação nessa área tem sido constante e compreende desde autores como Rilke, Simões Lopes Neto, Vinícius de Moraes e Borges, como escritores que na minha geração ajudam a compor um universo literário pautado pela liberdade total. Na resenha, procuro incorporar a liberdade literária, encarnar o verbo para ser fiel à fala alheia. Costumo partir para lances não pautados na intenção inicial do texto, mas que felizmente transformam-se, a seu modo, em parte da minha literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116653214263915324?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116653214263915324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116653214263915324&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116653214263915324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116653214263915324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/liberdade-total-da-literatura.html' title='A LIBERDADE TOTAL DA LITERATURA'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116618443261261959</id><published>2006-12-15T09:59:00.000-02:00</published><updated>2007-02-14T13:53:26.903-02:00</updated><title type='text'>Falência das utopias políticas clássicas</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira&lt;/strong&gt; - Brasília &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria reatar o discurso sobre o "mal-estar" (também propiciado pela falência das utopias políticas clássicas). Quando falo que, apesar de toda a tecnologia, de todos os blogs, a névoa não se dissipa, não desejo voltar aos cursos de datilografia. &lt;br /&gt;Pelo contrário. É preciso instigar, escrever, movimentar, erodir a paz do cemitério e os "latifúndios literários", refletindo diariamente sobre o nosso ofício e abrindo as portas para muita gente de talento que continua marginalizada. &lt;br /&gt;Não por ser certamente o mais velho do grupo que aspiro algum tipo de reverência. Pelo contrário. Não desejo fila exclusiva para idosos.... só em bancos. Reverência tipo comiseração: "sofreu, foi preso político, torturado, exilado". Nada disso. Estou vivo.  É o que importa. E estar vivo para mim é uma dádiva. Muitos companheiros não tiveram essa oportunidade. Quero esse debate palpitante- discussão que o espírito inquieto do Celso nos propiciou com a criação do blog. &lt;br /&gt;Beleza: Porto Alegre/ Ilha de Santa Catarina/Planalto Central e Nova Iorque, afora os outros que virão. &lt;br /&gt;Eduardo San Martin toca em tópicos fundamentais, como a literatura de auto-ajuda travestida de alta literatura,"profunda", publicada nas revistonas semanais, ou a obsessão por aparecer, num narcisismo exacerbado, gerado por filhos de poetas consagrados da nossa gloriosa Academia. &lt;br /&gt;Enquanto isso (deve ocorrer também em outros lugares) poetas de Brasília, como o talento de Anderson Braga Horta, do generoso gaúcho-candango José Santiago Naud, João Carlos Taveira, Ronaldo Cagiano e tantos outros, são absolutamente ignorados NÃO SÓ PELA MÍDIA HEGEMÔNICA PAULISTA E CARIOCA, como também pelos maiores jornais da capital e seus ditos suplementos culturais. A "gurizada presunçosa e álgida" que os edita, se acha muito cosmopolita e prefere publicar os "grandes" que saem  sempre, em todos os jornais e revistas do Brasil todo. &lt;br /&gt;E insisto: não conhecem a nossa produção e não querem conhecê-la. É uma desqualificação prévia: sem ler. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um psicanalista disse que está ocorrendo no Brasiil o "sintoma William Moreira" (termos extraídos dos nomes dos locutores William, Bonner e Cid Moreira). O que é isso? &lt;br /&gt;A PESSOA ENTENDE O QUE OUVE, MAS NÃO O QUE LÊ, POIS PARA ELA APENAS A AUDIÇÃO ESTÁ ASSOCIADA AO SIGNIFICANTE. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um país se faz com homens e livros, dizia Monteiro Lobato. &lt;br /&gt;Estão faltando as duas coisas (em qualidade). &lt;br /&gt;Mas é preciso não perder a paciência. Confesso: já perdi várias vezes. Afinal, não somos monges trapistas...  Eu sei: a gente cansa. Jornais que duram dois números, gastando sola de sapato para deixar livros em consignação em  livrarias que não querem saber da gente, editoras que não saem do papel, ou a constatação da morte das pequenas livrarias que dão lugar aos megaespaços impessoais, com ar condicionado e secretárias com  voz mecanicamente erotizada das vozes de aeroporto. &lt;br /&gt;Como lidar com tudo isso? &lt;br /&gt;Entrar numa seita, tomar lexotan, viver em botecos? &lt;br /&gt;Ou tentar entender? &lt;br /&gt;Nunca abandonar o barco. &lt;br /&gt;Um Carlitos vale mais que mil tecnocratas, &lt;br /&gt;Sabemos: hoje prospera a leitura fácil, curta, telegráfica, rasa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que só pegar como referência basilar(eu sei, foi o tema proposto) um Oswald? Talvez, devido à polarização ideológica gerada pela ditadura, uma poesia intimista e tão bela como a de Cecília Meireles foi um tanto esquecida. E ela faz um livro comovente e tão musical como "Romanceiro da Inconfidência." &lt;br /&gt;Os "intimistas", metafísicos, não tiveram vez com os modernistas de 22. &lt;br /&gt;Numa conferência, 20 anos depois, o generoso Mário de Andrade faz um mea-culpa. &lt;br /&gt;Prevalece ainda o insuportável e irritante poema-piada? &lt;br /&gt;Os concretistas endeusaram Oswald. Mas o que realmente ficou? &lt;br /&gt;(Pela idade estou ficando chato e monotemático e rabugento? Digam...) &lt;br /&gt;Faltou-nos um articulação de geração. Por exemplo, o grupo católico de Alceu de Almoroso Lima, formou uma geração "pensante" que se reunia, escrevia, defendia seus pontos de vista. Mesmo que, às vezes, beatos. &lt;br /&gt;Mas é  Brasill. Ninguém se diz de "direita", mas a direita nos manda há 506 anos. São todos de "centro-direita ou de centro-esquerda"? &lt;br /&gt;Ninguém mais diz: "sou de direita", como dizia o integralista Plínio Salgado. E ele escrevia. Porque a velha direita brasiileira, pelo menos em termos intelectuais, parecia reconhecer um espaço civilizatório. &lt;br /&gt;E lia. &lt;br /&gt;Gente que financiou a tortura,como a OBAN (Operação Bandeirantes), talvez a maior sucursal do inferno que já existiu no Brasil (estive lá: de 9 a 19 de dezembro de 1970, e mais dois meses no DOPS...) é elogiada pelo nosso Pequeno Napoleão, que diz que se alguém com mais de 60 anos, é de "esquerda" é porque tem problemas. &lt;br /&gt;E o doce Apolônio de Carvalho?, morto há poucos anos. E Antônio Cândido? &lt;br /&gt;Mas a academia não quer criticar o Guia narcísico porque ele veio de baixo. Como se origem fosse prova de caráter. Ou porque podem nos chamar de gente de direita. &lt;br /&gt;(E o amigo íntimo do eleito é Delfim Netto, que assinou o AI-5. E defendeu a OBAN. Ninguém se lembra? Se não somos nada sem memória, o que se pode dizer de uma nação que esqueceu de si mesma? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou amargo, pessimista? &lt;br /&gt;Meu livro de memórias de geração (perdoem o toque pessoal) tem mais de 1000 laudas e está em fase de "faxina" e revisão. Deve sair em 2007, se Deus Quiser. Espero que haja algo mais que isso aqui, mas sem crenças canônicas. &lt;br /&gt;Mas acreditando na ternura, na compaixão e na memória. Lógico, e na literatura. &lt;br /&gt;Perdoem, amigos, se o texto ficou grande. &lt;br /&gt;Mas confesso lá do fundo: a literatura me deu, além de um sentido moral, uma dimensão da transcendência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116618443261261959?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116618443261261959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116618443261261959&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116618443261261959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116618443261261959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/falncia-das-utopias-polticas-clssicas.html' title='Falência das utopias políticas clássicas'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116601684397916892</id><published>2006-12-13T11:28:00.000-02:00</published><updated>2006-12-15T00:19:16.110-02:00</updated><title type='text'>A universidade e o preconceito- uma coleção étnica</title><content type='html'>Marc&lt;strong&gt;o Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt; - Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Basta observar o sobrenome dos colaboradores do blog e constatar que todos têm raízes espalhadas em algum lugar além do Brasil. Nei Duclós tocou no seu texto: &lt;em&gt;Macacos Me Mordam&lt;/em&gt;, de 7 de dezembro   sobre a  nossa formação  multi- racial. No meu caso particular, tenho por parte de mãe, uma bisavó negra ainda escrava quando casou com o inglês, meu bisavô (em cartório em São Gabriel) e, por parte de pai, um italiano que chegou no Rio Grande do Sul, antes da grande imigração de 1870 e casou com uma paraguaia. Não tenho direito a cidadania italiana porque o sobrenome se perde numa família extremamente prolífica. Não tenho e nem quero a cidadania paraguaia, porque, no máximo o que vou conseguir é alguma isenção sobre  produtos importados, se algum dia virar camelô, a inglesa, então, seria luxo demais. Muito menos, posso reivindicar a cidadania nagô, que possuo legitimamente, mesmo tendo olho azul, porque sei lá que região da África minha bisavó provém. E aí, me sobra a condição de ser brasileiro e cidadão do mundo. O que é uma condição difícil, mas não lamentável. Lamento, isso sim, quando deparo com o fato de que os mais cultos,ou aparentemente mais cultos, ou seja, aqueles que tem acesso à cultura em nosso país não sabem exatamente o que são e a que vieram.Ou não fazem questão de saber, ou então fazem questão de manter esse desconhecimento e divisões étnicas,separatistas, sociais ou culturais para dele usufruir alguma benesse  ou ainda, para aumentar esses abismos e criar mais guetos entre homens, nações e raças.&lt;br /&gt;Lamento quando deparo como  o fato de Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), através de sua editora ter uma coleção de livros editada por alguns, professores? que não sei se mal esclarecidos ou mal formados ou os dois, que dividiu autores (vários)  do Rio Grande do Sul por algumas etnias formadoras do Estado. Nos livros editados pela universidade há textos de poetas,escritores,jornalistas, com os seguintes títulos: &lt;strong&gt;Nós, os afro-gaúchos&lt;/strong&gt;; &lt;strong&gt;Nós, os gaúchos&lt;/strong&gt;;&lt;strong&gt;Nós, os ítalo-gaúchos&lt;/strong&gt;; &lt;strong&gt;Nós, os teuto-gaúchos&lt;/strong&gt;. Estão a venda no site da Editora da Universidade  &lt;a href="http://www.ufrgs.br/editora"&gt;www.ufrgs.br/editora/&lt;/a&gt; Na lista de preços é mais fácil encontrá-los.&lt;br /&gt;Os  organizadores destas antologias esqueceram que o Brasil, hoje, não é um Estado multinacional e sua formação racial em alguns casos é quase imprecisa. Falei em alguns casos, porque existem no país, ainda em uso entre as diversas nações indígenas quase 120 idiomas, mas mesmos essas nações apesar de possuírem seus estamentos, estão submetidos, acima de suas regras, a regras jurídicas legais e lingüísticas das quais fazem parte a configuração da nação que vivemos.  &lt;br /&gt;Esqueceram esses, professores? as perseguições que sofreram os alemães no Rio Grande do Sul para integrarem-se? Será que esqueceram, também, no que conduziu essas separações étnicas antes e durante a segunda guerra mundial? A guerra em Ruanda entre as etnias &lt;strong&gt;tutsi&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;hutu&lt;/strong&gt; que já matou mais de 1 milhão de pessoas -divisão étnica,essa, alimentada pelos colonizadores belgas; dos curdos, hoje, um povo sem pátria).&lt;br /&gt;E parece que a coleção parou nisso, por quê? Se continuasse, faltaram, imagino, títulos como: &lt;strong&gt;Nós, gaúchos-gauleses &lt;/strong&gt;(que reuniriam os belgas e franceses), &lt;strong&gt;Nós, os gaúchos ingleses&lt;/strong&gt;,  &lt;strong&gt;Nós, os gaúchos espanhóis &lt;/strong&gt;(que reuniriam os catalões e os bascos).Mas qual foi mesmo o critério de escolha para a seleção de material que consta nessas antolgias?&lt;br /&gt;Se o critério para escolha dos colaboradores na coleção foi pela ordem de descendência patrilinear eu poderia colaborar em apenas um dos livros.Se foi regional e patrilinear em dois livros e, se nenhum dos anteriores, poderia apresentar textos para três dos livros, pois sou pela minha ascendência: afro-gaúcho, gaúcho e ítalo-gaúcho e se mexer um pouco mais há um traço de basco.Acho interessante que nessa coleção tenham sido esquecidos, também os judeus-gaúchos e os árabes (nessa entrariam descendentes de palestinos/ turcos e todas outra etnias da qual faz parte o mundo árabe e que está presente no Rio Grande do Sul desde a sua formação, basta buscar em sociologia histórica Manoelito de Ornellas- &lt;strong&gt;Gaúchos e Beduínos&lt;/strong&gt;, e na ficção Simões Lopes Neto-&lt;strong&gt;Lendas do Sul&lt;/strong&gt;-A Salamanca do Jarau, cujo título já evidencia a ligação com a Espanha moura. Onde estão estes últimos?Incluídos nos gaúchos?Por quê?Suspeito que eles existam.Porque não tiveram também o seu livro, em separado, nesta linda coleção étnica?Será que faltou dinheiro para editar ou daria algum problema? Sugiro que na continuidade da coleção façam mais dois livros, além dos já citados, com os guaranis, &lt;strong&gt;Nós, os gaúchos tupi-guaranis&lt;/strong&gt;, ou vamos esquecer a sua cultura e história para formação desse Estado, também? &lt;br /&gt;E outro, com o título:&lt;strong&gt;Nós,osgaúchosautosegregadosesegregadoresdaculturabrasileira&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;Agora vem a dúvida: Vamos pegar três exemplos, se vivos fossem no Rio Grande do Sul: Machado de Assis. Em qual dessas coletâneas o colocariam?Afro-brasileiro? E aquele negro Cruz e Souza; e aquele mulato genial  Afonso de Lima Barreto, que comemora esse ano 125 anos de seu nascimento sem nenhuma grande festa (patrocinada por algum banco estatal-com direito a discursos de vários especialistas autonomeados em sua obra) e que disse: “&lt;em&gt;nasci pobre, nasci mulato...Executei minha missão fui poeta!”.&lt;/em&gt;Não daria também mais um título:Nós,os gaúchos mulatos ?&lt;br /&gt;Ficamos então, no pior dos mundos.Aqueles que têm a obrigação de sinalizar, educar, mostrar, orientar, depreende-se por uma coleção dessas não terem a mínima noção do que é cultura, do que é importante em cultura, mesmo se tiveram publicado um milhão de livros antes desses.Na minha opinião, justificar por qualquer ângulo ou critério uma separação étnica para cultura é criar mais divisões e preconceitos. Tudo começa com a cultura e a educação, inclusive os preconceitos. Acredito que objetivo da editora de uma universidade seria trabalhar contra isso.Não vejo coleções com critérios étnicos,separatistas, semelhantes editadas por universidades brasileiras ou em outros países.Se houverem,por favor me avisem! Seleção de textos baseado na cor da pele de seus autores,sexo, origem familiar,localização geográfica, faixa etária,religião e profissão são restritivos e inservíveis para qualquer noção ou visão de cultura que se pretenda abrangente e importante, para não ser mais rigoroso e aprofundar as questões de racismo ou separatismo.  Enquanto isso, a Universidade perde cada vez mais sua importância social e cultural com publicações como estas, realizada com &lt;strong&gt;dinheiro público&lt;/strong&gt; que se prestam mais a  dividir aquilo que deveria estar unido em torno de uma cultura verdadeiramente brasileira e universal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116601684397916892?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116601684397916892/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116601684397916892&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116601684397916892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116601684397916892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/universidade-e-o-preconceito-uma-coleo.html' title='A universidade e o preconceito- uma coleção étnica'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116594140108551583</id><published>2006-12-12T14:34:00.000-02:00</published><updated>2006-12-12T14:46:47.563-02:00</updated><title type='text'>EIXOS DOMINANTES, LATIFÚNDIOS E UMA BRASÍLIA REAL</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Emanuel Medeiros Vieira- Brasília&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que temos tanto: internet, massa impressionante de informações.&lt;br /&gt;Então, qual a razão desse “mal-estar”?&lt;br /&gt;Vemos muito, não hierarquizamos.&lt;br /&gt;Então, enxergamos pouco (o que realmente importa).&lt;br /&gt;Acumulamos, não unificamos.&lt;br /&gt;Como captar,  impregnados de fragmentos, a “precária síntese” drumondiana?&lt;br /&gt;Onde a unidade?&lt;br /&gt;Os próprios debates viraram mais desqualificação do outro que uma real discussão que fecunde o nosso cotidiano.&lt;br /&gt;A gente esquece que literatura é vida, não mera erudição de prateleira.&lt;br /&gt;E há uma espécie de “moral cínica”: pessoas que, desqualificam o trabalho alheio antes de conhecê-lo. Mas isso é material para psicologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na poesia, há o predomínio de uma espécie de neo-parnasianismo tardio, epigonal.&lt;br /&gt;Um medo imenso da emoção, de  “se mostrar”.&lt;br /&gt;Não, não é defesa do desleixo estilístico,  mas a consciência de que  relação não é feita entre signos, mas entre seres humanos.&lt;br /&gt;Queria falar sobre uma velha  (e até chata) discussão: a hegemonia e o absolutismo paulicéia e do Rio.&lt;br /&gt;Nei Duclós, com felicidade, falou em “latifúndios” de divulgação. Fica mais fácil tais dominadores entrarem em todos os nichos porque seriam também a “voz dos que não têm” voz, do excluídos...&lt;br /&gt;Mas não sobra nada para os outros.&lt;br /&gt;O humanismo vira peça de retórica. Para eles, a conquista fundamental é do espaço.&lt;br /&gt;A Brasília onde vivo há quase 30 anos, só é vista pela mídia com espaço do poder, das tramóias e das tenebrosas transações. Mas existe algo que pulsa, mais forte. Não falo do imenso número de religiões e da cidade como pólo místico.&lt;br /&gt;Um dia quero discutir a produção literária aqui gerada. Mesmo o suplementos ou cadernos dito culturais dos jornais da capital, preenchem o espaço com os de sempre: os mesmos “latifundiários” que estão em toda a mídia Os “rapazes”, aparentemente “sofisticados”, mundializados, não lêem a produção daqui e a desprezam sem conhecer.  &lt;br /&gt;Como falou sabiamente Celso Huffell Viola, “a prova dos nove foi resolvida pela calculadora made in Manaus.”&lt;br /&gt;Mas o tema seria outro. &lt;br /&gt;Não quero cair no saudosismo. Falar da Palegre agitada dos anos 60, onde morei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os que tomam quase todo o espaço, buscam o facilitário álibi de terem sido (?) “esquerdistas”, “socialistas”: a voz dos que não tinham voz.  E reescrevem a história, como se todos não tivessem memória. Alguns dizem que estiveram na Largo da prefeitura em 1º de abril de 1964, para resistir ao Golpe (eu estava lá).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iria falar sobre a hegemonia editorial do eixo Rio- SP.&lt;br /&gt;Fica para mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A formação escravocrata forjou o caráter de dominantes e dominados.&lt;br /&gt;Nosso inconsciente sempre foi colonizado.&lt;br /&gt;Mas para que nos globalizem é necessário isolar todos os indivíduos (ilhar) porque se as vacas falassem entre si, não iriam tão inocentes para o matadouro, como dizia Brecht.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116594140108551583?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116594140108551583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116594140108551583&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116594140108551583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116594140108551583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/eixos-dominantes-latifndios-e-uma.html' title='EIXOS DOMINANTES, LATIFÚNDIOS E UMA BRASÍLIA REAL'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116585868671368001</id><published>2006-12-11T15:32:00.000-02:00</published><updated>2006-12-12T14:47:03.656-02:00</updated><title type='text'>MODERNISMO, MODA E MODERNIDADE-</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Eduardo San Martin&lt;/strong&gt;- Nova York &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recorro à Nova Klaxon em busca de um espaço para&lt;br /&gt;debate honesto e interessado no que deveria ou poderia&lt;br /&gt;ser a produção estético-cultural relevante, social,&lt;br /&gt;criativa e intelectualmente (além de instrutiva e&lt;br /&gt;divertida), para o mundo em que vivemos. Melhor dizer&lt;br /&gt;as produções, as estéticas, dos vários mundos muito&lt;br /&gt;diferentes em que vivemos, pois cada universo ou&lt;br /&gt;realidade provavelmente exige o desenvolvimento de uma&lt;br /&gt;forma original de expressão e conteúdo para ser&lt;br /&gt;retratado, interpretado, extrapolado, etc). Nesta&lt;br /&gt;busca da modernidade que parece totalmente ausente no&lt;br /&gt;que é moda, é natural se começar retomando a&lt;br /&gt;trajetória da capacidade estética brasileira moderna&lt;br /&gt;com quem a História parece ter parado, o modernista&lt;br /&gt;José Oswald de Andrade (1890-1954).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oswald provavelmente é o único grande paradigma&lt;br /&gt;cultural da modernidade a nossa disposição. Desde a&lt;br /&gt;Semana de Arte Moderna, tudo que aconteceu de mais&lt;br /&gt;moderno e renovador no pensamento criativo do Brasil&lt;br /&gt;teve a presença, a interferência, a memória, a&lt;br /&gt;influência ou a sombra do autor de A Marcha das&lt;br /&gt;Utopias. Sua obra é fator germinal e referencial das&lt;br /&gt;nossas melhores qualidades e piores contradições. Do&lt;br /&gt;paulista quatrocentão que escrevia teatro em francês&lt;br /&gt;na juventude, ao velho anarco-comunista, doente, podre&lt;br /&gt;e indesejado, que encarou o isolamento final fiel às&lt;br /&gt;suas convicções do momento moderno , mas não&lt;br /&gt;passivamente ("verlho, cardiáco, despossuído, mas&lt;br /&gt;pronto para briga", ele teria dito no ano da morte).&lt;br /&gt;Qualquer evento cultural brasileiro certamente teve&lt;br /&gt;que lutar contra a fossilização acadêmica e a inércia&lt;br /&gt;oficialista. Nisso, a partir da segunda década do&lt;br /&gt;século XX, os brasileitos sempre contaram com a&lt;br /&gt;participação direta ou simbólica de Oswald de Andrade,&lt;br /&gt;quase como um laboratório de orientação sobre erros e&lt;br /&gt;acertos. Alguns exemplos: o Rei da Vela no teatro&lt;br /&gt;político brasileiro, as citações nas primeiras canções&lt;br /&gt;do Tropicalismo na música popular ("no pão-de-açúcar&lt;br /&gt;de cada dia, dai-nos senhor a poesia de cada dia" é&lt;br /&gt;original de Oswald), sua adesão ao Partido Comunista&lt;br /&gt;em 1931 e sua quase expulsão do mesmo em 1945, pela&lt;br /&gt;sua aproximação à Revolução Permanente do trotskismo,&lt;br /&gt;além do financiamento e publicação de vários jornais&lt;br /&gt;operários e militantes durante a ditadura Vargas. Isto&lt;br /&gt;tudo sem contar o corpo de obra propriamente dito e os&lt;br /&gt;feitos significativos e canonizados, do Manifesto Pau&lt;br /&gt;Brasil ao Movimento Antropofágico, ou sua veneração e&lt;br /&gt;resgate erudito-popular pelo movimento da poesia&lt;br /&gt;concretista. Aqui, também é preciso incluir seus&lt;br /&gt;possíveis desserviços à modernidade, como o&lt;br /&gt;desenvolvimento do poema-piada, que permanece "coisa&lt;br /&gt;nossa", quase sem humor, mas com a mesma&lt;br /&gt;superficialidade dos pioneiros, ou os exercícios em&lt;br /&gt;realismo socialista dos romances da série Marco Zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma marca em cada passo do esforço nacional em&lt;br /&gt;busca da modernização da cultura, é natural que José&lt;br /&gt;Oswald de Andrade seja o primeiro homenageado da Nova&lt;br /&gt;Klaxon. Duvido que muitos outros modernistas venham a&lt;br /&gt;receber a mesma honra. Alguns, de Mário de&lt;br /&gt;Andrade a Sérgio Milliet ou Sérgio Buarque de Hollanda&lt;br /&gt;a receberão, mas não com tanta pompa e cumplicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, excluindo Oswald, onde se encontram os&lt;br /&gt;fundamentos histórico-culturais para identificar e&lt;br /&gt;trabalhar em busca da "nova" modernidade? Na poesia -&lt;br /&gt;que é área de expressão a que pretendo me dedicar e&lt;br /&gt;basear minhas intervenções nesta troca de idéias da&lt;br /&gt;Nova Klaxon - conheço alguns elmentos de apoio (como&lt;br /&gt;conheço poucos, peço aos leitores que sugiram outros&lt;br /&gt;nomes de autores para análise): lembro de, em&lt;br /&gt;diferentes períodos e datas, Souzândrade no Maranhão,&lt;br /&gt;Sosígenes Costa na Bahia, Mauro Faustino no Rio de&lt;br /&gt;Janeiro, Augusto Meyer no Rio Grande do Sul, Adhemar&lt;br /&gt;Tavares em Pernambuco. Na prosa, nunca esqueço de&lt;br /&gt;Guimarães Rosa, Osman Lins, Lima Barreto, a vida e&lt;br /&gt;obra de Patrícia Galvão. No teatro, conheçi a&lt;br /&gt;vanguarda precoce de Joaqim de Qorpo Santo. São,&lt;br /&gt;entretanto, exemplos que me ocorrem de autores&lt;br /&gt;antigos, saídos de cena há muito tempo. Servem mais&lt;br /&gt;como modelos de tentativas e realizações relativas a&lt;br /&gt;realidades do passado, com a modernidade antiga de&lt;br /&gt;Picasso e Juan Miró. Eficiente, admirável, memorável,&lt;br /&gt;mas histórica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei bem que a modernidade em questão, a modernidade do&lt;br /&gt;novo milênio, "necessária como o pão de cada dia, como&lt;br /&gt;o ar que respiramos 13 vezes por minuto" não está ou&lt;br /&gt;ainda não foi encontrada na explosão democrática da&lt;br /&gt;expressão literária, seja no casulo acadêmico ou na&lt;br /&gt;hasta pública da internet. Do que leio de novo,&lt;br /&gt;constato que a auto-expressão e auto-exposição foram&lt;br /&gt;elevadas a extremos que tecnicamente inviabilizam a&lt;br /&gt;transcendência criativa que a escrita precisa para&lt;br /&gt;fazer uma diferença na vida de quem a ela seja&lt;br /&gt;exposto. (Na minha área de interesse, incluo aqui, as&lt;br /&gt;propostas mais reconhecidas como inovadoras, do&lt;br /&gt;passivo e pacato Manuel de Barros separando o lixo&lt;br /&gt;orgânico na sua fazenda-modelo, ao grandiloqüente&lt;br /&gt;nome maior das nossas letras, Affonso Rommano de&lt;br /&gt;Sant'Anna (com seus malabarismos linguísticos que o&lt;br /&gt;afastam de suas origens modernas, cada vez mais&lt;br /&gt;sonoros do que expressivos), ou a linguagem suave e&lt;br /&gt;macia dos versos livres e prosáicos da literatura&lt;br /&gt;quase de auto-ajuda de Lya Luft e Fabrício de&lt;br /&gt;Carpinejar (em seu site da internet e material&lt;br /&gt;promocional, o eufemismo preferido é "que lembra o&lt;br /&gt;aconselhamento").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O resto da cultura reconhecida pelos meios de&lt;br /&gt;comunicação de massa como cultura é pura e&lt;br /&gt;simplesmente massificação do público de acordo com&lt;br /&gt;interesses político-econômicos. A grosso modo, isto se&lt;br /&gt;destaca como um reforço ideológico-reprodutivo do&lt;br /&gt;sucesso importado (de lucro garantido) de países&lt;br /&gt;ricos. Para me manter à raiz da questão ao lado de&lt;br /&gt;Oswald de Andrade, é a "geléia geral brasileira" ("que&lt;br /&gt;o Jornal do Brasil anuncia", na paráfrase de Torquato&lt;br /&gt;Neto, um dos suicidados da nossa modernidade). Neste&lt;br /&gt;mar de incoerentes, ineptos e oportunistas, os&lt;br /&gt;"agentes culturais" comprometidos com a busca da&lt;br /&gt;expressão que transcenda, mesmo ao custo ou sacrifício&lt;br /&gt;da própria ascendência social e reconhecimento&lt;br /&gt;intelectual, têm que se manter vivos e ativos, ainda&lt;br /&gt;que submersos até o pescoço nesta asfixiante geléia ou&lt;br /&gt;massa sem direção e sentido tratada como cultura pelos&lt;br /&gt;que retardam o desenvolvimento cultural prezando como&lt;br /&gt;muito bom, o que sempre foi e continua brega sob&lt;br /&gt;qualquer padrão, mesmo que antropológica ou&lt;br /&gt;sociologicamente significativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, esta conversa continua, com seus muitos aspectos&lt;br /&gt;e variantes. Minha proposta é promover o debate de&lt;br /&gt;todos que me ocorram (e que me sejam sugeridos), um a&lt;br /&gt;um, caso a caso, para não cair em outras&lt;br /&gt;generalizações como esta inicial, que me pareceu&lt;br /&gt;inevitável para início de conversa. Só para antecipar&lt;br /&gt;o que considero central no encaminhamento das questões&lt;br /&gt;a serem levantadas, concluo esta intervenção com uma&lt;br /&gt;última citação do autor de Os Condenados: "Contra&lt;br /&gt;todos os importadores da consciência enlatada, a&lt;br /&gt;experiência palpável da vida. A poesia existe nos&lt;br /&gt;fatos. Os casebres de açafrão e de ocre verde da&lt;br /&gt;favela, sob o azul cabralino, são fatos estéticos".&lt;br /&gt;Será que o Oswald de Andrade, no século XXI, ainda&lt;br /&gt;vale como referencial da modernidade nacional porque o&lt;br /&gt;tempo passou depressa, mas a vida se moveu devagar e o&lt;br /&gt;Brasil, em suas entranhas, não mudou tanto quanto&lt;br /&gt;parece...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116585868671368001?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116585868671368001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116585868671368001&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116585868671368001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116585868671368001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/modernismo-moda-e-modernidade.html' title='MODERNISMO, MODA E MODERNIDADE-'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116552216702881075</id><published>2006-12-07T18:02:00.000-02:00</published><updated>2006-12-09T18:17:32.166-02:00</updated><title type='text'>MANIFESTO PREGUIÇA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;           &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Marco Celso Huffell Viola&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;    &lt;em&gt;-Porto Alegre&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; Oswald de Andrade queria uma poesia de exportação como o café e o pau-brasil, mas até hoje continuamos exportando café e a poesia envelhece no fundo das gavetas.Do Manifesto de Poesia Pau Brasil em diante repetiu-se a exaustão tecnicamente  Oswald e os intelectuais continuaram com seu lado doutor, lado citações.A raça ficou esquecida crescendo e se multiplicando nas margens das  BRs e na confusão milionária de todos os desacertos econômicos.Nas favelas pré-fabricadas para cenário de crime, um negro cantou blue.Um cego nordestino num galope a beira-mar  procura a saída sobre um viaduto construído na caatinga que leva a lugar nenhum.&lt;br /&gt;A prova dos nove foi resolvida pela calculadora  made in Manaus e a nossa alegria é um samba em japonês.Perdemos o direito a sesta, aos passarinhos e o país foi devorado em corpo, preguiça e alma pelo canibal. Dos conquistadores conseguimos apenas comer o bispo Sardinha por uma questão de homônimo e a indigestão em latim logo sobreveio, através de seus parentes que invadiram o país como saúva e acabaram com o Brasil.&lt;br /&gt;Temos a realidade abrangente demais não precisamos dela para a poesia, precisamos da invenção.&lt;br /&gt;O museu nacional desfila todo ano nas principais avenidas superando em tudo qualquer delírio poético. A geração concretista inventou Brasília e colocou a falta de imaginação no poder.O que era regional emigrou e os produtores de televisão envelhecem atrás de uma novidade local.&lt;br /&gt;Enquanto Oswald berrava contra o gabinetismo era assim que os escritores cultos não morriam de fome e compravam o leite das crianças.Enquanto o português virava piada de botequim, aprendíamos inglês na escola e, Guaracy, mãe dos viventes, era expulsa a tiros da mata para a construção de novas agrovilas e cidades internacionais.Não temos mais os olhos livres para ler poesia, perdemos a inocência apesar de continuarmos em estado de graça se não virarmos novamente questão de Estado.&lt;br /&gt;E necessário injetar preguiça no canibal e apresentá-lo ao Cristo que renasce uma vez por ano em Nova Jerusalém. Redescobrir  nossa ciência que é humanista e a nossa filosofia misturada.Precisamos de um banho de descarga na consciência nacional e apelar a todos os orixás que não nos deixem cair em desgraça.Amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116552216702881075?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116552216702881075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116552216702881075&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116552216702881075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116552216702881075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/manifesto-preguia.html' title='MANIFESTO PREGUIÇA'/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37898770.post-116550931351193125</id><published>2006-12-07T14:26:00.001-02:00</published><updated>2006-12-07T22:28:29.703-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2454/4252/1600/506750/3Monkeys.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2454/4252/320/778088/3Monkeys.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;p class="MsoNormal" style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;1. MACACOS NOS MORDAM&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;strong&gt;Nei Duclós  - &lt;/strong&gt;Florianópolis&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Oswald de Andrade já resolveu um problema básico da cultura brasileira ao lançar o Manifesto Antropofágico. Somos um país que deglute a contribuição alheia para gerar uma nova síntese, original. Não somos um Frankenstein de peças justapostas, como quer hoje o federalismo triunfante adverso à União, ou como quer a divisão em guetos étnicos e geográficos que impera na nossa identificação (somos tudo: italianos, alemães, turcos, baianos, gaúchos, paulistas, catarinenses, mas jamais brasileiros). &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Também não somos uma raça no conceito tradicional do sangue, mais apropriado para definir cavalo árabe, por exemplo. Até os alemães, como notou Nietzsche num trecho selecionado de Além do Bem e do Mal, levaram um balde de água fria nessa área: "Sendo, como povo, uma miscelânea, uma mistura monstruosa de raças, talvez com um excesso preponderante de elementos pré-arianos, um povo do meio, em todos os sentidos, os alemães são os seres mais escorregadios, mais vastos, mais contraditórios, mais incógnitos, mais imponderáveis, mais estupefacientes ainda para si mesmos, mais que qualquer outro povo possa sê-lo: subtraem-se a qualquer definição e são, precisamente por isso, a causa de desespero dos franceses". &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Como andamos para trás na política e na economia, também na cultura costumamos seguir o mesmo caminho de volta. No caderno 2, do Estadão, de 6 de dezembro, o antropólogo Roberto da Matta defende nosso direito à imitação, pois isso seria característica de todos os povos. Imitar é preciso? Onde fica o conceito da Antropofagia? Da Matta diz que continua sua análise na próxima semana. Vamos ver se toca em Oswald.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O blog NovaKlaxon nasce já com vontade de debater esse tipo de assunto, resgatando temas quentes como Antropofogia e sua atualidade, numa abordagem mais focada na literatura. Pelo menos é o que eu acho. Vamos bater o bumbo. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;2. OS ESCRITORES QUE A DITADURA PRODUZ &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para que o país continue sendo saqueado, a linguagem precisa se deslocar da nacionalidade, portanto, do sentido. Esse é o papel da literatura que se consolida a partir da chamada globalização, que aqui ganhou os velhos contornos da entrega do Brasil aos estrangeiros. Insurgir-se contra isso é ser acusado de patrioteiro, xenófobo e reacionário. Essa é a grande armadilha dos escritores notórios, que empalmam vastos espaços na mídia (latifúndios de divulgação, fruto da concentração de renda): como tornaram-se uma contrafação da vanguarda, sentem-se à vontade para exercer a exclusão que os compromete até o osso e os enche de dinheiro. Escrever é mentir e tirar a máscara é assumir personagens vazios de realidade. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Esse pesadelo é justificado pela crítica comprometida com o círculo vicioso da linguagem artificial, que se alimenta também do artificialismo acadêmico, que reproduz indefinidamente as mesmas teorias pretensamente radicais e que no fundo não passam de álibis para manter os escritores de verdade no ostracismo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;O que são escritores de verdade? Os que não se deixam levar pelos modismos e escrevem com o espírito livre. Os mais radicais inovadores da linguagem, os que não fazem parte dessa curriola que se retroalimenta sem parar, compartilham desse ostracismo. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37898770-116550931351193125?l=novaklaxon.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://novaklaxon.blogspot.com/feeds/116550931351193125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37898770&amp;postID=116550931351193125&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116550931351193125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37898770/posts/default/116550931351193125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://novaklaxon.blogspot.com/2006/12/1_07.html' title=''/><author><name>Marco Celso Huffell Viola</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10371464310863412112</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='27' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_3N3JCeAIZkc/SzNdVzW8a5I/AAAAAAAAAHg/2hI_vZ_Cchk/S220/Marco+Celso+H+Viola.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
